O Primeiro-Ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou a sede da Xiaomi em Pequim no arranque de uma deslocação oficial à China, com o objetivo de atrair investimento e aprofundar a colaboração tecnológica entre empresas dos dois países. Durante o encontro com o fundador e CEO, Lei Jun, o chefe do executivo sublinhou que Espanha reúne condições para acolher projetos conjuntos de elevado valor acrescentado.
Sánchez destacou “as capacidades tecnológicas, o talento e a fiabilidade” do tecido industrial do país, bem como o seu posicionamento crescente como hub europeu de infraestruturas digitais, centros de dados e iniciativas ligadas à inteligência artificial. A Xiaomi já mantém parcerias com empresas espanholas nos setores automóvel e da indústria avançada, um sinal que, de acordo com o primeiro-ministro, confirma a competitividade do ecossistema industrial espanhol.
Lei Jun, fundador e CEO da Xiaomi, elogiou a evolução recente da economia espanhola, classificando-a como “muito rápida e positiva”. Antes da reunião, Sánchez, acompanhado pela esposa, Begoña Gómez, visitou uma exposição de produtos da tecnológica chinesa, onde foram apresentados veículos elétricos, soluções de casa inteligente com sistemas domóticos e componentes automóveis, incluindo chassis, motores elétricos e baterias.
A visita à Xiaomi integra uma agenda mais ampla, com forte componente económica e científica.
A visita à Xiaomi integra uma agenda mais ampla, com forte componente económica e científica. Na Universidade de Tsinghua, uma das principais instituições chinesas nas áreas de ciência e tecnologia, Sánchez defendeu o reforço das relações comerciais com a China e apelou a uma maior abertura do mercado chinês a empresas europeias, alertando para um desequilíbrio comercial que considerou “insustentável” a médio e longo prazo.
O primeiro-ministro destacou também o papel da ciência na relação bilateral, durante uma visita à Academia Chinesa de Ciências, que lhe atribuiu o título de catedrático honorário. No discurso, afirmou: “Já não é uma opção, é uma necessidade”, referindo-se à importância da ciência para enfrentar desafios globais como as alterações climáticas, a saúde global e a regulação de tecnologias emergentes.
Sánchez acrescentou que “a ciência ajuda-nos a compreendê-los, convertendo-os em oportunidades para o progresso. Proporciona-nos provas, método e clareza. E em tempos de incerteza, essa clareza é o que nos permite atuar com confiança e desenhar melhores políticas públicas”.
A cooperação científica entre Espanha e China tem-se intensificado nos últimos anos, com projetos conjuntos em áreas como a exploração espacial e a segurança alimentar. Entre eles, destaca-se a missão Smile, que permitirá obter a primeira imagem global da magnetosfera terrestre e melhorar as previsões de meteorologia espacial, essenciais para proteger satélites e infraestruturas energéticas e de comunicações.
O chefe do executivo espanhol sublinhou ainda o intercâmbio crescente entre investigadores dos dois países: “Os investigadores deslocam-se entre os nossos países. As ideias viajam. E juntos, construímos um conhecimento que nenhum país poderia construir por si só”.
com Lusa





