Portugal tem cada vez mais milionários à procura de casas ultraprime, mas faltam imóveis acima dos 4 milhões

Portugal consolidou-se nos últimos anos como um destino global de luxo, atraindo investidores estrangeiros, empresários e figuras públicas em busca de exclusividade, privacidade e qualidade de vida. Mas quem procura uma habitação verdadeiramente ultraprime encontra um mercado marcado pela escassez. Segundo os dados mais recentes do idealista/data, no início de 2026 existiam pouco mais de…
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O mercado imobiliário de ultraluxo em Portugal continua a atrair compradores internacionais, celebridades e grandes fortunas, mas a oferta mantém-se limitada. Dados do idealista revelam que existem pouco mais de mil casas acima dos 4 milhões de euros à venda no país, concentradas sobretudo em Cascais, Lisboa e Algarve.
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Portugal consolidou-se nos últimos anos como um destino global de luxo, atraindo investidores estrangeiros, empresários e figuras públicas em busca de exclusividade, privacidade e qualidade de vida. Mas quem procura uma habitação verdadeiramente ultraprime encontra um mercado marcado pela escassez.

Segundo os dados mais recentes do idealista/data, no início de 2026 existiam pouco mais de 1.000 casas de ultraluxo à venda em Portugal, considerando imóveis com preços entre os 4 e os 8 milhões de euros. Apesar de a oferta ter aumentado 15% face ao ano anterior, continua concentrada em poucas localizações premium.

Cascais lidera de forma destacada este segmento, com cerca de 425 imóveis disponíveis e um preço mediano de 4,7 milhões de euros. Ainda assim, o stock caiu 10% num ano, refletindo a pressão contínua da procura internacional sobre uma oferta limitada.

O fenómeno não surpreende os especialistas do setor. O verdadeiro mercado ultraprime depende de uma combinação rara de fatores: vista mar, privacidade, segurança, baixa densidade urbana, proximidade a marinas, campos de golfe ou centros históricos, além de construção premium e arquitetura diferenciada. Em Portugal, poucas zonas conseguem reunir simultaneamente todos esses atributos.

Além da limitação geográfica, existem também restrições urbanísticas e ambientais que dificultam novos projetos de grande dimensão nas áreas mais exclusivas do país. Em muitos casos, o valor da localização tornou-se tão determinante quanto a própria habitação.

Lisboa surge bastante atrás de Cascais, com cerca de 140 imóveis acima dos 4 milhões de euros e um preço mediano de 5,2 milhões. Já o Porto apresenta um mercado residual neste segmento, com apenas dez imóveis disponíveis, embora com preços medianos de 6,5 milhões de euros, os mais elevados entre os principais centros urbanos.

No Algarve, o distrito de Faro concentra mais de 300 imóveis de ultraluxo, impulsionado sobretudo pelo chamado “triângulo dourado”, entre Quinta do Lago, Vale do Lobo e Vilamoura. A oferta cresceu 46% no último ano, enquanto os preços medianos permaneceram estáveis nos 4,95 milhões de euros.

A Madeira começa também a afirmar-se neste mercado. A oferta quase triplicou em apenas um ano, ultrapassando as 60 propriedades disponíveis. O preço mediano subiu 22%, atingindo os 5,5 milhões de euros, sinalizando uma crescente sofisticação da oferta imobiliária de luxo na ilha.

Já a Comporta mantém uma lógica diferente. Apesar da forte notoriedade internacional e da presença de nomes como Paris Hilton, Nicole Kidman ou George Clooney, a oferta permanece extremamente reduzida. Existiam apenas três imóveis neste intervalo de preços no início de 2026, reforçando a exclusividade e discrição que caracterizam o destino.

Se a escassez já é evidente acima dos 4 milhões de euros, torna-se ainda mais pronunciada no segmento ultraprime. As casas com preços superiores a 8 milhões de euros totalizavam pouco mais de 200 imóveis em todo o país no primeiro trimestre de 2026, segundo a contagem feita pelo idealista.

Neste patamar, o mercado praticamente desaparece em Lisboa, Porto, Comporta e Madeira, onde muitos negócios são realizados fora do circuito público e dependem de redes privadas de compradores.

Cascais volta a liderar, com mais de 50 propriedades acima dos 8 milhões de euros e preços medianos de 13,5 milhões. No Algarve existiam mais de 140 imóveis ultraprime, com preços medianos de 11,5 milhões de euros.

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