Portugal está no grupo de mercados mais dinâmicos no segmento de branded residences na Europa, num contexto em que, até 2032, o número de projetos europeus deverá crescer 113%. O relatório ‘Branded Residences Europe 2026’ elaborado pela Savills o mercado português identificou 33 projetos deste segmento, entre empreendimentos concluídos e em desenvolvimento.
A Turquia continua a liderar o mercado europeu e deverá duplicar o número de empreendimentos concluídos para 44 nos próximos cinco anos. A Savills destaca que Espanha e Portugal ultrapassaram o Reino Unido, posicionando-se no segundo e terceiro lugares, respetivamente. “A Turquia e Espanha somam 22 projetos em pipeline cada, enquanto Portugal conta 18, o que reforça a relevância crescente da Península Ibérica neste segmento de luxo”, pode ler-se no comunicado.
Sul da Europa é protagonista
O mesmo relatório conclui que sete dos dez principais mercados deverão, até 2032, duplicar ou mais o volume de empreendimentos. E realça que Portugal “acompanha esta tendência, com um pipeline que representa cerca de metade do total de projetos identificados a nível nacional”.
Lisboa assume o protagonismo, já que, figura entre as cidades‑chave europeias neste segmento. A capital portuguesa apresenta um número de projetos em pipeline superior ao stock existente, à semelhança de Madrid e Atenas, sinalizando uma nova vaga de oferta de branded residences em contexto urbano.
A director Consultancy & Valuation da Savills Portugal, Paula Sequeira, salienta que “este crescimento sustentado do pipeline confirma o potencial de longo prazo do segmento, onde o valor da marca, o posicionamento lifestyle do produto e a resiliência do mercado imobiliário português são fatores determinantes para a tomada de decisão dos investidores”.
A nível europeu, a Savills prevê que o número total de projetos de branded residences mais do que duplique, passando de 141 no final de 2025 para mais de 300 em 2032. A Europa represente 16% do total a nível global, mantém-se como uma das regiões mais consolidadas, apenas atrás da América do Norte e da Ásia-Pacífico em número de empreendimentos concluídos.
Resorts vão ganhar mercado
O estudo revela também uma transformação estrutural na localização dos projetos. A proporção entre empreendimentos urbanos e de resort é equilibrada (49% urbano, 51% resort), mas o pipeline aponta para um predomínio de destinos de lazer. Até 2032, cerca de 65% da oferta europeia neste segmento deverá concentrar-se em localizações de resort.
Portugal, em linha com Espanha, França e Reino Unido, surge entre os mercados onde o conceito Two-hour Home ganha relevância, impulsionando destinos de segunda habitação acessíveis a poucas horas dos principais mercados emissores.
Louis Keighley, Head of Global Residential Development Consultancy da Savills, refere que “o turismo residencial e o investimento em segundas habitações têm impulsionado o desenvolvimento de branded residences em destinos mediterrânicos, onde a marca hoteleira acrescenta confiança e valorização a longo prazo”.
Entre as marcas presentes no mercado europeu, destacam-se a Marriott que lidera em número total de projetos, com 37, enquanto a Accor apresenta o pipeline mais robusto, com mais de 21 empreendimentos em desenvolvimento. Nas marcas individuais, a Mandarin Oriental reforça a sua presença, com 18 projetos previstos até 2032, um aumento de 260% face à oferta atual. Seguem-se a Radisson Blu, com 12, e a Four Seasons e Six Senses, ambas com portefólios diversificados em destinos de cidade, mar e montanha.
Na vertente não hoteleira, a YOO mantém a liderança, com 16 projetos concluídos e nove em desenvolvimento na região. O relatório reforça ainda a crescente relevância da Ando Living, apoiada pela sua forte concentração de operações em Portugal, bem como a entrada de novas marcas como Pininfarina, Missoni e Nobu, que contribuem para um mercado em rápida evolução.
Em termos de posicionamento, o segmento permanece firmemente ancorado no segmento premium. Em 2024, 40% dos empreendimentos concluídos na Europa eram de luxo; essa proporção subiu para 50% em 2025, demonstrando a forte ligação entre valor da marca, lifestyle e desempenho do setor imobiliário.





