Portugal entre países da zona euro que pior remunera novos depósitos a prazo

Portugal registava, em agosto, uma das taxas mais reduzidas nas novas operações de depósitos a prazo e remunerações abaixo da média da zona euro em todas as modalidades de depósitos, revela hoje uma análise do Banco de Portugal (BdP). Apesar disso, o banco central nota que “a remuneração média dos depósitos dos particulares em Portugal…
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Portugal registava, em agosto, uma das taxas mais reduzidas nas novas operações de depósitos a prazo e remunerações abaixo da média da zona euro em todas as modalidades de depósitos, revela hoje uma análise do Banco de Portugal (BdP).
Economia

Portugal registava, em agosto, uma das taxas mais reduzidas nas novas operações de depósitos a prazo e remunerações abaixo da média da zona euro em todas as modalidades de depósitos, revela hoje uma análise do Banco de Portugal (BdP).

Apesar disso, o banco central nota que “a remuneração média dos depósitos dos particulares em Portugal aproxima-se da mediana da área do euro”.

Segundo o BdP, em agosto a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo foi de 1,63% em Portugal, “uma das mais baixas da área do euro”, com apenas a Bulgária, Chipre, Grécia, Eslovénia e Croácia a registarem taxas inferiores.

A média da área do euro situou-se em 2,18%, 0,55 pontos percentuais acima da observada em Portugal.

O supervisor bancário detalha que Portugal apresenta taxas de juro inferiores à média da área do euro “em todas as modalidades de depósitos”.

Assim, em agosto os depósitos a prazo apresentavam uma taxa de juro média de 1,11% em Portugal e de 1,93% na zona euro, enquanto mos depósitos com pré-aviso a diferença era ainda “mais expressiva” (0,24% em Portugal e 1,28% na área do euro) e, nos depósitos à ordem, a remuneração em Portugal era de 0,04%, abaixo dos 0,29% da zona euro.

“Os dados mostram que, em média, os depositantes em Portugal recebem juros mais baixos do que na área do euro em todas as modalidades”, indica o BdP, embora ressalvando que “a remuneração global não depende apenas da taxa de juro de cada modalidade, mas também da forma como as poupanças estão distribuídas entre depósitos a prazo, depósitos com pré-aviso e depósitos à ordem”.

A este propósito, os dados do banco central apontam que mais de metade dos depósitos dos particulares em Portugal (55% em agosto) são depósitos a prazo, “a proporção mais elevada da área do euro”.

Ora, “como estes depósitos oferecem, em geral, remunerações mais elevadas do que as restantes modalidades, contribuem para aumentar a remuneração média”, refere.

A análise do BdP mostra ainda que a subida das taxas de juro iniciada em 2022 “foi transmitida mais rapidamente aos empréstimos do que aos depósitos”, levando a um aumento do diferencial entre as taxas de juro dos empréstimos e dos depósitos em Portugal.

Também salientando pelo regulador é que, embora a remuneração dos depósitos tenha subido, a inflação manteve-se acima das taxas pagas aos depositantes durante grande parte do período, “reduzindo o poder de compra dos montantes aplicados em depósitos”.

A análise hoje divulgada aponta ainda que, em agosto, os depósitos dos particulares representavam 41% do passivo dos bancos em Portugal, quase o dobro da média da área do euro (22%).

Este valor colocava Portugal na sexta posição entre os países da área do euro onde os depósitos dos particulares mais pesavam no financiamento da banca.

Lusa

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