O ouro voltou a bater recordes esta quarta-feira, ao negociar acima dos 5.300 dólares por onça, depois de já ter superado, nas últimas sessões, os 5.200 dólares. Em termos concretos, o metal chegou a tocar os 5.311 dólares (cerca de 4.447 euros), prolongando uma subida que já leva o ouro a valorizar mais de 22% desde o início do ano, depois de ter fechado 2025 nos 4.319 dólares (aproximadamente 3.616 euros).
O movimento ocorre num contexto marcado pela desvalorização do dólar, que caiu para mínimos de vários anos, e pela expectativa em torno das decisões da Reserva Federal dos Estados Unidos sobre as taxas de juro. A isto juntam-se as crescentes dúvidas sobre a independência da Fed, após ataques públicos do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao presidente do banco central, Jerome Powell.
Segundo Suki Cooper, responsável global de pesquisa de matérias-primas do Standard Chartered, estas preocupações, aliadas à perspetiva de novos cortes nas taxas de juro, estão a acelerar a alocação de capital ao ouro, sobretudo por parte de investidores de retalho. “A combinação de incerteza política e expectativas de política monetária mais acomodatícia está a reforçar o apelo do ouro como reserva de valor”, sublinha a analista.
Também o enfraquecimento do dólar tem sido um fator determinante. O próprio Donald Trump afirmou recentemente que não está preocupado com a queda da moeda norte-americana, uma posição que, para vários analistas, reforça a atratividade do ouro, tradicionalmente visto como proteção em períodos de instabilidade cambial.
A este cenário soma-se a dimensão geopolítica. Carsten Menke, responsável de pesquisa de nova geração do Julius Baer, afirmou ao Wall Street Journal que a subida do ouro não se explica apenas pelo dólar mais fraco, mas também pelos “jogos de poder políticos” protagonizados por Trump, tanto a nível interno como internacional, num contexto em que as tensões geopolíticas tendem a favorecer a valorização dos metais preciosos.
A prata tem acompanhado esta tendência, ainda que sem atingir novos máximos históricos. O metal estava a negociar em torno dos 114 dólares (cerca de 95 euros) por onça, depois de ter chegado recentemente aos 117 dólares (aproximadamente 98 euros), refletindo igualmente a procura por ativos considerados defensivos.
A questão central para os mercados é agora perceber até onde pode ir o preço do ouro. As previsões dos grandes bancos de investimento apontam para um consenso cada vez mais elevado. O Deutsche Bank admite que o ouro possa atingir os 6.000 dólares (cerca de 5.023 euros) por onça em 2026, referindo que, em cenários alternativos, um preço de 6.900 dólares (aproximadamente 5.778 euros) não estaria desalinhado com o desempenho excecional dos últimos dois anos. A Société Générale partilha a expectativa de um preço nos 6.000 dólares até ao final do ano, considerando mesmo essa projeção potencialmente conservadora.
Outras instituições apresentam cenários igualmente otimistas. A Goldman Sachs elevou a sua previsão para 5.400 dólares (cerca de 4.521 euros) até dezembro de 2026, enquanto a Morgan Stanley aponta para um cenário mais favorável de 5.700 dólares (aproximadamente 4.773 euros) na segunda metade do ano. Já o Citi Research revê o alvo de curto prazo para 5.000 dólares (cerca de 4.186 euros).
Depois de um ano de 2025 já histórico, em que o ouro valorizou cerca de 65%, o início de 2026 confirma que o metal precioso continua a assumir um papel central nas estratégias de proteção de investidores e bancos centrais. Entre política monetária, tensões geopolíticas e um dólar fragilizado, o ouro volta a estar no centro das atenções, com os mercados a questionarem não se o preço pode subir mais, mas até onde poderá chegar.
com Conor Murray/Forbes Internacional e Lusa





