Apesar de os grandes bancos chineses continuarem a liderar os rankings mundiais em volume de negócios, as instituições financeiras daquela região já viram dias melhores. Segundo os analistas da GlobalData, multinacional de recolha e análise de dados de mercado, os quatros grandes bancos chineses – o ICBC, o Bank of China, o Agricultural Bank e o China Construction – perderam, no seu conjunto 36 mil milhões de dólares (cerca de 30,7 mil milhões de euros) em receitas durante o ano passado. Tal como explica em comunicado Murthy Grandhi, analista desta plataforma de dados, “isto é a consequência aritmética da política deliberada de Pequim de reduzir as taxas hipotecárias e de comprimir as margens líquidas de juros como tábua de salvação para um setor imobiliário que ainda atravessa a sua recessão mais grave dos últimos anos”.
O Shanghai Pudong Development Bank registou uma quebra de 8,1% nas suas receitas, o Industrial Bank Co caiu 7,3% e o China CITIC Bank perdeu 6%.
A GlobalData refere ainda que o Shanghai Pudong Development Bank registou uma quebra de 8,1% nas suas receitas, caindo para 45,3 mil milhões de dólares (cerca de 38,7 mil milhões de euros) e o Industrial Bank Co caiu 7,3% para os 54,3 mil milhões de dólares (46,4 mil milhões de euros). Estas são entidades de crédito de nível médio, mas com uma grande exposição ao setor imobiliário comercial. Vários são os promotores que, estando em dificuldades, negociaram reestruturações dos seus empréstimos, reduzindo desta forma as comissões e receitas dos bancos. O analista, citado acima, diz ainda que o mesmo se passa com o China CITIC Bank, que perdeu 6% de receita, caindo para os 50,2 mil milhões de dólares (cerca de 43 mil milhões de euros).
Bancos japoneses com crescimento acentuado de receitas
No entanto, e enquanto os bancos chineses estão em contração, os grandes bancos japoneses estão a registar a sua melhor performance dos últimos 20 anos. O Mitsubishi UFJ Financial Group é disso um bom exemplo: registou um aumento de 8,4%, atingindo os 88,6 mil milhões de dólares (75,7 mil milhões de euros), sendo este o seu maior crescimento absoluto em receitas. A explicação reside, para Murthy Grandhi, no abandono, por parte do Banco do Japão, da política de taxas negativas que vigorou mais de uma década. O fim desta estratégia, em 2024, permitiu que os bancos japoneses começassem a obter mais rendimentos sobre os depósitos e carteiras de empréstimos domésticos.
Cada aumento de 25 pontos base na taxa acrescenta milhões à receita líquida destas instituições, como é o caso do Sumitomo Mitsui Financial Group, que aumentou 3,1% nas suas receitas, alcançando os 66,7 mil milhões de dólares (cerca de 57 mil milhões de euros). No entanto, o banco Mizuho, registou uma ligeira descida de 2,2% para 59,5 mil milhões de dólares (cerca de 51 mil milhões de euros), situação que o analista explica pelo facto de esta instituição ter uma proporção mais elevada de negócios dependentes de comissões, incluindo a banca de investimento, onde o fluxo de negócios no Japão foi irregular em 2025.
“Enquanto os bancos chineses dão prioridade à estabilidade económica, as instituições de crédito indianas e japonesas estão a posicionar-se para captar capital, sendo que o sucesso futuro favorecerá as instituições que conseguirem navegar num ambiente politicamente fragmentado e de crescimento mais lento”, diz o analista Murthy Grandhi.
Também alguns bancos indianos estão a atravessar uma fase otimista. O State Bank of India, por exemplo, registou um crescimento de receitas 10,1%, superando a maioria dos seus concorrentes. A instituição está a aproveitar a forte procura de crédito, a expansão do crédito a retalho e a melhoria da qualidade dos ativos para reforçar a sua quota. A GlobalData refere ainda que o crédito ao consumo, o financiamento de infraestruturas e o crescimento dos pagamentos digitais continuam a ser fatores impulsionadores fundamentais para o crescimento deste mercado.
«A GlobalData antecipa que as perspetivas para o setor bancário da APAC serão cada vez mais moldadas pela geopolítica, pelas mudanças na cadeia de abastecimento e pelas exigências regulatórias ao nível da resiliência. Enquanto os bancos chineses dão prioridade à estabilidade económica, as instituições de crédito indianas e japonesas estão a posicionar-se para captar capital, sendo que o sucesso futuro favorecerá as instituições que conseguirem navegar num ambiente politicamente fragmentado e de crescimento mais lento”, remata o analista Murthy Grandhi.





