Os atletas mais bem pagos dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, que agora começaram, vão reunir cerca de 2.900 atletas, de mais de 90 países, em 116 provas. Para a maioria desses competidores, mesmo para alguns que poderão vir a conquistar medalhas, o desporto escolhido não paga as contas. Pelo contrário, entre custos elevados com viagens e treinos, o…
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A presença de jogadores da NHL (National Hockey League) vai colocar o hóquei no gelo entre as modalidades com maiores rendimentos em Milão-Cortina, mas o atleta que mais dinheiro ganhou no último ano vem das pistas de esqui, com uma estimativa de 23 milhões de dólares (19,5 milhões de euros). Conheça os atletas mais ricos que participam nos Jogos Olímpicos de Inverno.
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Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, que agora começaram, vão reunir cerca de 2.900 atletas, de mais de 90 países, em 116 provas. Para a maioria desses competidores, mesmo para alguns que poderão vir a conquistar medalhas, o desporto escolhido não paga as contas. Pelo contrário, entre custos elevados com viagens e treinos, o sonho olímpico pode até representar um prejuízo líquido.

Mas, na edição de 2026,  existe um grupo restrito de atletas que consegue suportar sem dificuldade o “preço do ouro”.

Desde logo porque, apesar de os Jogos de Inverno não contarem com as estrelas da NBA, do golfe ou do ténis que dominam os salários e patrocínios dos Jogos de Verão, o torneio masculino de hóquei no gelo vai incluir 146 jogadores da NHL (National Hockey League, competição composta por equipas de hóquei no gelo dos Estados Unidos e do Canadá). A liga, que não permitia a participação dos seus atletas nos Jogos desde 2014, tem um salário mínimo de 775.000 dólares nesta temporada (656.288 euros). E nove dos dez nomes do ranking da Forbes dos jogadores mais bem pagos da NHL, que inclui patrocínios e outros rendimentos de negócio, deverão competir nas próximas duas semanas.

A única exceção é o guarda-redes Igor Shesterkin, dos New York Rangers, cuja Rússia natal está impedida de participar devido à guerra na Ucrânia.

No topo da lista de jogadores de hóquei está Auston Matthews, avançado da equipa dos EUA, a quem os Toronto Maple Leafs pagam mais de 15 milhões de dólares esta época (12,7 milhões de euros), além de uma estimativa de 5 milhões de dólares fora do gelo (4,2 milhões de euros). Ainda assim, esse total de 20 milhões de dólares (16,9 milhões de euros) não chega para fazer dele o olímpico mais bem pago de 2026.

Esse lugar pertence a Eileen Gu, esquiadora de freestyle nascida nos Estados Unidos e que representa a China, país de origem da mãe, em competições internacionais. A Forbes estima que a atleta de 22 anos, considerada uma estrela de marketing, terá somado 23 milhões de dólares fora das pistas nos últimos 12 meses (19,5 milhões de euros), além de cerca de 100.000 dólares em prémios (cerca de 85 mil euros).

Gu e outros olímpicos podem ainda reforçar os rendimentos com um bom desempenho em Milão-Cortina. Os contratos de patrocínio em modalidades olímpicas incluem, por vezes, bónus por medalhas, e uma vitória pode atrair novos patrocinadores no rescaldo dos Jogos.

Além disso, alguns países pagam prémios aos atletas por medalhas. O Comité Olímpico e Paralímpico dos EUA, por exemplo, prometeu 37.500 dólares por cada ouro (31.756 euros), 22.500 dólares por cada prata (19.054 euros) e 15.000 dólares por cada bronze (12.702 euros). Para atletas da Itália, país anfitrião, os valores variam entre cerca de 71.000 dólares (60.124 euros) e 213.000 dólares (180.373 euros). E há duas delegações dispostas a pagar quase 800.000 dólares por um campeão (677.458 euros).

Os atletas norte-americanos, no entanto, podem lucrar apenas por estarem presentes. Depois de Ross Stevens, fundador e CEO da gestora de ativos Stone Ridge, ter doado 100 milhões de dólares ao Comité Olímpico e Paralímpico dos EUA no ano passado (84,7 milhões de euros), cada atleta olímpico e paralímpico dos EUA irá receber, eventualmente, 200.000 dólares (169.365 euros), independentemente do resultado.

A Forbes reuniu, assim, os atletas mais bem pagos de cinco modalidades de destaque em competição em Milão-Cortina.

Ezra Shaw/Getty Images

Freestyle Skiing: Eileen Gu, $23 milhões

Na categoria de esqui freestyle, Eileen Gu lidera com 23 milhões de dólares (19,5 milhões de euros). Quatro anos depois de se ter tornado a mais jovem campeã olímpica de sempre no freestyle e a primeira atleta da modalidade a conquistar três medalhas numa única edição, Gu prepara-se para defender os seus ouros em big air e halfpipe, ao mesmo tempo que tenta melhorar a prata em slopestyle. Apesar de uma queda, venceu a prova de slopestyle da Taça do Mundo a 17 de janeiro, num sinal de força antes da competição nos Alpes italianos, que começa com as qualificações no sábado.

Os 55.000 dólares que recebeu em dezembro por vencer uma prova de halfpipe na recém-criada Snow League (46.575 euros) representam um salto face aos cerca de 20.000 dólares que costuma ganhar no circuito da Taça do Mundo (16.936 euros). Ainda assim, a maior fatia do seu rendimento vem de patrocínios, incluindo marcas chinesas como Anta, Bosideng, Mengniu Dairy e Luckin Coffee. Gu, que integrou a equipa de Taça do Mundo dos EUA em 2018 e 2019, defendeu recentemente a decisão de competir pela China, dizendo à Time: “Os EUA já têm representação. Gosto de construir o meu próprio lago.”

Julian Avram/Icon Sportswire/Getty Images

Hockey: Auston Matthews, $20 milhões

No hóquei no gelo, Auston Matthews surge com 20 milhões de dólares (16,9 milhões de euros). A última vez que jogadores da NHL competiram nos Jogos, em 2014, Matthews ainda estava a dois anos de ser a primeira escolha do draft. Agora, o avançado de 28 anos dos Toronto Maple Leafs vai tentar ajudar os EUA a vingar a derrota no prolongamento frente ao Canadá na final do torneio 4 Nations Face-Off do ano passado, onde foi capitão, depois de uma eliminação dececionante nos quartos de final em 2022. Matthews é o único jogador a ter ultrapassado os 20 milhões de dólares numa época nos 15 anos de história do ranking da Forbes, algo que já tinha conseguido no ano passado. Para além do contrato de quatro anos no valor de 53 milhões de dólares (44,9 milhões de euros), estima-se que ganhe 5 milhões de dólares por ano fora do gelo (4,2 milhões de euros). O patrocínio mais recente é com a Mito Red Light, juntando-se a marcas como Nike, Prime e Uber Eats.

A seleção dos EUA tem também a atleta mais bem paga do torneio feminino: Hilary Knight. A avançada de 36 anos, que normalmente joga pelos Seattle Torrent na Professional Women’s Hockey League, aproxima-se de 1 milhão de dólares em rendimentos este ano (846.823 euros), sustentada por um conjunto de nove parcerias, incluindo Chipotle, Hershey’s e Red Bull.

MARCO TROVATI/AP

Alpine Skiing: Lindsey Vonn, $8 milhões

No esqui alpino, Lindsey Vonn, 41 anos, lidera com 8 milhões de dólares (6,8 milhões de euros). Vonn rompeu um ligamento no joelho numa queda na semana passada, mas tem sido clara ao afirmar que irá encontrar forma de competir nestes Jogos, os seus quintos numa carreira olímpica que começou em 2002 e já inclui três medalhas pelos EUA. Falhou 2014 devido a uma lesão no joelho e esteve ausente em 2022, após uma pausa de cinco anos no esqui competitivo. Vonn regressou à Taça do Mundo na época passada com a ajuda de uma prótese parcial no joelho, no joelho oposto ao da lesão mais recente, e tornou-se, em dezembro, a campeã de downhill mais velha de sempre do circuito, vencendo novamente em janeiro.

Trabalhando com mais de uma dúzia de marcas, incluindo Delta Air Lines, Land Rover e Rolex, Vonn supera por pouco a compatriota Mikaela Shiffrin. A Forbes estima que a atleta de 30 anos, campeã de slalom e com três medalhas em três presenças olímpicas anteriores, mais do que duplicou os rendimentos desde 2022, para cerca de 7 milhões de dólares por ano (5,9 milhões de euros).

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Snowboarding: Chloe Kim, $4 milhões

No snowboard, Chloe Kim aparece com 4 milhões de dólares (3,4 milhões de euros). Uma lesão no ombro durante um treino em janeiro deixou em dúvida a sua participação, com uma ressonância magnética a revelar uma rotura do labrum, mas a atleta de 25 anos explicou num vídeo no Instagram que poderia ter sido pior: “Não tive nem perto da quantidade de repetições que gostaria, mas está tudo bem.” Kim, que voltou a apaixonar-se pelo snowboard desde que venceu o ouro em halfpipe nas duas últimas edições olímpicas, trabalha com marcas como Breitling, Monster Energy e Nike. Em Milão-Cortina, terá como rivais nomes como a sul-coreana Gaon Choi e a japonesa Sena Tomita, mas o principal desafio no “ranking financeiro” do snowboard vem do australiano Scotty James, de 31 anos, duas vezes medalhado olímpico, com um rendimento estimado de 3 milhões de dólares (2,5 milhões de euros). James e Kim, tal como Eileen Gu, vão também colaborar como “atletas fundadores” da X Games League, que afirma que o trio ajudará a aconselhar formatos de competição e a experiência dos atletas.

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Figure Skating: Ilia Malinin, $700,000

Na patinagem artística, Ilia Malinin surge com 700.000 dólares (592.776 euros). Há quatro anos, a patinagem masculina era dominada por Nathan Chen, o primeiro atleta a executar seis saltos quádruplos num programa. Agora, o desporto tem um novo fenómeno: Ilia Malinin, de 21 anos, apelidado de “Quad God”. Filho de patinadores que representaram o Uzbequistão nos Jogos de 1998 e 2002, Malinin é o primeiro atleta a completar sete quádruplos num programa e o único a ter executado um quadruple axel. Ainda não atingiu o pico de rendimentos de Chen, que ultrapassou 1 milhão de dólares antes de 2022 (846.823 euros), e está muito longe de valores como os de Kim Yuna, medalhada sul-coreana que em 2014 foi a quarta atleta mais bem paga do mundo, com 16,3 milhões de dólares (13,8 milhões de euros). Ainda assim, Malinin tem reforçado o portefólio de patrocínios desde que conquistou o ouro nos Mundiais de 2024, com parceiros como Coca-Cola, Samsung e Honda, e chega a Milão com potencial para dar um salto significativo na sua projeção mediática.

Metodologia

As estimativas da Forbes incluem rendimentos “em campo” (salários, bónus e prémios) e “fora de campo” (patrocínios, licenciamento, presenças e memorabilia), além de retornos financeiros de negócios em que o atleta tenha um interesse significativo. No esqui freestyle, esqui alpino, snowboard e patinagem artística, os valores referem-se aos últimos 12 meses. No hóquei, dizem respeito ao ano competitivo 2025-26 da NHL.

Rendimentos de investimento, como juros ou dividendos, não são contabilizados, embora a Forbes inclua pagamentos provenientes da venda de participações em equity. Valores acima de 1 milhão de dólares foram arredondados ao milhão mais próximo, e valores abaixo de 1 milhão ao múltiplo de 100.000 mais próximo. Todos os montantes são apresentados em dólares e convertidos à taxa de câmbio indicada quando necessário. A Forbes não deduz impostos nem comissões de agentes.

Com reportagem adicional de Matt Craig.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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