O Super Bowl de Bad Bunny

"O meu nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, e se estou aqui hoje no Super Bowl 60, é porque nunca, jamais deixei de acreditar em mim mesmo. Tu também deves acreditar em ti. Vales mais do que pensas. Acredita em mim". Benito, ou Bad Bunny como é conhecido pelos fãs, foi o artista escolhido para…
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Bad Bunny subiu ao relvado do Super Bowl no meio de diversas críticas do lado republicano dos EUA. A resposta foi clara: A única coisa mais forte que o ódio é o amor.
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“O meu nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, e se estou aqui hoje no Super Bowl 60, é porque nunca, jamais deixei de acreditar em mim mesmo. Tu também deves acreditar em ti. Vales mais do que pensas. Acredita em mim”.

Benito, ou Bad Bunny como é conhecido pelos fãs, foi o artista escolhido para o Halftime Show da 60.ª edição do Super Bowl. O que o artista apresentou foi um espetáculo nunca antes visto no maior palco do futebol americano: uma homenagem a Porto Rico, com uma enorme dose de orgulho pela história de toda a América latina.

Veja aqui alguns dos momentos mais impactantes e carregados de simbolismo da atuação que está a dar que falar nos quatro cantos do mundo.

Foto: Kevin Sabitus/Getty Images

Durante o intervalo do jogo em que os Seattle Seahawks se sagraram campeões, o relvado do Levi’s Stadium, na cidade de Santa Clara, na Califórnia, transformou-se na ilha de Porto Rico. O concerto começa com uma homenagem ao legado das pessoas que trabalham na agricultura por toda a ilha, em particular as fazendas de açúcar e fruta. Desde esse primeiro momento do espetáculo até ao final, são vários os cenários desenhados para transportar os fãs até à ilha: entre edifícios coloridos, pequenas mercearias, “la casita”, restaurantes de tacos, bancas de coco, entre outros.

Foto: Ishika Samant/Getty Images

A determinado momento, Benito sobe a um poste de eletricidade, o que simboliza as falhas de energia que a ilha sofre regularmente devido a uma rede elétrica obsoleta.

Foto: Kevin C. Cox/Getty Images

O seu icónico discurso nos Grammy também marcou presença. No meio do cenário está uma criança com o pai e a mãe a ver o discurso na televisão. Bad Bunny surge e entrega o seu Grammy à criança, que pode ser interpretada como o próprio artista. Ou a esperança para as novas gerações.

Outra criança aparece a dormir numa cadeira durante um casamento – que aconteceu mesmo durante o concerto -, representando algo que é uma experiência comum entre a comunidade latina. Durante as festas, as crianças acabam por adormecer numa cama improvisada com cadeiras. O casamento é mais uma referência sobre o amor, um tema presente do início ao fim.

Foto: Kevin C. Cox/Getty Images

Foram vários os convidados que marcaram presença no relvado do Levi’s Stadium. Lady Gaga cantou uma versão de “Die With a Smile” com os ritmos da salsa, que terminou com uma dança com Bad Bunny. Ricky Martin foi o segundo convidado a atuar e fê-lo no icónico cenário da capa do álbum “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”.  A famosa “casita” que marca presença nos concertos do artista estava cheia de artistas latinos, como Karol G, Pedro Pascal, Jessica Alba ou Cardi B.

Foto: Christopher Polk/Billboard via Getty Images

Toñita também marcou presença. Falamos da dona do Caribbean Social Club, famoso em Williamsburg e mencionado na letra de “NUEVAYoL” de Bad Bunny.

O encerramento do espetáculo é a imagem que está a correr o mundo – sendo que, no momento da publicação deste artigo, o vídeo da atuação de Benito conta já com mais de 7 milhões de visualizações em apenas cinco horas no Youtube. O artista começa por dizer “God bless America” e segue com a lista de todos os países na América do norte, centro e sul. A mensagem é clara: Quando se fala sobre a América, não se fala apenas sobre os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo surgiram bandeiras de todos estes países e uma mensagem no ecrã do estádio: A única coisa mais forte que o ódio é o amor.

Foto: Kevin Sabitus/Getty Images

A frase serve como resposta a tudo o que aconteceu antes deste concerto, mas também depois. Se o concerto por si só já teria um forte impacto, por todo o simbolismo associado, tornou-se ainda mais impactante depois das reações à notícia de que seria Bad Bunny o responsável pelo intervalo do Super Bowl. Principalmente do lado de Donald Trump e da sua administração, com várias pessoas a defender que Benito “não é americano”. O presidente dos Estados Unidos já fez, inclusive, uma publicação onde descreveu o concerto como “absolutamente terrível, um dos piores de sempre” e uma “afronta à grandeza da América”. Recorde-se que Bad Bunny é um dos artistas que defende publicamente o fim das políticas anti-imigração impostas por Trump.

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