Manuel Pinheiro é o novo Presidente da Direção da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, após ser eleito por unanimidade para o mandato 2026-2028.
Manuel Pinheiro passa a estar à frente de uma Região que regista um total de 5 mil hectares de vinha plantada, distribuída por 2.200 produtores de uva e cerca de 200 agentes económicos, e de uma produção anual de mais de 30 milhões de litros, dos quais 79% são exportados para cerca de 80 mercados.
Com a particularidade de Manuel Pinheiro ser formado em Direito pela Universidade Católica e Pós-Graduado em Administração Pública pelo Collége d’Europe em Brugges, Bélgica, com especialização em lobby, fomos perceber quais são os planos do novo responsável da CVR Dão para o seu mandato.
Quais são as três prioridades estratégicas que define para o seu mandato à frente da CVR Dão até 2028?
O Dão produz excelentes vinhos, não só com diversidade e personalidade próprias, mas ainda com qualidade notável. A primeira prioridade é fazer chegar ao consumidor esta realidade, comunicar melhor e posicionar o Dão no seu lugar correto que é o de ser uma região de valor que apresenta grandes vinhos. A segunda é o enoturismo, não como complemento ao vinho, mas como uma atividade que tem, ela própria, um percurso que é essencial para o nosso setor. Os produtores do Dão já disponibilizam visitas, hotéis e restaurantes. Vamos ter um plano anual de eventos para gerar tráfego e comunicação. O terceiro é a viticultura, que está em crise na região, uma crise de abandono sem mudança geracional, causada pois a sua rentabilidade é diminuta. Valorizando os vinhos e o enoturismo, poderemos então puxar pela viticultura.
De que forma pretende reforçar a valorização económica dos vinhos do Dão nos mercados internacionais, tendo em conta que quase 80% da produção é exportada?
O Dão precisa de crescer, crescerá, certamente, em volume, mas a nossa prioridade é o valor. As margens do negócio são baixíssimas e isto não incentiva o investimento, nomeadamente de jovens produtores. Nos mercados externos, faremos sobretudo melhor comunicação, reforçaremos o investimento que será concentrado em mercados estratégicos e tratemos a Portugal jornalistas e importadores para que conheçam a realidade da região.

Que papel deverá desempenhar o enoturismo na criação de valor e na atração de investimento para a Região nos próximos anos?
O Enoturismo é uma “spin-off” do vinho. Parte do vinho, mas tem competências próprias e um racional diferente. Por exemplo, uma família em que os adultos bebem vinho, mas as crianças naturalmente não, também são bem-vindos numa visita a uma quinta, visita que inclui caminhar pela vinha, conhecer a biodiversidade e até atividades para as crianças. No Dão, o enoturismo terá um plano de promoção próprio, liderado pela CVR no Solar do Dão em Viseu, mas a articular com as entidades com competência no turismo e que será muito focado em duas áreas: formar os produtores para a qualificação da oferta e gerar tráfego, seja pela organização de eventos, seja pela comunicação.
Como pode a CVR Dão apoiar os produtores e agentes económicos na adaptação a desafios como a sustentabilidade, a inovação e a escassez de mão de obra?
Três questões importantes. As duas primeiras estão já salvaguardadas com a articulação do Dão com CoLAB da vinha e do vinho, entidade que agrupa produtores e centros de investigação. O CoLAB Dão tem os seus gabinetes precisamente no Solar do Dão e, portanto, o que será preciso é um trabalho mais próximo que já estamos a preparar, nomeadamente nas áreas da formação aos produtores. O terceiro, a escassez de mão de obra é um desafio tremendo, que nos ultrapassa e que afeta todos os sectores que, como nós geram atividade económica no interior.





