O panorama global dos pagamentos encontra-se à beira de uma transformação crucial. Com a chegada de 2026, vamos assistir não apenas a uma evolução, mas a uma revolução, moldada pela convergência de tecnologias disruptivas como a Inteligência Artificial (IA), a blockchain e a computação quântica. As tendências para o próximo ano, recentemente delineadas Visa, apontam para um cenário dinâmico onde estas inovações irão redefinir a forma como as transações são realizadas. Portugal, como parte integrante deste ecossistema global, não será exceção a estas profundas mudanças, que prometem impactar a vida de consumidores e empresas.
Uma das mudanças mais fascinantes será a ascensão do que se designa por Agentic Commerce (compras feitas por agentes de IA em nome do consumidor, de forma automática e personalizada). Em 2026, a IA passará a ser uma “companheira” de compras diária, com o botão “Comprar por Mim” a tornar-se tão comum como o “Adicionar ao Carrinho” é hoje. Os consumidores irão confiar na IA para encontrar, comparar e adquirir produtos e serviços em seu nome. Neste novo paradigma, a garantia de que estas transações são seguras, tokenizadas e suportadas por identidades verificadas será fundamental. A inovação de hoje é o business as usual de amanhã, e o agentic commerce é um excelente exemplo desta progressão.
No entanto, a IA que impulsiona a conveniência pode ser explorada ilicitamente. Preveem-se fraudes mais sofisticadas ligadas a roubos de identidade, com a IA a permitir a criação de deepfakes (vídeos ou áudios falsos criados com IA que imitam pessoas reais de forma convincente) e golpes hiper-realistas para roubar perfis. 2026 será o ano em que a indústria – bancos, comerciantes, fintechs e governos – terá de unir forças. As entidades de pagamento com um papel central irão desenvolver capacidades partilhadas e tecnologias para combater a fraude em escala. Lutar contra a fraude de identidade não é mais uma opção, mas uma condição para a confiança no comércio digital.
A conveniência está a transformar a experiência de compra online. O tempo de digitar manualmente os 16 dígitos do cartão para cada compra, conhecido como “guest checkout”, será uma “relíquia” do passado. Carteiras digitais e botões de compra integrados irão dominar o e-commerce, tornando as transações instantâneas, sem atrito e com menor risco de fraude. Em Portugal, a adoção destas soluções continua a crescer, à medida que os consumidores procuram experiências mais rápidas e fluidas. Infraestrutura segura e tokenização são essenciais para viabilizar estas compras sem fricção e reduzir a fraude.
E o dinheiro físico? O seu “fim” tem sido uma previsão algo exagerada, mas 2026 marcará o primeiro ano em que mais de metade dos pagamentos globais será eletrónica. Tecnologias como o “tap-to-pay” e carteiras móveis conquistam os últimos bastiões do numerário, incluindo pequenas compras diárias.
No universo das moedas digitais, as stablecoins ganham destaque, deixam de ser um nicho para integrar o comércio global. Com maior clareza regulatória e potencial em transações internacionais, 2026 será o ano em que estas moedas atingem uma adoção em larga escala, e oferecem estabilidade e confiança. A Visa, por exemplo, suporta mais de 130 programas de cartões ligados a stablecoins em mais de 40 países, integrando estes ativos no dia a dia.
As empresas líderes em pagamentos estão bem preparadas para esta transformação. Infraestrutura sólida, tecnologias avançadas e uma rede global de ligações digitais permitem criar soluções seguras e escaláveis. E a presença da Visa em mais de 200 mercados oferece uma visão única para identificar tendências e levar inovações a diferentes países, incluindo Portugal.
2026 será um ano decisivo para os pagamentos, rumo a um futuro digital, seguro e interligado, impulsionado pela inovação. Falando de Portugal, as empresas terão um papel central, colaborando e adaptando-se continuamente para garantir experiências de pagamento rápidas, seguras e inovadoras. O futuro dos pagamentos não é apenas algo a observar, está a ser construído ativamente, e permite que todos participem plenamente na economia digital.
Rita Mendes Coelho,
Country Manager da Visa em Portugal





