Sandra Soares fundou a Brain Power há 12 anos, numa altura em que cada vez mais gente trabalhava de forma independente, com rendimentos variáveis e carreiras fora do modelo tradicional. O problema, lembra a fundadora e CEO, é que as estruturas do mercado não acompanharam a mudança. “As estruturas existentes continuavam pensadas quase exclusivamente para quem tinha um percurso profissional convencional”, conta.
Foi para colmatar essa falha que criou um modelo de outsourcing capaz de dar aos profissionais independentes maior estabilidade contratual, sem lhes tirar a liberdade que os levou a essa escolha. “Costumo dizer que procuramos fazer um fato à medida, porque cada pessoa tem uma realidade diferente”, explica.
Os primeiros anos não foram fáceis. Um conceito novo gera desconfiança e foi preciso tempo para conquistar a confiança do mercado, sobretudo quando está em causa a vida profissional das pessoas. Doze anos e várias decisões difíceis depois, o resultado é visível e materializa-se nos mais de 15 mil consultores acompanhados pela empresa.
Nascida com forte ligação ao setor imobiliário, a Brain Power cresceu para setores tão diferentes como a tecnologia, a saúde, a moda, a música ou o desporto, sinal de que o trabalho independente já não é uma questão de nicho. “O trabalho independente deixou de ser uma realidade de determinados setores para fazer parte de uma transformação muito mais profunda do mercado de trabalho”, explica a fundadora que acredita que “há cada vez mais pessoas que querem autonomia e flexibilidade, mas isso não significa que estejam dispostas a abdicar de estabilidade e de direitos”.
Esse crescimento traduziu-se numa faturação superior a 70 milhões de euros no último ano, um salto que trouxe também novos desafios de estrutura e de equipa. Manter a capacidade de adaptar o modelo à realidade de cada profis-sional, mesmo a crescer, foi uma das decisões mais importantes. “Crescer não é apenas aumentar números. É conseguir criar uma organização capaz de acompanhar esse crescimento sem perder aquilo que nos trouxe até aqui: proximidade, confiança e capacidade de encontrar soluções à medida”, refere. Para o futuro, Sandra Soares espera um mercado ainda mais flexível e fragmentado, com carreiras divididas por vários projetos e empresas.
E não vê nisso um problema. “Vejo como uma evolução”, diz, reconhecendo o risco associado. O grande desafio é garantir que a flexibilidade não passa a significar precariedade. “Podemos criar novas formas de trabalhar, mas temos também de criar novas formas de dar segurança às pessoas”. E este é, na perspetiva da fundadora, o papel e o valor acrescentado da Brain Power. Reforçar a aposta na formação para que os trabalhadores sintam a responsabilidade que vem com a atividade é também essencial porque “não há futuro do trabalho sem direitos, confiança e estabilidade. Podemos mudar como trabalhamos, mas não podemos esquecer as pessoas que estão por detrás desse trabalho”, conclui.
Este conteúdo foi produzido em parceria com a Brain Power.





