O empresário António Mota, antigo presidente da Mota-Engil, morreu hoje, 30 de novembro. O eterno líder de uma das maiores construtoras nacionais teve a seu cargo a presidência da Mota-Engil entre 1995 e 2023. António Manuel Queirós Vasconcelos da Mota, ao longo deste percurso, conseguiu transformar uma empresa familiar numa multinacional com presença em mais de 20 países abrangendo á Europa, África e América Latina.
Numa nota no site oficial da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa apresenta as condolências à família de António Mota e amigos. O Presidente da República realça que o empresário “marcou o mundo empresarial e a sociedade portuguesa em geral. Deu continuidade à obra de seu pai Manuel António da Mota e projetou-a em todos os continentes, criando um dos mais poderosos, conhecidos e influentes grupos da nossa economia”.
Marcelo Rebelo de Sousa destaca ainda que António Mota juntou “a liderança à empatia, a humanidade ao dinamismo, a simplicidade à eficácia. Sem ele as últimas décadas da nossa economia teriam sido diferentes. Finalmente soube preparar a tempo a sua sucessão. Assim, as jovens gerações saibam corresponder à visão do seu antepassado”.
O empresário nasceu em 1954, em Amarante, sendo filho de Manuel António da Mota e Maria Amália Guedes Queiroz de Vasconcelos. Nascido no seio de empresa familiar, desde cedo o destino estava traçado: que desse continuidade à empresa criada pelo pai em 1946. Depois de concluída a licenciatura em engenharia civil na Universidade do Porto, em 1977, iniciou a vida profissional na empresa da área da construção civil e obras públicas, primeiro como estagiário. Ocupou vários cargos operacionais, assumiu a direção-geral da Mota & Companhia, em 1981, e tornou-se vice-presidente executivo entre 1987 e 1995, ano em que sucedeu ao pai na presidência. Foi através da sua visão estratégica que liderou a fusão com a Engil, através de uma OPA sobre o capital da construtora, tendo assumido, no virar do século, a presidência da Mota-Engil SGPS.
Constituiu, em 2010, a Fundação Manuel António da Mota, para honrar o legado do pai, falecido em 1995, aos 82 anos. “O meu pai era um engenheiro de altíssimo gabarito, sem nenhum estudo”, recordava então com orgulho.
Em 2023 passou a liderança do grupo à dupla constituída pelo sobrinho, Carlos Mota Santos, e pelo seu filho Manuel Mota. E há cerca de dois meses, decidiu transferir para os quatro filhos 28% do capital da Mota Gestão e Participações.
O empresário foi distinguido como a personalidade da lusofonia na última edição da conferência ‘Doing Business Angola’, organizada pela Forbes África Lusófona e pelo Jornal Económico.





