A responsabilidade social continua a ser uma das marcas distintivas da Maxivisão. A empresa portuguesa especializada em saúde visual regressou recentemente de Timor-Leste, onde realizou a sua oitava missão solidária internacional, uma iniciativa que permitiu entregar 81 pares de óculos graduados a pacientes carenciados, maioritariamente crianças e jovens.
A ação decorreu em parceria com o Hospital Nacional Guido Valadares e com a Embaixada de Portugal em Díli, que coordenou a cerimónia de entrega. Presente no evento, o embaixador português destacou o alcance da iniciativa, sublinhando que “a cooperação não se esgota nos Estados” e que empresas como a Maxivisão demonstram que “as empresas portuguesas levam a sério a sua responsabilidade social”.

O projeto é liderado por Vítor Martins e Ana Carvalho, responsáveis da Maxivisão, que há oito anos decidiram transformar a sua atividade profissional numa missão humanitária, levando cuidados de saúde visual a comunidades onde o acesso a consultas e a óculos graduados é praticamente inexistente. Desde o arranque da iniciativa, a equipa já realizou missões em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Perú, Macedónia do Norte, Quénia, Guiné-Bissau, Angola e, agora, Timor-Leste. Cinco destes países pertencem à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Ao longo destas oito missões foram realizadas mais de 2.000 consultas oftalmológicas e entregues mais de 500 óculos graduados, sempre destinados a casos de elevada necessidade visual.
“Em todas as missões apenas entregamos óculos para graduações superiores a três dioptrias, procurando responder aos casos com maior impacto na qualidade de vida das pessoas”, explica Vítor Martins à Forbes Portugal. A missão em Timor-Leste ficou igualmente marcada por um caso particularmente raro. “Foi aqui que entregámos a graduação mais elevada de todas as nossas missões: mais de 25 dioptrias a uma menina de apenas dois anos”, revela o responsável.

Grande parte dos beneficiários desta edição eram crianças e jovens provenientes de zonas muito remotas da ilha: “Cerca de vinte dos óculos entregues destinaram-se a crianças e jovens de localidades completamente isoladas, como Viqueque e Macadique, onde o acesso a cuidados especializados é muito reduzido”, acrescenta Vítor Martins.

Outro dos momentos mais simbólicos da missão aconteceu em Liquiçá, a cerca de 70 quilómetros de Díli, onde a equipa entregou óculos graduados a uma família albina: “Entregámos óculos a uma pequena família albina. Em Timor-Leste existem cerca de doze pessoas albinas identificadas e foi muito gratificante poder ajudar algumas delas”, refere.
A componente ambiental e de economia circular também faz parte do projeto. Dos 81 pares distribuídos nesta missão, 27 resultaram da recuperação de armações usadas: “Conseguimos reutilizar 27 armações usadas e seminovas, doadas por clientes e por pessoas de todo o país. Colocámos novas lentes e demos-lhes uma segunda vida, permitindo ajudar quem mais precisa”, explica o CEO da Maxivisão.

A empresa agradece igualmente o contributo dos voluntários envolvidos na iniciativa, bem como da Embaixada de Portugal em Díli e do grupo Óticas João Maria, das Caldas da Rainha, que disponibilizou óculos de sol para distribuição local.
Segundo a Maxivisão, esta missão representou vários marcos na história do projeto solidário: foi a que reuniu o maior número de voluntários, a que permitiu entregar a graduação mais elevada e a que assinalou a presença da iniciativa em quatro continentes.

A dimensão social do projeto já tinha sido reconhecida em Portugal, com Vítor Martins e Ana Carvalho entre os nomeados da primeira edição dos Forbes Green ESG Awards, distinção que destacou organizações e líderes com impacto nas áreas ambiental, social e de governação.
O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, destacou o alcance da iniciativa da Maxivisão, sublinhando que a empresa representa um exemplo de como a responsabilidade social pode ultrapassar fronteiras e complementar a cooperação institucional entre os dois países: “A Maxivisão está a realizar em Timor-Leste a sua oitava missão solidária. É uma empresa portuguesa que já percorreu boa parte do mundo, procurando levar soluções a quem mais precisa na área da oftalmologia. Não são propriamente novatos nesta matéria”, afirmou, lembrando que o projeto já passou pela Europa, África, América Latina e Ásia.
“O impacto destas intervenções é enorme e acompanha-as para o resto da vida”, salienta o embaixador de Portugal em Díli.
Para o diplomata, o impacto da missão vai muito além dos 81 beneficiários diretos. “Estamos a falar de uma iniciativa que vai fazer a diferença na vida de cerca de 80 pessoas, mas essas pessoas fazem parte de famílias. O efeito multiplica-se e acaba por melhorar a vida de dezenas de agregados familiares”, afirmou.
Duarte Bué Alves salientou ainda que uma parte significativa dos beneficiários eram crianças com dificuldades visuais que condicionavam o seu desenvolvimento. “Quando falamos de crianças pequenas, estamos a falar da capacidade de aprender na escola, de brincar, de praticar desporto ou, simplesmente, de ganhar autonomia no dia a dia. O impacto destas intervenções é enorme e acompanha-as para o resto da vida.”
O embaixador aproveitou igualmente a ocasião para enquadrar a iniciativa no contexto mais amplo da cooperação portuguesa em Timor-Leste, mas fez questão de sublinhar que esta missão tinha uma característica diferenciadora. “Hoje estamos perante uma ação de cooperação que não é promovida pelo Estado. É uma empresa portuguesa que atravessou cerca de 14 mil quilómetros para ajudar pessoas que nunca conheceu. Isso merece ser reconhecido.”
“É uma empresa portuguesa que atravessou cerca de 14 mil quilómetros para ajudar pessoas que nunca conheceu. Isso merece ser reconhecido”, refere o embaixador Duarte Bué Alves.
Na sua intervenção, considerou que a Maxivisão constitui um exemplo concreto daquilo que hoje se exige às empresas em matéria de responsabilidade social e de critérios ESG. “Uma empresa existe para criar riqueza, investir, gerar emprego e obter lucro. Mas não pode esgotar a sua missão no resultado financeiro. Tem também uma responsabilidade perante a comunidade e perante a sociedade onde atua.”
O diplomata foi mais longe, considerando que a distância geográfica não limita essa responsabilidade. “Díli pode não fazer parte da comunidade que rodeia a empresa do ponto de vista geográfico, mas faz parte de uma comunidade emocional, histórica e cultural que une Portugal e Timor-Leste há mais de cinco séculos.”
Numa referência explícita aos princípios ESG, Duarte Bué Alves afirmou que “a gestão para o lucro é naturalmente importante, mas não se esgota aí. As empresas devem olhar para quem está à sua volta, melhorar as condições das comunidades e integrar a responsabilidade social na sua forma de atuar”. E concluiu deixando um elogio à empresa portuguesa: “O exemplo da Maxivisão merece ser destacado. É a primeira vez, desde que estou em Timor-Leste, que participo numa cerimónia pública com uma empresa portuguesa que veio expressamente de Portugal para realizar uma ação solidária. Isso diz muito sobre o compromisso desta empresa.”





