Marieta Jimenéz, vice-presidente executiva e diretora de mercados core da Merck — a empresa líder na área da fertilidade – acredita numa liderança transparente nos bons e nos maus momentos. Apaixonada pelo seu trabalho, compromete-se com as pessoas, com a promoção da igualdade de género e com a possibilidade de dar voz às gerações mais novas. Nesta entrevista, revela-nos aquilo em que mais acredita, tanto a nível pessoal como profissional, e garante: a parentalidade pode melhorar as capacidades de pais e mães.
Como resume o seu percurso na Merck?
Sou uma pessoa naturalmente curiosa, o que sempre me levou a aprender e a adaptar-me continuamente – acredito que essas podem ser qualidades úteis no ambiente empresarial em rápida mudança de hoje. Se tivesse de resumir, diria: passei de querer ter todas as respostas para aprender a fazer as perguntas certas.
A resiliência também me tem sido crucial: não desistir, provar o meu valor e levantar a mão quando surge uma oportunidade. Mudar-me para a Suécia em 2015 para me tornar Diretora-Geral local foi um momento decisivo na minha carreira. Claro que tinha dúvidas. Questionei se conseguiria ter sucesso num novo país com costumes empresariais e culturais diferentes. E embora alguns momentos tenham sido realmente desafiantes, aprendi – e, talvez ainda mais importante, desaprendi – tanto durante os meus anos na Suécia que moldou quem sou hoje, como líder e como pessoa.
Também acredito numa liderança autêntica – ser transparente sobre sucessos e sobre desafios. Isto constrói confiança com as equipas e cria um ambiente onde todos se sentem capacitados para contribuir.
Como conseguiu equilibrar uma carreira profissional altamente exigente com a sua vida pessoal e familiar?
Equilíbrio talvez não seja a palavra certa – prefiro pensar em integração. Há momentos em que o trabalho exige mais atenção e outros em que a família ou amigos têm prioridade. A chave é estar presente e totalmente envolvido onde quer que esteja. O meu conselho é que seja intencional nas suas escolhas e esteja atento às necessidades das pessoas à sua volta – o que naturalmente inclui as pessoas da sua equipa.
Mães e pais desenvolvem frequentemente competências incrivelmente valiosas na liderança
Quais são os maiores desafios de, numa organização global como a Merck, liderar a equipa regional da Europa que inclui mais de 30 mercados?
O nosso propósito enquanto empresa é muito claro: ajudar a criar, melhorar e prolongar vidas, como um só para os doentes. Assim, um dos desafios é garantir que todos os europeus tenham acesso a cuidados de saúde inovadores – tanto hoje como para as gerações futuras. Isto significa que precisamos de continuar a investir na presença da indústria biofarmacêutica na Europa, precisamos de reduzir a burocracia e manter a nossa competitividade global.

Que projetos contribuem para chegar mais perto de cada um?
Na Merck, acreditamos que as perspetivas diversas são essenciais para o nosso progresso – seja diversidade de género, idade, origem cultural ou outros aspetos. Isto significa que precisamos de criar um ambiente onde todos os nossos colaboradores possam prosperar – seja através de modelos de trabalho flexíveis, que ajudem, igualmente, os colegas que têm crianças pequenas e os que cuidam de familiares, seja através de programas de mentoria e coaching para os líderes do futuro. A propósito, sabia que a Merck já tinha a sua primeira ‘CEO’ feminina em 1805, quando Adelheid Merck assumiu a liderança da farmácia Merck?
No entanto, acredito que precisamos de alargar a nossa perspetiva e olhar para além da nossa própria empresa. É por isso que me orgulho especialmente do ‘ClosinGap‘, que lançámos em 2018. Esta associação reúne agora 14 grandes empresas de diferentes setores em Espanha para quantificar o custo económico da desigualdade de género e desenvolver soluções para a reduzir.
O seu papel enquanto promotora de igualdade de género é notável. A nível global, as mulheres continuam sub-representadas nas ciências e na engenharia. No entanto, em áreas como a saúde, farmácia e ciências biomédicas, a sua presença é predominante. A seu ver, o que explica esta diferença?
De acordo com uma análise de 2025 da Women in STEM Network[1], as mulheres representam menos de metade da força de trabalho nos setores de ciência e tecnologia na União Europeia, mas representam mais de metade dos diplomados em áreas relacionadas com a saúde. Segundo alguns estudos, esta diferença pode dever-se ao alinhamento das ciências biomédicas com papéis de apoio, ao maior incentivo das mulheres a prosseguir estudos em saúde e à natureza mais inclusiva destas áreas. Além disso, a visibilidade de modelos femininos e a flexibilidade das carreiras em áreas relacionadas com a saúde podem ser aspetos que ajudam a atrair ainda mais mulheres.
Reconhecemos que as gerações mais jovens herdarão as consequências das decisões que são tomadas hoje
Tem defendido ativamente as gerações jovens com o programa FutURe. Porque é que isto é tão importante para si?
O programa FutURe representa algo em que acredito profundamente: ouvir e envolver os jovens oferece perspetivas muito atuais e essenciais para, juntamente com eles, enfrentarmos os desafios de hoje e construirmos um amanhã melhor.
Lançámos o FutURe porque reconhecemos que as gerações mais jovens herdarão as consequências das decisões que são tomadas hoje. É por isso que precisam de ter um lugar à mesa. E isto não é apenas uma suposição nossa – como parte do projeto, realizamos inquéritos entre jovens europeus e gerámos dados para demonstrar este ponto. No nosso inquérito de 2025, apenas 44% dos jovens a quem perguntámos disseram sentir-se adequadamente representados, enquanto 83% afirmaram querer ter mais voz nas decisões que afetam o seu futuro. Com o projeto FutURe, o nosso objetivo é elevar as vozes dos jovens, por exemplo, colocando-os em contacto direto com decisores políticos a nível europeu e nacional para discutir propostas específicas durante as nossas mesas-redondas.

Um dos temas relevantes para as gerações jovens está relacionado com a parentalidade. Acredita que isto está relacionado com o mercado de trabalho atual?
As gerações jovens têm razão em questionar as abordagens tradicionais à parentalidade e às carreiras. Enfrentam realidades económicas, expectativas no local de trabalho e estruturas sociais diferentes das gerações anteriores.
Durante o meu tempo na indústria, vi muito progresso, tanto na Merck como através de programas como o ClosinGap em Espanha. No entanto, ainda há muito por fazer.
Se olhar para o quadro geral por um momento, as taxas de natalidade na Europa têm vindo a diminuir. Há muitos aspetos que influenciam este desenvolvimento, mas deixe-me focar na fertilidade por um momento: com mais pessoas a tornarem-se pais numa idade mais avançada, a educação adequada, a consciencialização e o apoio em torno da fertilidade são essenciais. Na Merck, contribuímos para o nascimento de mais de seis milhões de bebés em todo o mundo, com o nosso portefólio de fertilidade. E estamos particularmente orgulhosos de ter apoiado centenas dos nossos próprios colaboradores através do nosso Benefício de Fertilidade. Este programa a nível da empresa, cobre o custo, muitas vezes significativo, dos tratamentos de fertilidade para colegas na sua jornada de concretização do sonho de serem pais.
Na Merck, contribuímos para o nascimento de mais de seis milhões de bebés em todo o mundo, com o nosso portefólio de fertilidade
Que conselho daria a um jovem que teme não ser possível conciliar a sua progressão de carreira com a parentalidade?
Primeiro, não estás sozinho! Outros executivos de sucesso também tiveram de enfrentar o desafio de navegar esta jornada. Não existe uma fórmula perfeita, nem uma solução “tamanho único”, mas há abordagens que podem ajudar.
Por exemplo, encorajo-te a construir uma rede de apoio forte – tanto profissional como pessoalmente. Identifica mentores que tenham gerido, com sucesso, desafios semelhantes e aprende com as tuas experiências. Não tenhas medo de comunicar claramente as tuas necessidades.
Por fim, lembra-te que mães e pais desenvolvem frequentemente competências incrivelmente valiosas na liderança, como empatia, eficiência, priorização e gestão de crises. Em vez de ver a parentalidade como um obstáculo à tua carreira, reconhece como pode melhorar as tuas capacidades.
[1] https://womeninstemnetwork.com/women-stem-statistics-2025/
Este conteúdo foi produzido em parceria com a Merck.





