Marcolino compra edifício junto ao Majestic por 16 milhões e entrega requalificação a Siza Vieira no ano do centenário

A Marcolino, uma das principais referências em Portugal da relojoaria de luxo e que tem sede na cidade do Porto, comemora este ano um século de atividade. Para assinalar a data, estão em curso diversas iniciativas que cruzam investimento imobiliário, intervenção urbana, cultura e experiência de marca. O projeto-bandeira é a aquisição (já assegurada) e…
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A Marcolino, liderada por Paulo Neves, adquiriu por 16 milhões de euros um edifício contíguo ao café Majestic, no Porto, que será requalificado com assinatura do multipremiado arquiteto Siza Vieira. O projeto é a principal iniciativa das comemorações dos 100 anos da histórica casa de relojoaria e joalharia.
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A Marcolino, uma das principais referências em Portugal da relojoaria de luxo e que tem sede na cidade do Porto, comemora este ano um século de atividade. Para assinalar a data, estão em curso diversas iniciativas que cruzam investimento imobiliário, intervenção urbana, cultura e experiência de marca.

O projeto-bandeira é a aquisição (já assegurada) e a requalificação do edifício contíguo ao icónico café Majestic, situado mesmo em frente às instalações da Marcolino, no acesso pela Rua Passos Manuel. Numa informação avançada por Paulo Neves, CEO da empresa, o investimento global ascende a 16 milhões de euros, dos quais cerca de 3 milhões de euros destinaram-se à compra do imóvel. O restante (cerca de 13 milhões de euros) será utilizado na requalificação integral, com preservação das fachadas originais.

Um dado curioso é que a intervenção prevê não apenas a recuperação do edifício agora adquirido, mas também a reabilitação da fachada do próprio Majestic (que é Imóvel de Interesse Público), na Rua de Santa Catarina, com o objetivo de conferir coerência arquitetónica e maior nobreza ao conjunto edificado naquele que é um dos quarteirões mais históricos da cidade.

Em cima, à esquerda: edifício atual da Marcolino, no cruzamento entre a Rua de Santa Catarina e a Rua Passos Manuel. À direita: edifício novo adquirido pela Marcolino na Rua Passos Manuel e que será requalificado

Assim, ao emblemático edifício da atual flagship store da Marcolino (no cruzamento da Rua de Santa Catarina com a Rua Passos Manuel, de fachada art nouveau, colunas neoclássicas originário da década de 1920 e adquirido pela marca em 2011) juntar-se-á um renovado edifício histórico com a assinatura do multipremiado arquiteto Siza Vieira, também ele uma figura maior da cidade do Porto.

O projeto, já aprovado pela Câmara Municipal do Porto, contempla quatro pisos. No piso térreo funcionará uma nova loja da Marcolino dedicada ao atendimento aos seus clientes e venda de relógios de luxo, enquanto os três pisos superiores serão destinados a habitação, com apartamentos. A zona ao ar livre que compõe o jardim de inverno nas traseiras do Majestic será mantida.

Relógio público

A par deste investimento, a Marcolino tem em curso outras duas iniciativas que gostaria de concretizar ou, pelo menos, iniciar neste ano do seu centenário. Uma delas passa pela instalação de um relógio público num local emblemático da cidade do Porto. A proposta apresentada pela empresa aponta para a Avenida dos Aliados e já foi formalmente submetida ao vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto.

Intervenção artística

A segunda iniciativa consiste numa intervenção artística na Rua Passos Manuel. A intenção é estimular criadores através da abertura de um concurso dirigido a jovens artistas. A ideia passa por utilizar o “espaço aéreo” entre os dois edifícios da Marcolino, o atualmente ocupado pela marca e o agora adquirido, criando uma instalação que contribua para a dinamização cultural daquele eixo urbano.

A empresa, que é famosa pelas suas iluminações de natal, justifica este projeto com o envolvimento que tem com a cidade e com a importância que dá à arte e à cultura, entendendo que, a par da intensa atividade comercial existente na Santa Catarina/Passos Manuel, é vital que este eixo ganhe uma nova dinâmica cultural.

Contacto com a relojoaria de luxo

No plano da experiência de marca, a Marcolino está também a desenvolver um projeto de visitas ao seu atelier, onde os seus mestres relojoeiros realizam reparações de relógios de luxo. O programa assenta na criação de experiências para visitantes, que poderão observar os profissionais em trabalho e também participar em workshops práticos, utilizando a instrumentação própria da relojoaria.

O modelo destas experiências imersivas, com horários e número de vagas ainda a definir, deverá ser integrado em roteiros turísticos possivelmente ainda este ano. O programa está a ser delineado em parceria com uma agência especializada em atividades de luxo.

Livro do centenário

Para setembro está igualmente prevista a publicação de um livro dedicado à história dos 100 anos da Marcolino, resultado de uma investigação encomendada a dois historiadores da cidade do Porto que, segundo a empresa, tem permitido descobrir novos factos até agora desconhecidos.

Atualmente, a Marcolino representa marcas de alta relojoaria como Rolex, Aquaverdi, Blancpain, Messika, Montblanc, Omega, Hermès, TAG Heuer, IWC, Tudor e Longines, além de várias outras marcas de “gama tendência” em relojoaria.

A insígnia, que também comercializa joias, está na posse da família de Paulo Neves desde 1986, sendo hoje liderada pelo próprio enquanto CEO, tendo como seu braço direito o seu filho Miguel Neves, que será o seu sucessor no cargo: “O centenário da Marcolino não é apenas uma celebração do passado. É, acima de tudo, um compromisso com o futuro, com a cidade, com as pessoas e com os valores que nos trouxeram até aqui”, diz Miguel Neves, COO da empresa.

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