Maison Bonnet: “Portugal possui uma das culturas vínicas mais desenvolvidas da Europa”

Porque é que a marca decidiu apostar em Portugal neste momento? Portugal é um mercado que tem vindo a demonstrar uma maturidade crescente na apreciação de vinhos e champanhes de origem. Sentimos que hoje existe uma procura cada vez maior por marcas com identidade, história e ligação ao território. A Maison Bonnet vê em Portugal…
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O evento de apresentação da Maison Bonnet em Portugal decorre este sábado, mas antes a Forbes falou com José Henrique Moura, o representante da marca no território nacional.
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Porque é que a marca decidiu apostar em Portugal neste momento?
Portugal é um mercado que tem vindo a demonstrar uma maturidade crescente na apreciação de vinhos e champanhes de origem. Sentimos que hoje existe uma procura cada vez maior por marcas com identidade, história e ligação ao território. A Maison Bonnet vê em Portugal um público capaz de compreender aquilo que a distingue: a expressão única da Côte des Bar e uma abordagem centrada no terroir.

O que torna o mercado português atrativo?
Portugal possui uma das culturas vínicas mais desenvolvidas da Europa. O consumidor português valoriza autenticidade, qualidade e gastronomia, o que cria um enquadramento muito favorável para champanhes com forte identidade. Além disso, o dinamismo da restauração e da hotelaria de excelência torna o mercado particularmente interessante para uma casa como a que estamos a representar.

Como avalia o conhecimento do consumidor português sobre champanhe?
O nível de conhecimento tem evoluído significativamente. Hoje, muitos consumidores já não procuram apenas uma grande marca, procuram compreender a origem do vinho, a sua história e o terroir de onde provém. Isso beneficia regiões como a Côte des Bar, cuja singularidade começa a ser cada vez mais reconhecida internacionalmente.

José Henrique Moura é o representante da Maison Bonnet em Portugal.

Que posicionamento pretende ter em Portugal?
Queremos estar associados sobretudo à excelência gastronómica e às experiências de qualidade. O champanhe faz parte da celebração, mas também da mesa. Acreditamos que os nossos vinhos encontram um contexto natural na alta gastronomia, na hotelaria premium e junto de consumidores que apreciam vinhos de carácter.

Quais são os principais desafios que antecipa na entrada no mercado português?
O principal desafio é dar a conhecer uma região e uma identidade que nem sempre são tão familiares quanto algumas das grandes maisons históricas. No entanto, vemos isso também como uma oportunidade para apresentar uma visão diferente de champagne, mais próxima do terroir e da viticultura.

Como pretende diferenciar-se de outras marcas já bem estabelecidas no país?
A nossa diferenciação assenta na autenticidade. Somos profundamente ligados à Côte des Bar, uma região que oferece uma expressão muito particular do Pinot Noir e que tem vindo a conquistar reconhecimento entre os apreciadores mais exigentes. Não procuramos ser uma marca de volume, procuramos ser uma referência para quem valoriza origem e personalidade.

Que metas traçou para os primeiros anos em Portugal?
Mais do que números imediatos, queremos construir uma presença sólida e credível. O objetivo é desenvolver relações duradouras com profissionais da restauração, sommeliers, distribuidores e consumidores, contribuindo para um maior conhecimento dos champanhes da Maison.

Portugal poderá servir como plataforma para outros mercados lusófonos?
Portugal tem uma relevância estratégica evidente pela sua ligação histórica, cultural e linguística aos mercados lusófonos. Vemos o país como uma porta de entrada natural e uma importante montra para reforçar a notoriedade da marca nesses mercados. No entanto, a nossa ambição não passa por abordar o espaço lusófono de forma homogénea. Caso, no futuro, identifiquemos oportunidades alinhadas com a visão da marca, a expansão será sempre seletiva e coerente com o posicionamento premium do champanhe, privilegiando mercados e segmentos onde a marca se enquadra naturalmente em contextos de celebração, luxo, hotelaria e experiências de excelência. Neste momento, encaramos essa possibilidade de forma estratégica e criteriosa.

Como equilibra crescimento comercial e preservação da identidade da marca?
A identidade da Maison Bonnet é inegociável. O crescimento deve ser consequência da qualidade e não o contrário. Mantemos um compromisso firme com a origem das uvas, o respeito pelo terroir e a expressão dos nossos vinhos, garantindo que a expansão da marca nunca compromete os seus valores fundamentais.

⁠Como descreve o consumidor de champanhe hoje em dia?
É um consumidor mais informado e mais curioso. Está interessado em compreender quem produz, onde produz e de que forma produz. Existe uma valorização crescente da autenticidade, da sustentabilidade e da identidade dos vinhos.

Qual é a história e a identidade que quer transmitir através da Maison Bonnet?
A Maison Bonnet é, acima de tudo, a expressão de uma história profundamente ligada à Côte des Bar. Queremos transmitir a riqueza deste território, a importância do Pinot Noir na região e o trabalho desenvolvido ao longo de gerações. Cada garrafa deve refletir essa ligação entre património, terroir e visão de futuro.

Como equilibra tradição e inovação na produção?
A tradição dá-nos raízes e a inovação permite-nos evoluir. Preservamos o conhecimento acumulado ao longo de gerações, mas procuramos continuamente novas formas de compreender os solos, melhorar práticas vitícolas e reforçar a sustentabilidade. A inovação deve servir o terroir e não substituí-lo.

Em que fase está o mercado global de champanhe?
O mercado encontra-se numa fase de evolução muito interessante. Existe uma procura crescente por champanhes de identidade forte, provenientes de terroirs específicos e produzidos com uma abordagem mais transparente. Os consumidores continuam a procurar excelência, mas querem também autenticidade e ligação à origem. É precisamente nesse contexto que regiões como a Côte des Bar ganham relevância.

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