As promotoras imobiliárias Krest Real Estate e a Glowing Merit têm no terreno o desenvolvimento do projeto Haya Towers, que vai nascer em Vila Nova de Gaia, que prometem ser as torres residenciais mais altas de Portugal. O empreendimento é apresentado ao longo desta tarde de quinta-feira no SIL – Salão Imobiliário de Portugal, sendo que, as torres estarão localizadas na rotunda Eng. Edgar Cardoso, numa zona estratégica de Vila Nova de Gaia, junto à nova estação da Linha Rubi do metro.
As Haya Towers, cujo nome junta a palavra em inglês “high” e Gaia, contempla duas torres que terão 31 e 30 pisos, com 107 metros. Ao todo o projeto estende-se por mais de 36 mil metros quadrados e prevê mais de 300 apartamentos.
Em entrevista à Forbes Portugal, o CEO da promotora belga Krest, Claude Kandiyoti, detalha que o projeto está destinado para o segmento médio-alto, a quem se pretende oferecer um nível elevado de qualidade ao nível da arquitetura, das áreas, dos acabamentos e dos serviços. O CEO da Krest revela que o investimento no empreendimento ascende a 150 milhões de euros e acredita que o projeto tem um efeito catalisador, que contribui para a evolução de Gaia como uma cidade moderna, competitiva. O calendário definido aponta para o arranque da obra no início de 2027 e a conclusão do empreendimento está prevista para 2030.
Claude Kandiyoti sublinha que as Haya Towers não são um projeto isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla da Krest para o mercado português, centrada no desenvolvimento de ativos residenciais em localizações urbanas estratégicas.

As Haya Towers serão as torres residenciais mais altas de Portugal. O que representa este projeto para a Krest e para o panorama imobiliário nacional? O projeto destina-se a um segmento mais premium e de luxo?
Relativamente ao posicionamento, é importante clarificar que não se trata de um produto de luxo no sentido mais exclusivo do termo, mas sim de um projeto claramente orientado para o segmento médio-alto. Ou seja, procura oferecer um nível elevado de qualidade – ao nível da arquitetura, das áreas, dos acabamentos e dos serviços –, mas mantendo uma proposta de valor equilibrada e acessível a um público mais alargado. A diversidade de tipologias é precisamente um dos pontos-chave: permite responder a diferentes perfis, desde jovens profissionais a famílias, e reforça a ideia de um projeto inclusivo dentro do seu segmento. Mais do que exclusividade, o foco está na qualidade de vida, na funcionalidade e numa experiência residencial contemporânea. A grande oferta de amenities – com cerca de três mil metros quadrados de área – reforça esse posicionamento.
Estamos a falar de um investimento de grande escala, com mais de 36 mil metros quadrados e mais de 300 apartamentos. Pode detalhar o montante do investimento e os principais pilares financeiros do projeto?
Estamos perante um investimento de grande escala, aproximadamente 150 milhões de euros, que reflete a confiança da Glowing Merit e da Krest no mercado residencial português e no potencial de projetos bem localizados e com oferta qualificada. Do ponto de vista financeiro, os principais pilares passam por uma gestão rigorosa de custos, uma estratégia comercial ajustada ao segmento médio-alto – que assegura absorção consistente – e uma diversificação de tipologias que mitiga risco e alarga o público-alvo. A isto soma-se uma visão de longo prazo, focada não apenas na rentabilidade, mas também na criação de valor sustentável para o ativo e para a envolvente urbana.
De que forma as Haya Towers se inserem na estratégia de desenvolvimento urbano de Vila Nova de Gaia e que impacto espera que tenham na frente ribeirinha e na cidade como um todo?
As Haya Towers enquadram-se numa lógica de crescimento e qualificação da frente ribeirinha de Vila Nova de Gaia, que tem vindo a transformar esta zona num polo cada vez mais atrativo para viver, trabalhar e usufruir da cidade. Pela sua escala e linguagem contemporânea, o projeto contribui para consolidar uma nova centralidade, mais densa e dinâmica, alinhada com as exigências atuais de sustentabilidade e eficiência urbana. Trata-se, assim, de um projeto com efeito catalisador, que contribui para a evolução de Gaia como uma cidade moderna, competitiva e cada vez mais completa.
Que preocupações arquitetónicas e urbanísticas estiveram no centro do desenho das torres, tendo em conta a sua altura e visibilidade no território?
Do ponto de vista arquitetónico, para minimizar o impacto da altura, procurou-se desencontrar as varandas para dinamizar o conjunto e quebrar a leitura de bloco. A utilização do betão e do metal, assim como a criação de vazios estratégicos oferecem maior riqueza e promovem um sentido de leveza. As formas arredondadas conferem organicidade e delicadeza ao conjunto. Do ponto de vista urbanístico, o desenho orgânico ao nível térreo fomenta a conectividade e o fluxo das pessoas, promovendo um sentido de comunidade.
Que impacto económico e social antecipa para a região Norte e para o país, em termos de emprego, atração de investimento e dinamização urbana?
As Haya Towers terão um impacto relevante tanto na fase de construção como na fase de operação, com a criação de emprego direto e indireto em áreas como construção civil, gestão de projeto e posteriormente serviços associados à gestão do ativo. Para além disso, um projeto desta dimensão mobiliza uma cadeia de fornecedores extensa, contribuindo para a economia regional e nacional. Do ponto de vista mais estrutural, o projeto reforça a atratividade da região Norte e de Vila Nova de Gaia como destino de investimento imobiliário qualificado, ajudando a dinamizar a frente urbana e a atrair novos perfis de residentes e investimento internacional. O impacto social traduz-se sobretudo na qualificação da oferta habitacional e na criação de um tecido urbano mais dinâmico, contribuindo para uma cidade mais ativa, equilibrada e competitiva.
Os projetos desta escala levantam frequentemente questões sobre integração urbana e acessibilidade. Como respondem a esse debate?
A Glowing Merit e a Krest encaram a integração urbana e a acessibilidade como princípios estruturantes do projeto desde a sua fase inicial. As Haya Towers estão localizadas na rotunda Eng. Edgar Cardoso, numa zona estratégica de Vila Nova de Gaia, mesmo junto a uma nova estação da Linha Rubi do metro, o que garante uma ligação direta e eficiente ao sistema de transportes públicos e reforça claramente a aposta na mobilidade sustentável. Para além disso, o projeto inclui soluções complementares como estacionamento interior para bicicletas, promovendo também os modos suaves de deslocação. Esta combinação permite reduzir a dependência do automóvel e reforça a integração do empreendimento na dinâmica urbana existente, respondendo de forma concreta às exigências atuais de sustentabilidade e qualidade de vida na cidade.
Qual o perfil do público-alvo das Haya Towers? Trata se sobretudo de procura nacional, internacional, ou de um equilíbrio entre ambos?
O público-alvo das Haya Towers é naturalmente diversificado dentro do segmento médio-alto, refletindo a própria estratégia do projeto em termos de tipologias e localização. Existe uma base sólida de procura nacional, nomeadamente de famílias e profissionais que valorizam qualidade de construção, acessibilidade urbana e proximidade a serviços e transportes, especialmente num contexto tão central como a rotunda Eng. Edgar Cardoso em Vila Nova de Gaia. Ao mesmo tempo, espera-se uma componente relevante de procura internacional, sobretudo de expatriados e investidores que procuram soluções residenciais bem localizadas, com boa ligação ao Porto e ao aeroporto, e alinhadas com padrões de habitação contemporâneos. O resultado é um equilíbrio entre mercado nacional e internacional, com foco num estilo de vida urbano, funcional e bem conectado
Quais são os principais marcos do calendário de desenvolvimento e quando está prevista a conclusão das Haya Towers?
A entrega da Comunicação Prévia está prevista para o segundo semestre de 2026, marcando um passo importante no processo de licenciamento e consolidação do projeto. Relativamente à construção, o objetivo é iniciar a obra no início de 2027 e a conclusão do empreendimento está prevista para 2030, refletindo a escala e complexidade de um projeto desta dimensão. Este calendário permite uma execução cuidada, assegurando qualidade em todas as etapas, desde o desenvolvimento até à entrega final ao mercado.
As Haya Towers são um projeto isolado ou fazem parte de uma estratégia mais ampla da Krest para o mercado português? Que outros projetos estão em carteira?
As Haya Towers não são um projeto isolado, mas sim parte de uma estratégia mais ampla da Krest para o mercado português, focada no desenvolvimento de ativos residenciais de elevada qualidade em localizações urbanas estratégicas. A parceria com a Glowing Merit reforça também a nossa abordagem de colaboração com parceiros experientes, permitindo estruturar projetos de maior escala e complexidade. A estratégia passa precisamente por continuar a identificar oportunidades em zonas urbanas em transformação, com forte potencial de valorização e impacto positivo na cidade.
Que áreas de atuação pretende a Krest desenvolver em Portugal: residencial, uso misto, hotelaria, escritórios?
As Haya Towers são um exemplo claro da ambição de criar projetos de grande escala, qualidade e impacto urbano. Este é o eixo principal, alinhado com a procura crescente por habitação bem localizada e com elevado padrão de qualidade. Paralelamente, a Krest mantém uma abordagem aberta a projetos de uso misto e outras tipologias, sempre que façam sentido do ponto de vista urbano e de criação de valor, podendo incluir componentes complementares como serviços, comércio ou hotelaria. O foco não é a dispersão por segmentos, mas sim a seleção criteriosa de oportunidades que contribuam para o desenvolvimento sustentável das cidades e para a construção de ativos sólidos e duradouros.
Como avalia o potencial do país no médio e longo prazo no que se refere ao setor do imobiliário?
O mercado imobiliário em Portugal tem um potencial muito relevante, suportado por um crescimento económico estável, forte procura habitacional e um défice persistente de oferta em localizações urbanas de qualidade. Este desequilíbrio entre procura e oferta tende a sustentar a valorização dos ativos, sobretudo em segmentos bem localizados e com qualidade construtiva e urbana elevada. Ao mesmo tempo, o mercado está a evoluir para uma maior maturidade e seletividade, com investidores e utilizadores finais a privilegiarem projetos com qualidade, eficiência energética, boa integração urbana e acessibilidade. Isto cria oportunidades claras para promotores com visão de longo prazo e capacidade de execução, especialmente em cidades como Lisboa e Porto, onde a regeneração urbana e novas infraestruturas continuam a ser motores de transformação e valorização.





