Para uma conversa sobre a economia azul em cima de uma prancha, a Forbes Portugal convidou Joana Schenker, atleta de bodyboard e ativista ambiental, e Miguel Blanco, surfista e ativista ambiental, para conversarem sobre temas como o surf como porta de entrada para a consciência ambiental, economia azul e os problemas que sentem na pele ao marcarem presença diariamente na praia.
“O surf, para mim, tornou-se mais do que um desporto, é um estilo de vida”, começou por dizer Miguel. O facto de ter viajado para marcar presença em campeonatos, deu-lhe também a oportunidade de conhecer muitas outras realidades. “Foi isso que me fez ver alguns problemas que existem lá fora e compara-los com a nossa realidade”.
A partir daí, teve a oportunidade de se envolver em vários projetos ligados ao ambiente e conhecer pessoas com o mesmo interesse. Essas relações, considerou, foram a escola que o levou a perceber como “fazer algo pelo ambiente dentro da nossa realidade”.

Algo que, segundo Joana, faz parte da responsabilidade de um atleta. “O mar dá-nos muito mais do que nós lhe damos. Quem vive esta realidade todos os dias tem uma responsabilidade em falar sobre ela e meter as mãos na massa. Vai muito além de apanhar o lixo da praia. Das coisas mais importantes que o mar me ensinou é que nós estamos todos conectados, na natureza não há coisas que se façam no singular, é um conjunto de coisas que tem de funcionar em sintonia”, disse a atleta.
Tanto Miguel quanto Joana estavam em posição de apresentar uma grande lista de problemas ligados a este tema com os quais se cruzam. O surfista optou por destacar o tema da qualidade da água. “É algo que tomamos como garantido, mas muitas vezes não sabemos qual é o estado daquela água. Existem consequências gigantes, bactérias que podemos apanhar”, afirmou.
Um dos principais exemplos que Miguel deu foi o da praia de Matosinhos, no Porto, uma situação que considera “muito grave”. “A condição da água muitas vezes não é comunicada aos banhistas ou pescadores. Claro que é uma consequência de muitos anos, o rio Douro vai parar ali à costa, são problemas que não são fáceis de resolver, mas é preciso atenção e vontade de tentar melhorar algumas situações”, defendeu.
“Quando olhamos para todos os problemas ficamos um bocadinho desanimados, pensamos o que poderemos fazer com tantas coisas, mas acredito que se formos pensar do mais pequeno para o maior é: limpar a nossa praia, trabalhar na nossa comunidade e partir daí”, afirmou Joana.
No fundo, é uma questão de cada pessoa fazer uma pequena parte para que no conjunto se possa ter um grande impacto.

“Eu vejo isso em Sagres, que é um parque natural, praias supostamente quase selvagens, virgens, que estão cheias de plástico. Limpam as praias e passado pouco tempo já estão na mesma. E falamos de microplástico, que não dá para limpar, muita coisa da pesca também. Pensamos assim: como é que vamos resolver isto? Se limparmos a praia amanhã já está igual. Mas não, aquele lixo que tirámos já não vai lá parar, já o tirámos. Estas ações acabam por criar o hábito nas pessoas.
Joana Schenker esteve envolvida num projeto que a levou às escolas para falar com alunos – no total cerca de 15 mil – e contou que muitos deles nem tinham a noção desta realidade. Daí a importância de falar sobre esta situação.
“Proteger a praia não começa na praia, começa no supermercado, em casa, nas nossas escolhas”, concluiu a atleta.





