Investimento em imobiliário comercial cresce 14% até junho

Resiliência tem sido a imagem de marca do setor do imobiliário português nos últimos anos e os primeiros meses de 2026 não são exceção. O relatório ‘WMarket Mid-year 2026’, publicado pela WORX Real Estate Consultants, conclui que o investimento comercial ultrapassou os 1.410 milhões de euros no primeiro semestre, num mercado “mais seletivo e com…
ebenhack/AP
O relatório ‘WMarket Mid-year 2026’, da autoria da WORX Real Estate Consultants, fez as contas ao primeiro semestre do setor imobiliário e concluiu que o investimento comercial ultrapassa 1,4 mil milhões de euros.
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Resiliência tem sido a imagem de marca do setor do imobiliário português nos últimos anos e os primeiros meses de 2026 não são exceção. O relatório ‘WMarket Mid-year 2026’, publicado pela WORX Real Estate Consultants, conclui que o investimento comercial ultrapassou os 1.410 milhões de euros no primeiro semestre, num mercado “mais seletivo e com diferentes ritmos de evolução entre segmentos”.

O CEO da WORX Real Estate Consultants, Pedro Rutkowski, “face à sua dimensão, o mercado imobiliário português continua a revelar resiliência, em que a diferenciação entre ativos será cada vez mais determinante, com muito potencial de crescimento em diversos setores”. Pedro Rutkowski salienta que “o investimento em infraestruturas, como o TGV, irá proporcionar uma aceleração no desenvolvimento das zonas mais deslocadas que ficam assim mais próximas das grandes cidades, repercutindo um dinamismo que se alargará ao setor imobiliário. Se a isso juntarmos o potencial da construção modular para acelerar esse processo, deveremos assistir à maior transformação do panorama do imobiliário em Portugal em décadas”.

A WORX detalha que o investimento em imobiliário comercial cresceu até junho 14%, num período em que operações de relevo no retalho e na hotelaria contribuíram para manter a atratividade do mercado português. O relatório da consultora imobiliária destaca, entre as principais transações, a compra do Gaia Shopping & Arrábida Shopping pela Sonae Sierra por um valor de 180 milhões de euros, seguida da venda de 72% do Corinthia Lisboa à Orion Capital Managers por um valor a rondar os 150 milhões de euros.

O segmento dos escritórios sofreu o impacto do aumento das rendas, da volatilidade e o risco dos mercados face às tensões no Leste e Médio Oriente que adiaram a tomada das decisões de fecho dos negócios. O que resultou no arrefecimento no mercado de escritórios de Lisboa traduzindo-se no decréscimo de 20% na atividade ocupacional no primeiro semestre de 2026, com 66.900 metros quadrados colocados.

O retalho destacou-se como tendo “uma das dinâmicas mais resilientes do mercado. As vendas cresceram 3% em termos homólogos, enquanto as vendas online avançaram 6% no primeiro semestre”, refere o relatório. As rendas prime ultrapassaram já os níveis pré-pandemia, atingindo 145 euros por metro quadrado por mês no comércio de rua em Lisboa, 115 euros por metro quadrado por mês nos centros comerciais e 13,5 euros por metros quadrado mensais nos retail parks. De acordo com a Worx, o capital continua “a regressar a ativos tradicionais, como os centros comerciais e o comércio de rua, mas também a formatos alternativos capazes de combinar experiência, conveniência e omnicanalidade, reforçando a importância de espaços que se adaptem às novas preferências de consumidores e investidores”.

O setor industrial e logística absorveu mais de 199.200 metros quadrados até junho de 2026, 1% abaixo do período homólogo, “mantendo uma evolução estável apesar de um contexto internacional marcado pela reconfiguração do comércio mundial, pelo aumento dos custos das matérias-primas e da energia e pela disrupção das cadeias de abastecimento”.

No mesmo estudo pode ler-se que a hotelaria continua a beneficiar da resiliência da procura turística. E salienta que, apesar do ambiente internacional, “a hotelaria deverá permanecer uma das classes de ativos mais atrativas em Portugal em 2026, suportada pela resiliência da procura turística e pela consolidação de uma oferta mais qualificada”.

Nos mercados residenciais das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, a procura “continua a superar a oferta. Em Lisboa, foram vendidos 3.890 apartamentos no primeiro semestre, a um valor médio de 5.850 €/m², mais 16% do que no período homólogo. No Porto, foram transacionados 2.310 apartamentos, a um valor médio de 4.180 €/m², mais 13%”.

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