O Mundial 2026 começa em menos de 100 dias, num cenário de incerteza geopolítica que tem vindo a causar dores de cabeça aos líderes do turismo, uma vez que o impulso à economia dos EUA poderá ser mais moderado do que o inicialmente prometido pela FIFA e pelo governo de Trump.
Uma lista crescente de desafios, incluindo a guerra com o Irão, uma queda no número de visitantes internacionais, a retenção de fundos de segurança para as cidades-sede do Mundial e projeções pouco animadoras para o setor de hospitalidade, está a aumentar a incerteza de que o torneio de futebol trará o impulso económico esperado em 2026.
O momento da guerra no Irão é “definitivamente desafiante” para o turismo, disse Alan Fyall, professor da Faculdade de Gestão Hoteleira Rosen da Universidade da Flórida Central, à Forbes norte-americana, salientando que “a incerteza não é boa” e que o turismo prospera com “estabilidade e segurança”.
Esta semana, a ex-secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, disse aos legisladores que a “capacidade do governo [norte-americano] de proporcionar um Mundial seguro e bem-sucedido está a ser prejudicada” pela paralisação parcial do governo, mesmo que a agência ainda não tenha distribuído 538 milhões de euros em fundos de segurança aprovados pelo Congresso para as 11 cidades-sede.
A procura por alojamento nos EUA durante os meses do torneio, junho e julho, deverá impulsionar um aumento dececionante de 1,7% na receita por quarto disponível em relação ao ano anterior em todo o país. Falamos de cerca de um quarto do aumento geral recebido na última vez que os EUA sediaram o torneio, em 1994, de acordo com um relatório recente da empresa de análise hoteleira CoStar and Tourism Economics.
O relatório projetou que os 11 mercados anfitriões do Mundial nos EUA poderiam ter um aumento de 13% na receita por quarto disponível neste verão, mas o impacto geral para os EUA será “insignificante devido à fraqueza subjacente esperada em outros lugares”, de acordo com Isaac Collazo, diretor sénior de análise da empresa.
No início de fevereiro, as reservas aéreas para as cidades-sede em junho caíram 5% na Europa em comparação com o ano passado, 3,6% na Ásia e permaneceram praticamente estáveis (alta de 0,2%) na América do Sul, de acordo com dados da Cirium.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Rita Meireles.





