A primeira semana da operação militar ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irão terá custado mais de 6 mil milhões de dólares (5,15 mil milhões de euros) aos contribuintes norte-americanos, segundo fontes do Pentágono citadas pelo The New York Times. Outras estimativas colocam os custos ainda mais elevados, e o valor total do conflito poderá aproximar-se dos 100 mil milhões de dólares (85,85 mil milhões de euros), dependendo da duração da guerra.
Os custos estão a aumentar rapidamente, embora não exista ainda uma estimativa única consensual. Responsáveis do Pentágono disseram ao Congresso que apenas a primeira semana do conflito custou cerca de 6 mil milhões de dólares (5,15 mil milhões de euros). No entanto, segundo o The Washington Post, legisladores terão sido informados de que só os primeiros dois dias da guerra representaram 5,6 mil milhões de dólares (4,81 mil milhões de euros) em munições.
Outras fontes citadas pela Politico indicam que alguns legisladores têm recebido estimativas privadas que apontam para custos diários que podem atingir 2 mil milhões de dólares (1,72 mil milhões de euros).
Embora a dimensão total da operação militar ainda não seja totalmente conhecida, o envolvimento tem sido significativo. O Comando Central dos Estados Unidos, conhecido como CENTCOM (United States Central Command), indicou que nos primeiros 10 dias de ataques já tinham sido atingidos mais de 5.000 alvos em território iraniano. A lista de equipamentos utilizados inclui mais de 20 tipos diferentes de sistemas militares.
Donald Trump ordenou a operação militar em 28 de fevereiro, após mais de um mês de escalada de tensões entre o Irão e Israel. Desde então, as forças armadas norte-americanas têm conduzido uma campanha de ataques contra alvos no país.
Os custos desses equipamentos variam entre 35.000 dólares (cerca de 30.048 euros), no caso de drones descartáveis de utilização única, e vários milhões de dólares para mísseis de longo alcance. As forças norte-americanas perderam também alguns equipamentos, incluindo três aviões F-15 Strike Eagle abatidos num incidente de fogo amigo no Kuwait a 1 de março e cerca de 11 drones MQ-9 Reaper. As perdas combinadas destes sistemas ultrapassam os 600 milhões de dólares (515,10 milhões de euros).
Estes números não incluem ainda os custos diários associados à presença militar na região. Segundo o Washington Post, cerca de 50.000 militares norte-americanos já estão envolvidos na operação, número que poderá aumentar.
Mesmo antes do início dos ataques, a mobilização logística representou um custo significativo. O transporte de tropas, navios e aeronaves para a região terá custado cerca de 630 milhões de dólares (540,86 milhões de euros), de acordo com Elaine McCusker, investigadora sénior do American Enterprise Institute e antiga responsável orçamental do Pentágono, citada pelo The Wall Street Journal.
Munições representam a maior fatia dos custos
As munições representam a principal despesa da guerra até agora. O centro de estudos Center for Strategic and International Studies, conhecido como CSIS (Center for Strategic and International Studies), estima que apenas nas primeiras 100 horas do conflito foram gastos 3,1 mil milhões de dólares (2,66 mil milhões de euros) em armamento.
Segundo o mesmo centro, os custos com munições continuam a crescer a um ritmo de cerca de 758 milhões de dólares por dia (650,75 milhões de euros).
Não é claro quantas armas estão a ser utilizadas no terreno, mas mesmo estimativas conservadoras indicam custos elevados, que não estavam previstos no orçamento militar norte-americano.
Entre os equipamentos utilizados estão:
• Mísseis Tomahawk: cada unidade custa entre 2 milhões de dólares (1,72 milhões de euros) e 3,6 milhões de dólares (3,09 milhões de euros), segundo estimativas citadas por diferentes fontes.
• Drones “kamikaze”: utilizados em ataques individuais e destruídos durante a operação. Cada drone custa cerca de 35.000 dólares (30.048 euros). Um conjunto estimado de 100 unidades representa cerca de 3,5 milhões de dólares (3 milhões de euros).
• Interceptores antimíssil THAAD: cada unidade custa aproximadamente 12,8 milhões de dólares (10,99 milhões de euros), segundo documentos do Pentágono citados pelo The Hill.
• Drones MQ-9 Reaper: cada aparelho custa cerca de 30 milhões de dólares (25,76 milhões de euros), segundo o Congressional Research Service.
• Kits de orientação JDAM: utilizados para transformar bombas convencionais em armamento guiado de precisão, têm um custo aproximado de 80.000 dólares (68.680 euros).
O secretário da Defesa, Pete Hegseth, indicou que as forças armadas poderão passar a utilizar munições mais baratas após a fase inicial da ofensiva, quando foram utilizados sistemas de maior custo.
Operações militares também elevam a fatura
Para além das armas utilizadas, as operações militares representam uma parte significativa dos custos. O CSIS estima que apenas nas primeiras 100 horas de guerra as operações tenham custado 196,3 milhões de dólares (168,49 milhões de euros).
As operações aéreas são as mais dispendiosas, com cerca de 30 milhões de dólares por dia (25,76 milhões de euros). Já a presença de dois porta-aviões na região poderá representar aproximadamente 13 milhões de dólares por dia (11,16 milhões de euros).
Antes do início do conflito, os Estados Unidos já tinham deslocado dois porta-aviões para a região. Um estudo do Center for a New American Security estimava em 2013 que cada navio custava pelo menos 6,5 milhões de dólares por dia (5,58 milhões de euros) para operar, valor que provavelmente é mais elevado atualmente.
A agência Bloomberg estimou recentemente que o custo de operação do porta-aviões USS Gerald Ford ronda os 11,4 milhões de dólares por dia (9,79 milhões de euros).
Os bombardeiros estratégicos B-2, também utilizados na campanha, têm um custo operacional entre 130.000 e 150.000 dólares por hora de voo (entre cerca de 111.606 e 128.776 euros), segundo o New York Times.
As operações navais representam cerca de 15 milhões de dólares por dia (12,88 milhões de euros), enquanto as operações terrestres custam aproximadamente 1,6 milhões de dólares por dia (1,37 milhões de euros).
Especialistas alertam que os custos poderiam aumentar drasticamente caso os Estados Unidos decidam enviar tropas para o terreno.
Entre 1 e 2 mil milhões de dólares por dia
No total, o custo diário da guerra está atualmente estimado entre 1 e 2 mil milhões de dólares (entre 858,5 milhões e 1,72 mil milhões de euros).
O CSIS calcula um custo médio de cerca de 891,4 milhões de dólares por dia (765,25 milhões de euros), enquanto várias estimativas apresentadas a legisladores apontam para valores entre 1 e 2 mil milhões de dólares diários.
Especialistas em orçamento indicam que os custos podem ser mais elevados nas fases iniciais de um conflito, quando há maior intensidade de operações e utilização de armamento mais sofisticado.
Congresso poderá ter de aprovar financiamento adicional
Grande parte das despesas associadas ao conflito não estava prevista no orçamento militar dos Estados Unidos. Por essa razão, é provável que a administração Trump tenha de pedir financiamento adicional ao Congresso. Ainda não é claro qual será o montante solicitado. Segundo a Politico, alguns republicanos já manifestaram preocupação com o aumento rápido dos custos da guerra.
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, afirmou recentemente que o Congresso está a aguardar indicações da Casa Branca e do Pentágono sobre a eventual necessidade de um pacote adicional de financiamento militar que poderá rondar os 50 mil milhões de dólares (42,93 mil milhões de euros).
Um custo que vai além da dimensão militar
Os custos militares representam apenas uma parte do impacto económico do conflito. A guerra já começou a afetar os preços do petróleo e do gás e pode contribuir para o aumento dos custos de transporte e da inflação.
Os mercados financeiros reagiram inicialmente com quedas próximas de 1% nos principais índices bolsistas antes da abertura das bolsas, embora tenham recuperado posteriormente.
Para além do impacto económico, o conflito já provocou um elevado número de vítimas. Mais de 1.200 mortes foram registadas no Irão, enquanto o CENTCOM confirmou pelo menos sete militares norte-americanos mortos em combate. Também foram registadas vítimas noutros países do Médio Oriente, incluindo Israel, Emirados Árabes Unidos e Omã.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





