A história do grupo Abegoaria anda de mãos dadas com a história da família Bio, cuja paixão pelas suas origens, pela sua terra e pela preservação da sua identidade os levou a investir numa propriedade que estava abandonada na margem esquerda do Guadiana, no Alentejo, para criar uma empresa que produz vinhos e azeite.
Em 2007 Manuel Bio, que tinha feito carreira em algumas multinacionais, assumiu a presidência da Adega Granja Amareleja, com o apoio da mulher, Ana Bio, e conseguiu desde então recuperar um negócio que estava em dificuldades, devolvendo a credibilidade e a importância social e económica da adega. Hoje a adega é responsável por 95% da produção da região. A menina dos olhos do projeto são os 500 hectares da Herdade Abegoaria dos Frades, no Alqueva, de onde saem os vinhos deste terroir que estão a conquistar o mercado nacional e externo.
O administrador da Herdade da Abegoaria dos Frades, Manuel Bio, explica em entrevista à Forbes Portugal como tem conseguido levar as marcas dos vinhos do grupo além-fronteiras, sendo que já exporta para 48 países. E detalha a ambição de continuar a crescer no mercado nacional quer seja através de aquisições como parcerias estratégicas noutras regiões vitivinícolas.
Como se pode descrever a atividade da Abegoaria dos Frades?
A Abegoaria é um grupo de produção de vinhos e azeites já com alguns anos de mercado. Começámos a engarrafar vinho em 2007 com marcas próprias. Estamos já com uma atividade com alguns anos e com o coração no Alentejo. Foi aqui que nascemos, na sub-região Granja-Amaraleja, mas que depois, em pouco tempo, acabámos por expandir para outras regiões. Isso muito devido ao nosso posicionamento, ou seja, posicionámo-nos no mercado quando entrámos com a produção e engarrafamento de vinhos no consumo em casa e muito focados na grande distribuição e nos supermercados e também no comércio tradicional, nas mercearias, nos cash-in-cash que vendiam para casa. Mas sempre foi o nosso posicionamento da produção de vinhos com o objetivo, claro, de vender nestes canais de venda para ser consumido em casa e não aquilo que é muito tradicional em Portugal de os produtores de vinho quererem ter o seu canal de restauração e as suas cartas de restaurante como estratégia principal. E isso acabou por ter alguma consequência no desenvolvimento da empresa com base em alguns sucessos que tivemos com os nossos vinhos do Alentejo a um preço extremamente competitivo para o canal onde estávamos e que fomos ganhando o nosso caminho em termos de vendas, acabaram por nos ir desafiando para fazermos projetos noutras regiões vitivinícolas o que nos levou a projetos de parceria com outras regiões e inclusive à aquisição de empresas vínicas noutras regiões que não o Alentejo.
Hoje já contam com uma presença mais alargada…
Hoje estamos praticamente em todas as regiões de vitivinícolas porque acabamos por estar do Douro ao Algarve, incluindo os Açores. Acabamos por produzir vinhos em quase todas essas regiões sendo que há três regiões que são bandeira para nós: o Alentejo, que é o nosso coração que é aqui na Abegoaria e na Granja-Amaraleja que nós temos a nossa origem. Mas depois também com produções já com bastante dimensão no Douro e em Lisboa, onde tínhamos entrado de uma forma mais ténue através da Adega Dois Portos, onde fazíamos vinhos de Lisboa, mas acabámos por comprar, em 2022, as Caves Vidigal que sendo uma empresa da referência na exportação acabou por dar aqui uma dimensão muito grande ao grupo em termos de vendas da região do Lisboa e também incrementar muito as nossas vendas em termos de exportação.
Olhando ainda para o Alentejo, calculo que o Alqueva terá uma grande importância em termos do que vos distingue enquanto oferta?
Sim, o Alentejo antes do Alqueva e depois do Alqueva são duas realidades completamente diferentes. Nós tínhamos o Alentejo de sequeiro, antes do Alqueva, com culturas típicas de sequeiro, onde o cereal e a pastorícia ainda tinham grande impacto. Com o Alqueva acabámos por ter aqui um desenvolvimento muito grande, seja na viticultura, através da rega, até em territórios que não tinham muita viticultura, como é o Baixo Alentejo e a margem esquerda do Guadiana, onde estamos inseridos e depois a parte do olival e do azeite que, sem o Alqueva não teriam qualquer relevância para a nossa economia regional do Alentejo, e hoje tem uma relevância para o país. Já saímos um bocado da questão regional, hoje a parte da olivicultura do Alentejo são claramente uma referência nacional e ganhámos algum espaço inclusive Ibérico. Neste momento, a Ibéria é o maior produtor de azeite do mundo e Portugal começa a ter aqui o seu ponto e ele está claramente situado aqui no Alentejo e no Alqueva.
Em termos de presença a nível internacional, a Abegoaria dos Frades já exporta para 48 países?
Sim, nós exportamos para 48 países. Neste momento, somos uma das empresas da referência de exportação. 48% das nossas vendas são exportação. Portanto, 52% é mercado nacional e 48% é exportação. Temos um objetivo muito claro, que é chegar a 70% de exportação e 30% do mercado nacional em quatro a cinco anos. É para isso que trabalhamos todos os dias. E destes países, temos dois países muito relevantes para o setor, ou seja, o nosso maior mercado de destino, neste momento, é o Reino Unido. O segundo é o Brasil, o terceiro é o Canadá, quarto Estados Unidos, quinto Israel. Estamos a falar de mercados desenvolvidos ao nível do vinho. Não estamos aqui a falar da outra parte, mas ao nível de consumo de vinho, estamos a falar de mercados que consomem bem, que têm canais de vendas interessantes, com consumos per capita muito interessantes e onde nós estamos presentes com bastante relevância.
Para atingir estes 70% de peso das vendas no exterior, quais vão ser as apostas para conseguir esta meta?
Eu brinco sempre dizendo que se temos 48 países e há, no mínimo, 200 que consomem vinho, ainda temos aqui um espaço para crescer em mais 152. Isso é conversa para falar com os comerciais. Mas acho que Portugal tem vindo a melhorar muito a sua perceção do preço-qualidade. E onde eu acho que está a grande vantagem competitiva neste momento do mercado do vinho português é que nós, se criássemos uma tabela com relação ao preço-qualidade, eu acredito que nós éramos o melhor país do mundo. Ou seja, vendermos os melhores vinhos ao melhor preço. É evidente que isto não chega. Eu digo sempre que os italianos vendem vinhos muito maus, ao dobro do preço que nós vendemos os bons. Porquê? Porque conseguem ter um marketing e uma embalagem muito melhor do que o nosso.
O que falta ao setor?
Ainda precisamos de aprender a promover e a ter boas áreas de marketing para promover os nossos vinhos. Mas, cada vez mais, com consumidores mais educados, mais desenvolvidos, que chegam a melhor informação nas redes, temos tudo para continuar a crescer em Portugal como produtores de vinho e a continuar a crescer as nossas exportações. Isso aí eu não tenho dúvidas nenhumas. E, quanto melhores as empresas que tivermos e de maior dimensão, mais capacidade temos de investimento em marketing e publicidade para fazer isso que nos faltam, que é conseguirmos fazer muito bem a parte promocional e da embalagem para que os nossos vinhos, na verdade, sejam pagos ao preço justo.
Mas considerando os tais 152 países que ainda vos faltam, quais seriam exequíveis?
Temos o Extremo Oriente que caiu muito com o Covid por razões de política interna. Hoje, quando se diz porque é que a China hoje compra metade do vinho do que comprava em 2019? Ouve-se muitos disparates. Mas, neste momento, a China compra menos vinho porque criou um conjunto de regras internas que criaram barreiras ao consumo de vinho onde eles o consumiam. Ou seja, a China não tem um consumo de vinho gastronómico, não bebem vinho à refeições, em casa. Eles estavam a desenvolver muito o consumo de vinho nos eventos sociais. Muito promovido até por empresas públicas que faziam todo esse conjunto de eventos. E, neste momento, os funcionários públicos não podem beber vinho na China. Isso tem um impacto brutal no consumo na China que hoje está a consumir metade do vinho do que consumia em 2019. Toda essa parte, incluindo depois Japão e Coreia, que estão ali com umas economias difíceis, são ainda grandes oportunidades. Mas onde estão as grandes oportunidades é nos Estados Unidos que continuam a ser uma grande oportunidade. Temos a questão das tarifas, mas continuo a acreditar que são barreiras momentâneas, que estão presas no tempo. Não são questões que se mantenham eternamente e, portanto, vão-se resolver. E a própria Europa, que neste momento está muito afetada por todas estas guerras e por todas estas questões, mas continuo a acreditar. Na Alemanha estamos a perder, por exemplo, 15% de vendas. Mas acredito que é um país que, nos próximos dois ou três anos, vai continuar a crescer. Estamos a falar aqui de uma questão momentânea e de política. É uma questão das guerras e toda esta incerteza que existe na Europa. E depois é reforçar os mercados onde já estamos. Temos de vender mais para a Inglaterra, temos de vender mais para a Europa Central, temos de vender mais para os nórdicos. Para isso temos de nos preparar: temos de ter melhores certificações para que os países nórdicos prefiram comprar os nossos vinhos em vez de comprar os italianos, porque a nossa relação de preço-qualidade é muito melhor para os italianos. Temos de ganhar o mercado dos Estados Unidos, que é um mercado extremamente importante. Temos de conseguir o acordo da América do Sul, que nos abre todo um potencial na América do Sul, que hoje não temos, onde estamos a combater no Brasil com o Chile e uma Argentina. E, portanto, tudo isto continua a ser hoje uma barreira, mas é uma grande oportunidade de futuro nos próximos cinco anos, se quisermos fazer um horizonte temporal de cinco anos, será uma grande oportunidade para nós crescermos.
Os últimos lançamentos de vinhos que têm anunciado como se distinguem e para que público estão pensados?
Estamos a falar um bocadinho daquilo que não é contrário à nossa essência – quando eu estava a dizer que fazemos vinhos para consumir em casa – estamos aqui a falar de uma marca que está muito mais presente em restaurantes nacionais e internacionais do que propriamente nos supermercados onde nós vendemos, que é o Abegoaria dos Frades, que está ligado à herdade que temos em Mourão, na sub-região Granja-Amareleja, que é uma herdade com 500 hectares onde nós desenvolvemos estes vinhos e esta marca. Estamos a falar de vinhos já num posicionamento superior e não digamos de restauração, mas que hoje o seu canal de vendas principal são as garrafeiras e a restauração. Nós já tínhamos lançado dois tintos. A vinha é de 2017 e 2019, nos 72 hectares que temos à volta da propriedade, da parte urbana da Abegoaria dos Frades e em que lançámos os tintos há um ano. O Moreto, que é uma casta característica da Granja-Amareleja e ele tem o seu território principal, o seu terroir aqui na Granja-Amareleja e lançámos esses dois tintos e recentemente apresentámos um branco e um rosé para fazer parte do portfólio. Estes lançamentos estão muito ligados a uma nova interpretação de um território que era claramente de temperaturas muito altas, estamos na região da Amareleja-Granja com temperaturas muito altas, mas onde virou Alqueva, como falávamos, com a possibilidade do regadio nos dá aqui outras formas de fazer uvas e outras formas de produzir vinho muito mais frescos, entre aspas, com acidezes maiores que só o projeto de Alqueva nos permitiria.
E quais são algumas das características diferenciadoras que possa destacar nestes dois vinhos?
Estamos a falar de vinhos com uma frescura pouco normal para este Alentejo mais interior, ou seja, de um território muito quente, com vinhos muito quentes, muito estruturados, passámos para vinhos, sim, com estrutura, com boca, mas que já têm uma acidez, têm uma fruta, têm uma interpretação diferente daquilo que eram os vinhos típicos e característicos da sub-região. Digamos que são mais adequados ao consumidor atual.
Nesta ótica, inovação é uma palavra que já faz parte do ADN do grupo?
Sim, claramente. Se hoje olharmos e fizéssemos uma análise das empresas vitivinícolas do Alentejo, claramente a inovação tem feito parte do nosso ADN, não só na região, mas porque também tivemos coragem de sair da região e sair do território nacional em termos de exportação e vendas. E isso só se faz quando conseguimos inovar e surpreender os consumidores, sejam eles portugueses ou internacionais, com vinhos adequados a estes consumidores. Hoje nós não podemos olhar para dentro, temos de olhar para fora. Não podemos fazer vinhos com os condicionantes todos do território, do terroir que temos, mas temos de fazer vinhos adequados àquilo que é o novo consumidor. E esse novo consumidor é um consumidor que vai do Japão aos Estados Unidos, passando pela Europa e pela América do Sul. Portanto, temos de fazer vinhos muito mais completos ou muito mais desafiantes e que quem que os bebe, seja em qualquer parte do mundo, diga que é um bom vinho. E muitas vezes, se nós apresentarmos vinhos rústicos, como fazíamos há 30 anos no Alentejo, muitos destes consumidores não consideram isso. Podem considerar um vinho diferente, podem considerar algo mais ligado à terra, mas não são vinhos adequados para que nós possamos desenvolver a nossa viticultura e o nosso setor vínico como País nem como região.
Mas como é que se equilibra e alia esta sofisticação, esta modernidade que o mercado começa a exigir com a tradição alentejana?
Nós não podemos perder a tradição alentejana. Isso é a base da nossa forma de estar. O que nós podemos fazer é, com as tecnologias e com o Alqueva que consegue evitar muito stress hídrico na vinha que nós tínhamos no passado. Nós não deixámos de ter o calor que tínhamos no passado, ele está cá ou até se agrava com as alterações climáticas. Mas o que nós temos hoje é que a vinha, em vez de ter stress exterior de calor, mais stress hídrico por falta de água, nós a parte do hídrico conseguimos combater. E depois é a tecnologia e o saber dos nossos enólogos. Portugal investiu muito no desenvolvimento e na parte educacional dos nossos enólogos. Isso tem feito toda a diferença. Ou seja, nós somos um País que trabalhamos lotes de vinho. Portanto, conseguimos ir buscar o melhor de cada casta e juntar dentro de uma garrafa. Quando olhamos para o novo mundo, nada disso acontece. O que temos no novo mundo é há os Shiraz, há os merlot, há os cabernet. Ou seja, é um vinho muito menos trabalhado e muito menos sofisticado porque aí o que conseguimos ir buscar é o melhor de cada casta. Não conseguimos ir buscar o melhor daquilo que a parte humana e aí a parte educacional dos nossos enólogos consegue fazer que é fazer lotes de diferentes castas, procurando fazer vinhos diferentes e melhores. E isso, em Europa e principalmente em Portugal, somos um bom exemplo de como é que se consegue trabalhar a parte do lote em detrimento do monocasta. E Portugal tem de continuar a apostar aí. Não quer dizer que não tenha monocastas, porque o mundo quer monocastas e nós temos também de dar o que o consumidor quer. Mas conseguimos apresentar vinhos diferentes, na minha opinião, para muito melhor.
E aqui, como é que entram as boas práticas da sustentabilidade?
Nós nascemos de uma boa prática. Ou seja, a Abegoaria dos Frades, que era um território quase inóspito e abandonado em 2015, está dentro de uma Zona de Proteção Especial, de uma ZPE de proteção de aves. Estamos a falar de grous que fazem a sua migração entre novembro e fevereiro, e onde a Abegoaria dos Frades é um dos seus territórios de eleição no Alentejo. E as abetardas, uma ave protegida em todo o Alentejo e em toda a Europa, neste momento. Estamos a falar da maior ave voadora da Europa. E é claramente hoje, em termos de dimensão e de peso, a maior ave voadora. Tem aqui uma proteção feita pelo ICMF e pela legislação portuguesa das Zonas de Proteção Especiais e da rede Natura. E nós nascemos aí. Ou seja, de 500 hectares que só produziam cereais e estavam quase abandonados. Nós criámos aquilo que nós podemos dizer um oásis em termos de boas práticas. Hoje temos 100 hectares de vinho, nós só temos 72 plantados à volta da parte urbana da propriedade e depois continuamos a fazer cereais sem pastorícia, portanto sem gado na propriedade, em todo o outro território para mantermos um habitat natural para que as abetardas e os grous possam continuar aqui. A nossa sustentabilidade nasce daí. Nós temos o nosso coração dentro de uma Zona de Proteção Especial e que a mantemos intacta, estamos logo aí a preservar. Depois em termos de segurança alimentar e de boas práticas de segurança alimentar para o mercado, temos todas as certificações hoje em termos do grupo, da BRC, temos as ISOs todas, temos a BRC, há uma terceira também internacional que agora me falhou aqui. Temos a IFS, o que acaba por nos dar esta garantia de trabalhar com as grandes cadeias, por exemplo, inglesas. Estamos em fase de certificação também de todo o processo. Acreditamos que só nos conseguimos desenvolver se tivermos este equilíbrio entre sustentabilidade ambiental e sustentabilidade social. Não tenho dúvidas que somos o grupo que, neste momento, mais viticultores tem a produzir uvas para nós. Somos claramente um grupo com essa preocupação e que temos de ter cada vez mais, até que caminhemos para esta sustentabilidade dos vinhos do Alentejo, onde nós fazemos parte do programa.
Há sinergias para as vendas entre a parte do vinho e a parte do azeite? Como é que vendem as vossas diferentes categorias? Começamos a ter na exportação. No mercado nacional temos uma equipa separada, porque os compradores de azeite na distribuição são completamente diferentes dos vinhos, e acabamos por ter aqui. Mas como é óbvio, quando eu apareço, e aqui usando um bocadinho, se eu vou a uma união do azeite, acabo por levar o peso do vinho atrás, porque nós temos muito mais peso no vinho do que no azeite. No mercado da exportação começa a aparecer muitos distribuidores de vinho que também têm azeite com o seu portfólio. O consumidor que gosta de um bom vinho, normalmente, gosta de gastronomia e dá muito valor ao bom azeite. E nós temos que claramente explorar isso.
Começam a surgir no mercado novos formatos de embalagens, novos tipos até de vinhos, com mais ou menos álcool. Vocês também estão predispostos a entrar nesse campeonato dessas inovações?
Sim, temos de estar. Apesar de nós nascermos aqui num núcleo muito tradicional, mas temos claramente de estar. Ou seja, por exemplo, neste momento, já há quatro anos, que somos o fornecedor exclusivo da parte toda da Afro Nation em Portimão, música. Porquê? Porque inovámos na embalagem. Temos uma embalagem no ‘Porta Seis’ que é PET. E, portanto, sendo aquilo na Praia da Rocha em Portimão, não pode haver vidro. E acabámos, através de um contrato em Inglaterra, porque a organização é toda de uma empresa inglesa, em três dias nós conseguimos vender 40 mil garrafas de vinho ‘Porta Seis’ naqueles concertos. E onde atingimos o nível médio de consumidores que vêm do mundo inteiro, porque 80% de quem vai à Afro Nation em Portimão são estrangeiros que vêm a Portugal só para os concertos, acabamos por atingir desta forma, com a marca, um target muito interessante do nosso mercado. Para dar um exemplo, lançámos em parceria, como uma empresa portuguesa, há seis meses, um cocktail de vinho com cinco graus, que é o Hitz, e que neste momento está na grande distribuição toda portuguesa, e que já temos um bom cliente na Irlanda para começar a vender. Portanto, estamos a falar de um cocktail de vinho que é uma inovação de produto, com sabores, porque temos três sabores neste momento: frutos vermelhos, gengibre, limão e maracujá. Estamos a preparar um projeto para lançar um vinho branco com 10 graus. Portanto, sim, temos claramente de nos adaptar ao consumidor e às tendências do mercado, e não querer que o mercado se adapte a todos os nossos vinhos, que tem sido sempre muito o lema do produtor português, e isso não nos leva lá muito.
E como é que se equilibra o facto de ser uma empresa familiar com a gestão profissionalizada que o mercado muitas vezes exige?
Sim, somos uma empresa assumidamente familiar, onde eu e a minha mulher estamos no negócio no dia-a-dia. Eu tive a vantagem de ter feito toda a minha carreira em multinacionais. Isso acaba por dar uma visão ao grupo, sem perder o cunho e o bom que é ser uma empresa familiar, mas sem perder de vista que temos de ser uma empresa profissional e temos que ter os nossos profissionais a trabalhar connosco, que nos ajudem a criar e a gerir o grupo. E esse equilíbrio, eu digo sempre, por enquanto, continua a funcionar muito bem, porque nós somos talvez o grupo vínico em que as pessoas menos têm mudado nos últimos cinco ou seis anos. Ou seja, os nossos diretores que estão connosco com a família neste negócio e que praticamente nos últimos cinco anos duplicámos as vendas, a estrutura base é esta. Ou seja, os diretores profissionais que estão connosco são exatamente os mesmos e é esse equilíbrio que nós procuramos. Ter trabalhado em multinacionais ajuda para percebermos o que é que temos de valorizar nesses profissionais e como é que temos de trabalhar com eles e como é que temos de trabalhar de uma forma profissional. Eu digo isto em muitos locais: pode haver empresas que tenham tanta informação, seja financeira, seja comercial, como a nossa. Mais do que nós, eu duvido. Temos um conjunto de relatórios diários que nos dão todas as variáveis do grupo e que nos permite fazer este equilíbrio entre a família e a parte profissional e continuamos a gerir a empresa de uma forma profissional.






