Glória Menezes, a estrela de uma televisão brasileira que marcou gerações

A atriz Glória Menezes, uma das mais célebres da televisão brasileira, morreu hoje aos 91 anos, de causas naturais, na sua casa no Rio de Janeiro, informou a sua assessoria de imprensa. Nascida na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Nilcedes Soares Guimarães abraçou o nome artístico Glória Menezes em mais…
ebenhack/AP
A atriz brasileira Glória Menezes morreu esta terça-feira, aos 91 anos, no Rio de Janeiro. Com mais de seis décadas de carreira, tornou-se um dos rostos mais marcantes da televisão brasileira, também muito conhecida em Portugal pelas suas participações em algumas das novelas de maior sucesso.
Forbes Life

A atriz Glória Menezes, uma das mais célebres da televisão brasileira, morreu hoje aos 91 anos, de causas naturais, na sua casa no Rio de Janeiro, informou a sua assessoria de imprensa.

Nascida na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Nilcedes Soares Guimarães abraçou o nome artístico Glória Menezes em mais de seis décadas de carreira, com passagens pelo teatro, televisão e cinema.

A história da atriz cruza-se com clássicos das telenovelas brasileiras, tendo protagonizado “Irmãos Coragem” (1970), “O Homem que Deve Morrer” (1971), “Cavalo de Aço” (1973) e “Pai Herói” (1979).

Nas décadas de 1980 e 1990 atuou em “Guerra dos Sexos”, “Brega & Chique”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “A Próxima Vítima” e “Torre de Babel”.

Gloria Menezes também contracenou em fenómenos de audiência da televisão brasileira, como “Porto dos Milagres” (2001), “O Beijo do Vampiro» (2002), “Senhora do Destino” (2004), “A Favorita” (2008) e “Totalmente Demais” (2015).

Em “Rainha da Sucata” (1990), a atriz deu vida à personagem Laurinha Figueroa, uma mulher rica e arrogante, considerada uma das vilãs mais marcantes das telenovelas brasileiras.

O Ministério da Cultura (MC) brasileiro reagiu à morte da atriz, salientando que “marcou diferentes gerações ao longo de mais de seis décadas de carreira, com personagens de destaque na televisão e trabalhos no teatro e no cinema”.

“Com uma carreira que atravessou diferentes momentos da história da televisão, do teatro e do cinema no Brasil, Glória Menezes deixa um importante legado para a dramaturgia e para a memória cultural do país”, frisou o MC em comunicado.

Com mais de 40 novelas na TV Globo no currículo, a atriz também teve a sua carreira entrelaçada com a do ator Tarcísio Meira, com quem esteve casada durante 59 anos, até a morte deste em 2021, aos 85 anos.

Glória e Tarcísio conheceram-se ainda no teatro e viriam a tornar-se um dos casais mais longevos e marcantes da dramaturgia brasileira, sendo os pais do também ator Tarcísio Filho, nascido em 1964.

No cinema, a atriz também atuou num dos clássicos do cinema brasileiro, «Pagador de Promessas» (1962), sendo a primeira e única longa-metragem do Brasil a receber a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Brilhou nos ecrãs e palcos portugueses

A atriz brasileira Glória Menezes, que morreu esta terça-feira, aos 91 anos, celebrizou-se em Portugal pelo desempenho em telenovelas como “Guerra dos Sexos”, tendo estendido a Lisboa a celebração de 40 anos de carreira, com a peça “Jornada de Um Poema”.

Glória Menezes, nome artístico de Nilcedes Soares Magalhães, nasceu em 19 de outubro de 1934, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul e viveu em São Paulo, onde se formou na Escola Superior de Arte Dramática e fundou a companhia de teatro Jovens Independentes.

Estreou-se na TV Tupi de São Paulo, na peça “Um Lugar ao Sol”, a que se sucedeu “A Estranha Clementine”, mas a sua revelação aconteceu no cinema, como coprotagonista de “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, um dos filmes fundadores do Cinema Novo brasileiro, Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1962.

O sucesso abriu-lhe as portas do horário nobre nas cadeias de televisão.

Na TV Excelsior, protagonizou a primeira telenovela diária brasileira, “2-5499 Ocupado” (1963), sucedendo-se produções como “Almas de Pedra” (1966) e “O Grande Segredo” (1966), até entrar para a Rede Globo, em 1968, como parte do elenco da telenovela “Sangue e Areia”.

A popularidade de Glória Menezes em Portugal teve origem nas telenovelas “Pai Herói” (1979) e “Guerra dos Sexos” (1983), seguidas de “Brega e Chique” (1987), “A Rainha da Sucata” (1990) e “A Próxima Vítima” (1995), entre outras produções transmitidas pela RTP e pela SIC, ao longo de mais de duas décadas, nas quais contracenou com o marido, o ator Tarcísio Meira (1935-2021), e com seu filho Tarcísio Filho.

Em 1996, destacou-se no Brasil por se recusar a prosseguir as filmagens de “Vira-Lata”, em protesto pela falta de qualidade da produção.

Só dois anos mais tarde regressaria à televisão, para interpretar “Torre de Babel” (1998), mantendo-se no ‘pequeno ecrã’ nos anos seguintes em produções como “Porto dos Milagres” (2001), “O Olhar do Vampiro” (2002), “Senhora do Destino” (2005), “Páginas da Vida” (2007), “A Favorita” (2009), “Louco por Elas” (2013) e “Totalmente Demais” (2016), a última telenovela em que participou.

No cinema, Glória Menezes entrou em filmes como “Independência ou Morte” (1972), de Carlos Coimbra, “O Caçador de Esmeraldas (1979), de Oswaldo Oliveira, e “Para Viver Um Grande Amor” (1984), de Miguel Faria Jr., sobre história de Chico Buarque.

No teatro, interpretou textos de William Shakespeare, Arthur Miller, Ettore Scola, Collin Higgins, Bernard Slade e Henry Gheon, que marcou a sua estreia nos palcos, em 1957, com a peça “Devoção à Cruz”.

Desde 2007, Glória Menezes retomava recorrentemente, em palco, a peça “Ensina-me a Viver” (“Harold and Maude”), de Colling Higgins, na base do filme homónimo de Hal Ashby.

Em 2001, no Teatro Tivoli, em Lisboa, a atriz fez a estreia portuguesa de “Jornada de Um Poema”, da norte-americana Margarete Edson, Prémio Pulitzer no ano anterior.

Glória Menezes assumia o papel de Vivian Bearing, uma professora de literatura nos últimos dias de vida, que desafiava a morte com sentido de humor e ironia, numa jornada dominada pelo poema “Death Be Not Proud” (“Morte, não te orgulhes”), de John Donne, autor britânico do século XVII.

Em 2025, a rede brasileira Globo dedicou um tributo à atriz.

com Lusa

Mais Artigos