A Rua Rosa Araújo, junto à Avenida da Liberdade, prepara-se para receber a primeira loja física da SEIKO em Portugal, num espaço com 125 metros quadrados. A abertura está agendada para a próxima quinta-feira, dia 1 de outubro, sendo este um sinal do grupo japonês Seiko, centenário fabricante de relógios de luxo e de gama média, da relevância que Portugal tem na sua estratégia de crescimento. Em entrevista à Forbes o vice-presidente da SEIKO, Yukiaki Suganuma, faz uma análise positiva da presença em Portugal, que considera de consolidada, realçando que a marca está a alcançar resultados comerciais fortes e, simultaneamente, a qualificar a estratégia de distribuição, a melhorar o mix de produto e a reforçar a perceção premium da marca. Yukiaki Suganuma sublinha que esta combinação traz a confiança de que o mercado português continua a apresentar um potencial de desenvolvimento muito significativo.
Para Yukiaki Suganuma a nova Boutique vai permitir oferecer uma maior profundidade de produto, um maior controlo sobre a experiência do cliente e estabelecer uma relação direta com o consumidor. E não tem dúvidas de que esta abertura reforça a importância do mercado português no contexto da estratégia ibérica da marca e demonstra a confiança que tem no seu potencial.
O vice-presidente do grupo garante que a loja de Lisboa é uma consequência do crescimento que a marca, fundada em 1881 por Kintaro Hattori, alcançou e é um acelerador da próxima fase de desenvolvimento da SEIKO em Portugal. O gestor detalhou ainda que, em 2025, a faturação em Portugal cresceu 23%, uma dinâmica positiva que se mantém em 2026, com um crescimento de 28% no primeiro semestre.

Como caracteriza a presença da SEIKO no mercado português?
A SEIKO tem uma presença consolidada em Portugal e beneficia de uma notoriedade muito forte, construída ao longo de várias gerações. No entanto, aquilo a que estamos a assistir atualmente representa uma nova fase no desenvolvimento da marca. Em 2025, a nossa faturação em Portugal cresceu 23%, e esta dinâmica positiva manteve-se em 2026, com um crescimento de 28% no primeiro semestre do ano. São vários os fatores que estão na origem deste desempenho. Temos vindo a qualificar progressivamente a nossa distribuição, a melhorar o nosso mix de produto e a dar maior visibilidade às coleções que sustentam a evolução premium da marca. Ao mesmo tempo, os consumidores portugueses estão cada vez mais conhecedores de relojoaria e valorizam crescentemente a autenticidade, o savoir-faire, o design e a herança das marcas. Por isso, é importante sublinhar que não se trata apenas de vender mais relógios. Estamos também a assistir a uma evolução qualitativa na forma como a SEIKO é representada, adquirida e percecionada em Portugal.
A SEIKO vai abrir a primeira loja em Portugal no dia 1 de outubro. Quais as motivações estratégicas que justificam esta decisão?
Acreditamos que o mercado, a marca e o consumidor chegaram ao momento certo. O forte desempenho comercial dos últimos anos deu-nos, naturalmente, confiança, mas esta decisão vai muito além do crescimento das vendas. Temos vindo a elevar progressivamente o posicionamento da SEIKO e a qualificar a sua distribuição em Portugal, e sentimos que chegou o momento de criar um espaço capaz de apresentar a marca em toda a sua dimensão. A Boutique permite-nos oferecer uma maior profundidade de produto, um maior controlo sobre a experiência do cliente e, muito importante, estabelecer uma relação direta com o consumidor. É simultaneamente uma consequência do crescimento que alcançámos e um acelerador da próxima fase de desenvolvimento da SEIKO em Portugal.
Até que ponto os resultados alcançados nos últimos anos influenciaram a decisão de investir na loja monomarca em Lisboa?
Foram, naturalmente, um fator importante, porque demonstraram que existe uma procura forte e crescente pela SEIKO em Portugal. No entanto, não queríamos abrir uma Boutique simplesmente porque as vendas estavam a crescer. Para um investimento desta natureza, precisávamos de ter confiança de que existia uma oportunidade para desenvolver a marca tanto qualitativa como quantitativamente. A evolução do nosso mix de produto, a crescente sofisticação do consumidor português e o potencial que identificamos nas nossas coleções de posicionamento mais elevado foram igualmente importantes. Os resultados deram-nos confiança; a oportunidade de elevar a marca deu-nos a razão estratégica para investir.
“Sentimos que chegou o momento de criar um espaço capaz de apresentar a marca em toda a sua dimensão”.
O que representa esta abertura para a estratégia da marca em Portugal e Espanha?
Esta abertura reforça a importância do mercado português no contexto da nossa estratégia ibérica e demonstra a confiança que temos no seu potencial. Portugal e Espanha têm, naturalmente, vários pontos de ligação, mas são também mercados distintos, com diferentes comportamentos de consumo e estruturas de retalho. Acreditamos, por isso, que é importante desenvolver cada mercado de acordo com as suas próprias características. A Boutique de Lisboa proporciona à SEIKO uma presença direta mais forte em Portugal e constitui uma importante plataforma para a construção da marca, para o relacionamento com os consumidores e para a aprendizagem sobre o mercado, que poderá também contribuir para um conhecimento mais aprofundado da região.
Porque foi Lisboa escolhida para este investimento? E que objetivos foram definidos para esta primeira loja em termos de notoriedade da marca, experiência do cliente e desempenho comercial?
Lisboa foi a escolha natural para a nossa primeira Boutique. Combina uma base sólida de consumidores nacionais do segmento premium com uma importante visibilidade internacional e uma forte componente turística, contando igualmente com uma comunidade crescente de entusiastas de relojoaria. A localização específica foi também muito importante. Para uma marca que está a elevar o seu posicionamento, não procurávamos simplesmente tráfego; procurávamos o ambiente certo e a vizinhança certa, numa localização coerente com a imagem que queremos construir para a SEIKO. O desempenho comercial é, naturalmente, importante, mas os objetivos da Boutique são mais abrangentes. Queremos aumentar o conhecimento sobre a profundidade da oferta da SEIKO, elevar a perceção da marca e estabelecer uma referência para a experiência SEIKO em Portugal. Queremos que se torne um destino para todos aqueles que tenham interesse em descobrir a relojoaria japonesa em Lisboa.
“Queremos aumentar o conhecimento sobre a profundidade da oferta da SEIKO e elevar a perceção da marca em Portugal”.
Até que ponto esta abertura constitui um sinal da confiança da SEIKO no potencial de crescimento do mercado português?
É um sinal muito claro de confiança. A abertura de uma Boutique dedicada representa um investimento de longo prazo no mercado e na marca. Não faríamos esse investimento se não acreditássemos que existe um potencial significativo de desenvolvimento futuro. Mas a nossa confiança não se baseia exclusivamente nas taxas de crescimento recentes. Baseia-se também naquilo que observamos junto dos consumidores portugueses: maior conhecimento, maior interesse pela relojoaria mecânica e uma valorização crescente do savoir-faire, da herança e de produtos com uma identidade autêntica. Acreditamos que estas tendências são muito favoráveis à SEIKO.
“Não faríamos esse investimento se não acreditássemos que existe um potencial significativo de desenvolvimento futuro”
O que poderão os consumidores encontrar na loja que não encontram noutros pontos de venda SEIKO em Portugal?
A principal diferença será a profundidade e a abrangência da experiência SEIKO. Os nossos parceiros retalhistas continuam a ser fundamentais para a nossa estratégia, mas uma Boutique dedicada permite-nos apresentar uma oferta mais abrangente, dar maior visibilidade a referências selecionadas e, mediante disponibilidade, proporcionar acesso a determinadas novidades, edições limitadas ou peças mais exclusivas. Igualmente importante será a diferença ao nível do storytelling e do serviço. A nossa equipa estará totalmente dedicada à SEIKO e preparada para explicar a história, a tecnologia, o design e a relojoaria que estão por detrás de cada coleção. Não queremos que este seja simplesmente um lugar onde as pessoas compram relógios SEIKO. Queremos que seja um lugar onde descobrem a SEIKO.
“Não queremos que este seja simplesmente um lugar onde as pessoas compram relógios SEIKO. Queremos que seja um lugar onde descobrem a SEIKO”.
Como tem evoluído as vendas ao consumidor e o que revelam estes números sobre a forma como os portugueses percecionam a marca?
As vendas ao consumidor cresceram cerca de 40% em 2025, acima do crescimento da nossa faturação. Este é um indicador particularmente positivo, porque o sell-out é, em última análise, uma das demonstrações mais claras da procura efetiva por parte do consumidor. Estes números mostram-nos que os consumidores portugueses estão a responder positivamente não apenas à SEIKO enquanto marca de confiança, mas também à evolução das nossas coleções e do nosso posicionamento. Historicamente, a SEIKO tem sido fortemente associada à qualidade, fiabilidade, inovação e a uma excelente relação qualidade-preço. Estes atributos continuam a ser fundamentais, mas os consumidores estão cada vez mais a descobrir uma outra dimensão da marca – o seu savoir-faire, a herança japonesa, a relojoaria mecânica e os produtos de posicionamento mais elevado. A nossa oportunidade consiste em, a partir da confiança que a SEIKO já conquistou, e transformá-la progressivamente numa marca mais desejada.
“A nossa oportunidade consiste transformar a SEIKO progressivamente numa marca mais desejada”.
O mercado português de relojoaria pode ser descrito como: é um mercado mais maduro, aspiracional ou ainda com um potencial significativo de crescimento?
Descreveria Portugal como um mercado de relojoaria cada vez mais maduro, mas ainda muito aspiracional, o que significa que continua a existir um potencial significativo de crescimento. Os consumidores portugueses estão hoje muito mais informados. Acompanham lançamentos internacionais, pesquisam movimentos e referências, comparam produtos e compreendem cada vez melhor as diferenças entre as marcas e as respetivas tradições relojoeiras. Ao mesmo tempo, existe ainda um potencial considerável para desenvolver a cultura da relojoaria mecânica e do colecionismo. Esta combinação é particularmente interessante para a SEIKO: temos uma marca com uma notoriedade muito elevada, mas existe ainda muito para o consumidor descobrir sobre a profundidade da nossa relojoaria.
“Portugal é um mercado de relojoaria cada vez mais maduro, mas ainda muito aspiracional, o que significa que continua a existir um potencial significativo de crescimento”.
Que tipo de consumidor tem impulsionado o crescimento da SEIKO em Portugal: são colecionadores, novos compradores de relógios mecânicos ou consumidores mais jovens?
Na realidade, é uma combinação dos três perfis, e essa é precisamente uma das grandes forças da SEIKO. Temos uma base muito fiel de clientes e um número crescente de colecionadores bastante conhecedores, que acompanham de perto as novas referências, as edições limitadas e a história da marca. Ao mesmo tempo, estamos a atrair consumidores que entram pela primeira vez no universo da relojoaria mecânica. Coleções como Seiko 5 Sports desempenham aqui um papel muito importante, sobretudo junto de públicos mais jovens.

Estamos também a assistir à evolução de clientes dentro da própria marca, que procuram produtos mais sofisticados em coleções como Presage, Prospex e King Seiko. Isto permite à SEIKO acompanhar os consumidores em diferentes fases da sua relação com a relojoaria, em vez de se dirigir apenas a um perfil específico de cliente.
Portugal tem-se destacado face a outros mercados europeus onde a marca está presente?
Portugal tem sido claramente um mercado muito dinâmico para a SEIKO e o seu desempenho recente tem sido extremamente positivo, sobretudo num contexto europeu em que as condições de mercado não têm sido uniformes. Mais do que estabelecer rankings entre diferentes países, aquilo que consideramos particularmente relevante é a qualidade do crescimento que estamos a observar em Portugal. Estamos a alcançar resultados comerciais fortes e, simultaneamente, a qualificar a estratégia de distribuição, a melhorar o mix de produto e a reforçar a perceção premium da marca. Esta combinação dá-nos confiança de que o mercado português continua a apresentar um potencial de desenvolvimento muito significativo.
De entre as várias categorias quais as que têm apresentado melhor desempenho em Portugal?
Temos registado uma procura saudável em várias áreas do portefólio, o que reflete a diversidade da base de consumidores da SEIKO. Seiko 5 Sports continua a ser muito importante, nomeadamente enquanto porta de entrada para a relojoaria mecânica e junto dos consumidores mais jovens. Prospex continua a beneficiar das suas fortes credenciais na relojoaria desportiva e profissional, enquanto Presage é cada vez mais valorizada pela combinação entre relojoaria mecânica e a sensibilidade estética tradicional japonesa. King Seiko é particularmente relevante para a nossa estratégia de evolução premium, enquanto Astron representa outra dimensão importante da SEIKO, através da sua forte componente de inovação tecnológica. O que consideramos particularmente positivo é o interesse crescente pelos nossos produtos de maior valor, o que reforça a evolução de posicionamento que pretendemos alcançar.
“O mercado português continua a apresentar um potencial de desenvolvimento muito significativo”.
A SEIKO salienta frequentemente que um relógio vai muito além da sua função prática. Que importância têm atualmente fatores como a história da marca, o design e a herança relojoeira na decisão de compra?
São fatores cada vez mais importantes. Hoje, se o único objetivo fosse saber as horas, existem inúmeras soluções digitais disponíveis. A escolha de um relógio tradicional e, em particular, de um relógio mecânico é, por isso, cada vez mais uma decisão emocional. Os consumidores compram relógios porque se identificam com o design, a engenharia, o savoir-faire, a história da marca ou com aquilo que o relógio representa num determinado momento das suas vidas. No caso da SEIKO, isto assume uma relevância especial porque temos 145 anos de história, combinando a tradição relojoeira com uma inovação constante. Um relógio indica-nos as horas, mas a razão pela qual escolhemos um relógio em vez de outro está muitas vezes na história que ele conta sobre nós.
“Um relógio indica-nos as horas, mas a razão pela qual escolhemos um relógio em vez de outro está muitas vezes na história que ele conta sobre nós”.
Como evoluiu o consumidor português nos últimos anos no que respeita à valorização da relojoaria mecânica e da herança das marcas?
A evolução tem sido significativa. Os consumidores têm hoje acesso a muito mais informação e existe uma cultura relojoeira crescente, impulsionada pelos meios de comunicação especializados, pelas plataformas sociais, pelas comunidades online e pelos colecionadores. Como resultado, os clientes fazem cada vez mais perguntas sobre movimentos, acabamentos, produção, referências históricas e a origem do design. Querem compreender o que torna um relógio autêntico e o que diferencia um produto de outro. Esta evolução beneficia marcas com uma história genuína e conteúdo relojoeiro. Para a SEIKO, cria uma oportunidade para contar histórias que sempre fizeram parte da empresa, mas que talvez não fossem anteriormente tão conhecidas em Portugal.
Qual é a importância da experiência de retalho físico num momento em que o comércio online continua a crescer?
Continua a ser extremamente importante, sobretudo na relojoaria premium. Os canais digitais são essenciais para a descoberta, pesquisa e conveniência, mas os relógios são produtos com uma forte dimensão tátil. As proporções, o peso, os acabamentos, a textura do mostrador e a forma como um relógio assenta no pulso são muito difíceis de transmitir plenamente através de um ecrã. A loja física acrescenta também algo que a tecnologia não consegue substituir completamente: a interação humana e o aconselhamento especializado. Na realidade, quanto mais informado o consumidor se torna através do digital, maior pode ser o valor de uma experiência física de elevada qualidade.
“Os canais digitais são essenciais para a descoberta, pesquisa e conveniência, mas os relógios são produtos com uma forte dimensão tátil”.
Qual é hoje o equilíbrio ideal entre os canais digitais e as lojas físicas para uma marca de relojoaria em Portugal?
Não vemos o digital e o retalho físico como canais concorrentes. São diferentes etapas do mesmo percurso do cliente. Um consumidor pode descobrir um relógio nas redes sociais, pesquisá-lo no nosso website, consultar análises especializadas, visitar uma Boutique para o experimentar e, eventualmente, concluir a compra através do canal que lhe for mais conveniente. O nosso papel é garantir que a experiência é coerente ao longo de todo esse percurso. O digital proporciona alcance e conveniência; o retalho físico proporciona imersão, confiança e emoção. A estratégia mais forte é aquela que combina ambos.

A abertura da loja de Lisboa acontece num momento em que o grupo SEIKO continua a crescer globalmente. Como se enquadra Portugal na estratégia internacional da marca?
Portugal não é um dos maiores mercados mundiais de relojoaria em termos absolutos, mas é um mercado com características muito atrativas para o desenvolvimento da SEIKO. Temos uma forte notoriedade da marca, uma rede de retalho consolidada, consumidores cada vez mais sofisticados, um importante fluxo de turismo internacional e, muito relevante, um forte crescimento recente. A Boutique enquadra-se, por isso, de forma muito natural na estratégia internacional mais ampla da SEIKO de reforço das suas Global Brands, de melhoria da qualidade da distribuição e de criação de relações mais diretas e significativas com os consumidores. Para nós, Portugal representa um mercado onde acreditamos existir ainda um potencial substancial para aumentar tanto a dimensão comercial como o valor percecionado da marca.
O grupo tem vindo a reforçar uma estratégia centrada no conceito de “Emotional Value Solutions”. O que significa este conceito, na prática, para o negócio da relojoaria?
O domínio de “Emotional Value Solutions” (EVS) é uma área central de negócio do grupo Seiko, que procura criar valor emocional através de produtos e serviços de qualidade excecional, capazes de proporcionar inspiração. Integra o negócio de relojoaria, bem como o negócio de relógios de parede e mesa e a atividade de retalho da Wako. No que respeita à relojoaria, acredito que este conceito parte do princípio de que o valor de um relógio não pode ser medido apenas através das suas especificações funcionais. A precisão, a durabilidade, os movimentos e os materiais continuam, naturalmente, a ser fundamentais, mas os consumidores valorizam igualmente o design, o savoir-faire, a herança, a identidade pessoal e as emoções associadas à posse e utilização de um relógio. No negócio da relojoaria, “Emotional Value Solutions” significa reunir todas estas dimensões. Queremos criar produtos com um desempenho excecional, mas que tenham também significado e sejam capazes de gerar uma ligação emocional duradoura. Por outras palavras, não estamos apenas a criar instrumentos que medem o tempo; estamos a criar objetos que passam a fazer parte da vida das pessoas.
De que forma as Boutiques Seiko contribuem para esta estratégia de criação de valor emocional para os consumidores?
Uma Boutique Seiko dá-nos a oportunidade de controlar e enriquecer todos os elementos da experiência do cliente. Podemos definir a forma como as coleções são apresentadas, como as suas histórias são contadas, como as nossas equipas são formadas e como os clientes são recebidos e aconselhados. Permite-nos também criar oportunidades que vão além da transação comercial: lançamentos, apresentações exclusivas, eventos para colecionadores, experiências educativas e iniciativas relacionadas com a cultura japonesa e a herança relojoeira da SEIKO. É aí que o valor emocional se torna tangível. A relação começa com o produto, mas não deve terminar com a compra.
Que potencial de crescimento continua a identificar para a marca em Portugal? Poderá a abertura desta primeira loja ser o primeiro passo para uma expansão mais alargada da rede de retalho de gestão direta no país?
Continuamos a identificar um potencial significativo para a SEIKO em Portugal, tanto em termos comerciais como de posicionamento da marca. No entanto, queremos crescer de forma disciplinada e seletiva. A nossa prioridade imediata é fazer da Boutique de Lisboa um sucesso e estabelecê-la como uma referência para a SEIKO em Portugal. A loja permitir-nos-á aprender muito sobre os nossos clientes, sobre o desempenho das diferentes coleções e sobre a forma como o mercado responde a uma experiência de marca mais profunda. Esse conhecimento irá naturalmente contribuir para futuras decisões. Nesta fase, não existe um plano previamente definido para a abertura de Boutiques adicionais, nem existem outras cidades que pretendamos anunciar. O nosso objetivo não é expandir rapidamente, mas expandir da forma certa. Se, no futuro, surgirem oportunidades que acrescentem verdadeiramente valor à marca e à experiência do cliente, naturalmente iremos analisá-las.
“A loja permitir-nos-á aprender muito sobre os nossos clientes e sobre o desempenho das diferentes coleções”

Quais são as principais tendências que espera que venham a marcar o mercado português de relojoaria nos próximos anos?
Acredito que continuaremos a assistir a consumidores cada vez mais informados e seletivos. Isso aumentará a importância da autenticidade, da proveniência, do savoir-faire e de identidades de marca fortes. A relojoaria mecânica deverá continuar a beneficiar da procura por produtos que ofereçam algo diferente num quotidiano cada vez mais digital. Ao mesmo tempo, os consumidores mais jovens estão a descobrir os relógios não apenas como objetos funcionais, mas também como formas de expressão do estilo e da identidade pessoal. Esperamos igualmente que a experiência do cliente adquira uma importância cada vez maior, com os consumidores a transitarem de forma natural entre a pesquisa digital e o retalho físico. Por último, acredito que as identidades culturais diferenciadoras serão cada vez mais valorizadas. No caso da SEIKO, a nossa herança japonesa proporciona-nos um território de comunicação muito autêntico e diferenciador.
Onde gostaria que a SEIKO estivesse posicionada no mercado português dentro de três a cinco anos?
A nossa ambição é que a SEIKO seja reconhecida como uma das grandes referências da relojoaria e como uma marca cada vez mais premium e aspiracional em Portugal. Queremos preservar tudo aquilo que conquistou a confiança dos consumidores portugueses ao longo de várias décadas – qualidade, fiabilidade, precisão e inovação, reforçando simultaneamente a perceção de savoir-faire, design, herança, exclusividade e desejabilidade. Queremos também que os consumidores compreendam a extraordinária profundidade da marca: desde uma relojoaria mecânica acessível até produtos altamente sofisticados que demonstram aquilo que a SEIKO é capaz de fazer enquanto verdadeiro fabricante de relojoaria. Em última análise, quando um consumidor português considerar a aquisição de um relógio mecânico de elevada qualidade ou de um relógio premium, queremos que a SEIKO esteja naturalmente entre as marcas que considera, não apenas porque confia nela, mas porque a deseja.





