A Galp registou um resultado líquido ajustado de 812 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um aumento de 44% face ao período homólogo, sustentado sobretudo pelo crescimento da produção de petróleo no Brasil e pela valorização do preço do Brent. Ao mesmo tempo, a energética reforçou a sua estratégia de transição energética, anunciando a aquisição de mais 15 parques eólicos em Espanha por 420 milhões de euros, elevando para 740 milhões o investimento realizado este ano em ativos eólicos no mercado ibérico.
No segundo trimestre, o resultado líquido ajustado ascendeu a 540 milhões de euros, mais 45% do que no mesmo período de 2025.
Segundo a empresa, a principal alavanca dos resultados foi o aumento de 17% da produção de petróleo e gás natural, impulsionado pela entrada em operação e fase de aceleração (“ramp-up”) do campo de Bacalhau, no pré-sal brasileiro, bem como pela valorização de 28% do preço médio do Brent, que atingiu os 92,3 dólares por barril.
“Estes resultados refletem a qualidade dos nossos ativos e a capacidade de execução das nossas equipas, mesmo num contexto de elevada volatilidade. Mantemos uma forte disciplina financeira, enquanto continuamos a investir em oportunidades que reforçam a competitividade e o potencial de crescimento da Galp”, afirma Maria João Carioca, co-CEO e CFO da empresa.
Produção no Brasil continua a ser o principal motor
O segmento de Upstream – exploração e produção de petróleo e gás – voltou a assumir o papel de principal gerador de resultados da Galp. O EBITDA desta área cresceu mais de 70%, tanto no primeiro semestre como no segundo trimestre, representando 62,5% do EBITDA total da empresa nos primeiros seis meses do ano.
No conjunto da atividade, o EBITDA consolidado aumentou 47%, para 2.216 milhões de euros, enquanto no segundo trimestre subiu 52%, para 1.272 milhões.
Também o segmento Industrial & Midstream beneficiou do contexto internacional favorável. A elevada margem de refinação – que atingiu 15,8 dólares por barril – e o reforço das exportações permitiram ao EBITDA desta divisão crescer 22%, para 656 milhões de euros, tendo o contributo das exportações mais do que duplicado.
A atividade de trading de gás natural e produtos petrolíferos, incluindo o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) contratado à Venture Global, reforçou igualmente os resultados.
No total, mais de 90% do EBITDA da Galp foi gerado fora de Portugal, refletindo o peso crescente das operações internacionais da empresa.
Comercial recupera e renováveis enfrentam pressão nos preços
A área Comercial também apresentou uma evolução positiva, apoiada pela recuperação das vendas de gás natural, eletricidade e do segmento empresarial na Península Ibérica.
O EBITDA desta unidade aumentou 21% no semestre, para 197 milhões de euros, e 12% no segundo trimestre, atingindo 113 milhões.
Já o negócio das energias renováveis registou uma evolução operacional positiva, com crescimento da capacidade instalada e da produção elétrica, impulsionado pela aquisição de ativos eólicos em Espanha, pela entrada em funcionamento de 230 MW de capacidade solar e pela incorporação de 55 MW de armazenamento através de baterias.
Apesar disso, a descida dos preços da eletricidade — particularmente durante o primeiro trimestre, marcada pela elevada produção hidroelétrica devido às condições climatéricas — limitou o impacto financeiro desta atividade. O EBITDA trimestral das renováveis aumentou 20%, para 11 milhões de euros, mas no conjunto do semestre ficou cerca de metade do registado no mesmo período do ano anterior.
Já o resultado líquido contabilístico, apurado segundo as normas IFRS, recuou 4%, para 651 milhões de euros, refletindo sobretudo o impacto da volatilidade dos mercados e da valorização dos instrumentos de cobertura financeira.
Mais de 60% do investimento direcionado para a transição energética
Durante o primeiro semestre, a Galp investiu 696 milhões de euros, mais 44% do que no mesmo período do ano passado. Cerca de 70% deste montante foi aplicado na Península Ibérica, incluindo 109 milhões de euros destinados à transformação da Refinaria de Sines, onde decorrem projetos ligados ao hidrogénio verde, combustíveis de baixo carbono e outras iniciativas de descarbonização.
No total, 442 milhões de euros – equivalentes a 63% do investimento realizado – foram canalizados para projetos de transição energética, enquanto o restante foi aplicado sobretudo no desenvolvimento do campo de Bacalhau e na perfuração de novos poços em Tupi, no Brasil. Considerando desinvestimentos, o investimento líquido (net capex) ascendeu a 799 milhões de euros.
Nova aquisição reforça posição nas renováveis
Em paralelo com a divulgação dos resultados, a Galp anunciou a aquisição à espanhola Acciona Energía de um portefólio de 15 parques eólicos em Espanha, num negócio avaliado em 420 milhões de euros.
Os ativos, distribuídos por várias regiões espanholas, totalizam 361 MW de capacidade instalada e deverão produzir cerca de 800 GWh de eletricidade por ano. Com entrada média em operação em 2005, encontram-se totalmente operacionais.
Segundo Georgios Papadimitriou, responsável executivo pela área das Renováveis da Galp, a operação “reforça a qualidade e a diversificação do nosso portefólio renovável na Península Ibérica, acrescentando ativos com um sólido histórico operacional e perfis de geração complementares”.
Com esta aquisição, a capacidade renovável instalada da Galp aumenta para 2,7 GW, permitindo gerar cerca de 5 TWh de eletricidade por ano, sendo que a energia eólica passa agora a representar aproximadamente 30% do mix renovável da empresa.
Esta é a segunda grande aquisição de ativos eólicos realizada pela Galp em 2026. Em abril, a empresa já tinha comprado um portefólio de 351 MW também em Espanha. No conjunto, as duas operações representam um investimento de 740 milhões de euros e acrescentam mais de 700 MW de capacidade distribuída por 32 parques eólicos, reforçando a estratégia da energética para expandir a produção de eletricidade de baixo carbono na Península Ibérica.
com Lusa





