A Galp prevê alcançar um resultado operacional bruto (EBITDA) ajustado de 5.000 milhões de euros em 2026, acima dos 4.000 milhões anteriormente estimados, e um fluxo de caixa operacional ajustado de 3.900 milhões de euros, face aos cerca de 3.000 milhões previstos anteriormente. A previsão de investimento orgânico mantém-se nos 1.000 milhões de euros. A revisão das estimativas, dada agora a conhecer, reflete o desempenho operacional dos primeiros nove meses do ano e as perspetivas mais favoráveis para os mercados energéticos.
Segundo os resultados divulgados esta segunda-feira, referentes ao período entre janeiro e setembro, o EBITDA ajustado cresceu 54%, para 3.737 milhões de euros. A evolução positiva dos resultados foi sustentada sobretudo pela atividade de exploração e produção de petróleo e gás. No Brasil, a produção atingiu um novo máximo de 131 mil barris por dia, beneficiando do aumento progressivo da produção no campo de Bacalhau. A subida do preço do petróleo também contribuiu para o desempenho: o Brent, referência para o mercado europeu, passou de uma média de 70,9 dólares por barril nos primeiros nove meses de 2025 para 93,9 dólares no mesmo período deste ano.
A área de exploração e produção gerou cerca de 2.000 milhões de euros de EBITDA nos primeiros nove meses, mais 67% do que um ano antes e mais de metade do total do grupo. Já a atividade Industrial & Midstream, que inclui a refinação e a comercialização de petróleo, gás e eletricidade nos mercados internacionais, registou um EBITDA de 1.300 milhões de euros, um crescimento homólogo de 52%.
A empresa beneficiou ainda da melhoria das margens internacionais de refinação, que atingiram 22,1 dólares por barril entre janeiro e setembro e 34 dólares no terceiro trimestre. De acordo com a Galp, a refinaria de Sines operou perto da capacidade máxima durante o período.
A atividade comercial gerou um EBITDA de 344 milhões de euros nos primeiros nove meses, mais 22% do que no período homólogo, impulsionada pela recuperação das vendas de produtos petrolíferos, gás natural e eletricidade a empresas na Península Ibérica. O crescimento das vendas de combustíveis a clientes empresariais, sobretudo em Espanha, compensou a redução do consumo dos particulares em Portugal e em África.
Também o negócio das energias renováveis registou uma evolução positiva, com o EBITDA a aumentar 67%, para 57 milhões de euros.
Galp revê previsões para 2026
A petrolífera reviu igualmente os pressupostos para os mercados energéticos. Passou a considerar um preço médio do Brent de 90 dólares por barril em 2026, acima dos 80 dólares anteriormente previstos, e elevou a estimativa da margem de refinação de 13 para cerca de 25 dólares por barril equivalente. Para o gás natural no mercado ibérico, a previsão subiu de 40 para 55 euros por megawatt-hora.
As novas estimativas surgem num contexto de tensões no Médio Oriente e de perturbações no abastecimento energético internacional, incluindo no estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.
A Galp investiu 1.340 milhões de euros entre janeiro e setembro, mais 87% do que no período homólogo, sobretudo devido à aquisição de ativos eólicos em Espanha, num investimento conjunto de 738 milhões de euros. Do investimento total, 960 milhões de euros foram destinados a projetos de descarbonização, incluindo iniciativas de baixo carbono na refinaria de Sines. A atividade de exploração e produção recebeu 277 milhões de euros, destinados principalmente ao desenvolvimento do campo de Bacalhau, no Brasil.
Negociações com a Moeve chegam ao fim
Apesar da melhoria dos resultados e da revisão em alta das previsões anuais, a Galp anunciou o fim das negociações com a Moeve para uma possível combinação dos negócios de refinação, petroquímica e comercialização de combustíveis na Península Ibérica. As duas empresas não conseguiram chegar a acordo sobre os termos da operação.
As negociações tinham sido iniciadas na sequência do acordo não vinculativo anunciado em 8 de janeiro com os acionistas da Moeve, a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o grupo norte-americano Carlyle.
O projeto previa a integração dos negócios das duas empresas, incluindo a refinaria de Sines, em Portugal, e as unidades industriais de Huelva e Cádis, em Espanha. O objetivo era criar um operador de maior dimensão na refinação e comercialização de combustíveis na Península Ibérica, com potencial para reforçar a posição competitiva das empresas no mercado europeu.
“Embora o racional estratégico da operação proposta continue a fazer sentido, as partes não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário”
A operação tinha suscitado preocupações por parte do Governo português. No início de julho, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que o executivo estava a estudar instrumentos legais para garantir que a refinaria de Sines permanecesse em Portugal e assegurasse o abastecimento prioritário do país em situações de crise.
A Galp garantiu que o fim das negociações não terá impacto nas operações atuais nem altera as prioridades de investimento. A empresa mantém a confiança no potencial de criação de valor dos seus negócios de refinação e comercialização, destacando a rede de postos de abastecimento em Portugal e os projetos de transição energética em Sines, incluindo a produção de hidrogénio verde e de biocombustíveis avançados.
A presidente do conselho de administração da Galp, Paula Amorim, lamentou a falta de entendimento, considerando que a operação representava uma oportunidade para criar um grande operador europeu de refinação e comercialização: “Embora o racional estratégico subjacente à operação proposta continue a fazer sentido, as partes não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário para estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor a longo prazo”, afirmou.
com Lusa





