Fraude com IA explodiu. Esta start-up de verificação de documentos está a lucrar com isso

A Checkr, sediada em São Francisco, começou por verificar os antecedentes criminais de motoristas da Uber e de trabalhadores da chamada economia gig, modelo de trabalho flexível baseado em tarefas pontuais, sem vínculos laborais tradicionais, desenvolvido a partir de plataformas digitais. Essa atividade inicial permitiu ao cofundador e CEO da Checkr, Daniel Yanisse, transformar a…
ebenhack/AP
A explosão de fraudes alimentadas por inteligência artificial está a acelerar o crescimento da Checkr, startup norte-americana de verificação de documentação diversa que viu a sua receita bruta subir 14%, para 800 milhões de dólares (cerca de 687M€), à medida que empresas tentam detetar currículos e documentos financeiros falsificados.
Negócios

A Checkr, sediada em São Francisco, começou por verificar os antecedentes criminais de motoristas da Uber e de trabalhadores da chamada economia gig, modelo de trabalho flexível baseado em tarefas pontuais, sem vínculos laborais tradicionais, desenvolvido a partir de plataformas digitais. Essa atividade inicial permitiu ao cofundador e CEO da Checkr, Daniel Yanisse, transformar a empresa numa operação atualmente avaliada em 5 mil milhões de dólares (aproximadamente 4,29 mil milhões de euros).

Agora, uma nova vaga de fraude de colarinho branco impulsionada pela inteligência artificial generativa está a acelerar a próxima fase de crescimento da Checkr. Segundo Yanisse, pelo menos 40% das candidaturas a empregos e pedidos de crédito analisados por esta empresa norte-americana continham informações financeiras ou profissionais imprecisas ou falsas. Cada vez mais, quem comete estas fraudes recorrem a ferramentas como o ChatGPT ou o Gemini, da Google, para criar documentos falsos altamente convincentes, incluindo recibos de vencimento.

“Este ano foi a primeira vez que vimos fraudes em grande escala a ocorrer no mercado de trabalho, com alguns destes candidatos falsos sofisticados, gerados por IA, a candidatarem-se tanto a pequenas startups como a grandes empresas”, disse Daniel Yanisse à Forbes, em entrevista.

Yanisse afirmou que a empresa é lucrativa há vários anos, tendo gerado mais de 500 milhões de dólares em receitas líquidas (cerca de 429 milhões de euros), valor que exclui as taxas pagas a departamentos de veículos motorizados e tribunais no âmbito das verificações de antecedentes. No entanto, graças à expansão da sua atividade para a verificação do histórico profissional de trabalhadores administrativos, a receita bruta da Checkr cresceu para mais de 800 milhões de dólares (cerca de 687 milhões de euros), um aumento de 14% face aos 700 milhões de dólares registados em 2024 (aproximadamente 601 milhões de euros).

Este crescimento, aliado à expansão internacional da Checkr, que já opera em 195 países, coloca a empresa numa posição que pode antecipar uma oferta pública inicial. Yanisse, antigo nome da lista Forbes 30 Under 30, recusou comentar o calendário, mas admitiu que essa possibilidade faz parte dos objetivos de curto a médio prazo da empresa.

Reviravolta no negócio

A nova fase de crescimento surge depois de um período de estagnação, em que a receita ficou parada nos 700 milhões de dólares (cerca de 601 milhões de euros) em 2023. No início de 2024, a Checkr reduziu 32% da sua força de trabalho. Mais tarde, nesse mesmo ano, Yanisse lançou um serviço de verificação de identidade, após ouvir de forma recorrente os seus clientes, desde pequenas empresas a grupos do índice S&P 500, que as dificuldades nos processos de contratação estavam a aumentar.

Esses problemas vão desde candidatos que embelezam o seu percurso profissional até hackers norte-coreanos que tentam obter empregos como programadores em startups e grandes empresas tecnológicas.

Coreia do Norte ativa

Segundo este especialista, o regime da Coreia do Norte terá arrecadado dezenas de milhões de dólares nos últimos anos através de esquemas que recorrem a identidades geradas por IA, emprestadas ou roubadas, para colocar trabalhadores norte-coreanos em empresas, incluindo gigantes tecnológicos como a Amazon. “A necessidade de verificar identidades e credenciais nunca foi tão grande para as empresas”, afirmou Yanisse.

A Checkr foi fundada em 2014, focada inicialmente em verificações de antecedentes criminais e cartas de condução para empresas da economia gig, como a Uber. Desde então, tem enfrentado controvérsias relacionadas com trabalhadores que, apesar de antecedentes criminais violentos, infrações rodoviárias ou até alegações de crimes de guerra – um “caso extremo”, segundo Yanisse – conseguiram ser contratados. A empresa sublinha que fornece dados, cabendo aos seus clientes todas as decisões de contratação.

Atualmente, a Checkr realiza também verificações de rendimentos e registos financeiros para bancos, empresas de cartões de crédito e entidades de crédito. Com cerca de 800 colaboradores, a empresa disponibiliza ainda verificações de antecedentes para fins pessoais, como a validação de uma ama ou de um par conhecido através da aplicação Hinge, desde que exista consentimento.

Yanisse recusou comentar casos concretos, mas defendeu que a Checkr é “o serviço de verificação de antecedentes mais preciso do mundo”. “Servimos dezenas de milhões de consumidores e preocupamo-nos profundamente com a justiça”, afirmou. “Trabalhamos tanto com consumidores como com os nossos grandes clientes para garantir que todas as decisões sejam rigorosas e justas.”

A última ronda de financiamento da Checkr, realizada em 2022, avaliou a empresa em 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,29 mil milhões de euros), após a captação de 120 milhões de dólares (aproximadamente 103 milhões de euros). No total, a startup já angariou 800 milhões de dólares junto de investidores como a Durable Capital, a Accel e a Coatue.

Iain Martin/Forbes Internacional

Mais Artigos