A revista Forbes Portugal acaba de publicar mais uma edição da sua lista anual dedicada aos maiores patrimónios nacionais. Família a família, vamos dar-lhe a conhecer quais são as 50 mais poderosas no mundo dos negócios e quais as suas respetivas fortunas, avaliadas no final do ano passado.
Ano após ano, as herdeiras do império criado pelo falecido empresário Américo Amorim consolidam mais pouco a sua posição de família mais rica do país. A uma distância de cerca de 2,6 mil milhões de euros da segunda classificada, a família Soares dos Santos, as quatro mulheres Amorim mantêm-se de pedra e cal no pódio das maiores fortunas nacionais. A avaliação da Forbes aponta para um valor de cerca de 5 850 milhões de euros, atualizado ao dia 2 de dezembro, o que lhe atribui a 562ª posição no ranking mundial dos maiores patrimónios, liderado por Elon Musk.
Maria Fernanda Ramos Amorim, viúva de Américo, e as suas três filhas, Paula, a mais velha, Marta e Luísa, a mais nova, partilham entre si a maior fatia do património empresarial do país, sustentado sobretudo em dois grandes ativos: a Galp e a Corticeira Amorim. Américo Amorim, falecido em 2017, iniciou a construção da sua fortuna pela área industrial, engrandecendo, com os seus irmãos um pequeno negócio da família, o fabrico de rolhas de cortiça, fundado pelo avô, António Alves de Amorim, em 1870. Desde então foram muitas as modificações num negócio que se tornou líder mundial no setor da cortiça e que valeu ao empresário de Mozelos o apelido de Rei da Cortiça. Hoje, o negócio, tem uma capitalização bolsista de perto de 900 milhões de euros, apesar de já ter valido mais, – na avaliação de 2024, a corticeira valia cerca de 1,11 mil milhões de euros – estando as suas ações a cotar a cerca de 6,56 euros no dia da análise da Forbes.
A cerca de 2,6 mil milhões de euros de distância da segunda classificada, as quatro mulheres Amorim continuam isoladas na primeira posição do ranking da Forbes Portugal, com uma avaliação total de 5,85 mil milhões de euros.
Mas o maior ativo das quatro mulheres é mesmo a sua participação no capital da Galp, através da sociedade Amorim Energia, que detém 36,7% da empresa. A companhia energética nacional está avaliada pelo mercado em cerca de 12,2 mil milhões de euros, com as ações a cotar a 17,55 euros no dia 2 de dezembro. Paula Amorim continua a ser a mais mediática das três empresárias. Preside ao conselho de administração da Galp desde 2016, atividade que acumula com os seus negócios na área do luxo. Fundou o Amorim Luxury Group em 2005, tendo adquirido a conceituada loja de luxo Fashion Clinic, seguindo-se a aquisição de uma participação na Tom Ford, entretanto vendida. Representa mais de 100 marcas de luxo. Paula Amorim está ainda a investir na sua marca de restauração e hotelaria, a JNcQuoi, no imobiliário, na Comporta, e criou ainda a sua marca de moda, Paula. Marta Amorim lidera a holding familiar, o Grupo Américo Amorim, e Luísa Amorim está a fazer o seu caminho na área dos vinhos e do enoturismo, investindo na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, onde abriu o primeiro hotel vínico, na quinta da Taboadella, no Dão e, num projeto mais recente, no Alentejo.
Saiba qual foi a metodologia aplicada nas avaliações
A Forbes Portugal avalia anualmente o património de cerca de cem empresários portugueses, usando para isso as suas participações em sociedades cotadas e não cotadas. Em vários casos, naqueles em que não é possível aferir as participações específicas de cada membro, ou em casos de heranças indivisas, é avaliada a posição da família como um todo. No caso da família Amorim, a única presente no ranking internacional, utilizamos os cálculos, atualizados ao dia de 2 dezembro de 2025, do site da Forbes International.
Para todas as outras foram feitas avaliações empresariais que não pretendem mais do que ser apenas o produto de uma intensa pesquisa jornalística, que resulta da consulta de informação disponível em relatórios e contas de empresas, sobretudo relativas ao exercício de 2024, de textos publicados nos órgãos de comunicação social bem como da consulta de fontes próximas. Os dados recolhidos resultam de informação pública, acessível, e a sua veracidade depende da transparência desses mesmos dados. Não nos é possível avaliar a liquidez existente em contas bancárias dos protagonistas, dentro ou fora do país, bem como as suas dívidas pessoais e outros créditos associados, tal como carteiras de ações não divulgadas, ou participações não qualificadas. Foram excluídos do estudo elementos em que as dificuldades financeiras são do domínio público.
Para encontrar o valor de mercado da empresa aplica-se o valor dos resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), vezes o múltiplo do setor, excluindo-se ainda a dívida líquida.
Para avaliar as empresas cotadas foram tidas em conta as cotações das sociedades à data de 2 de dezembro de 2025, o mesmo acontecendo nas holdings de empresas cotadas. Nestas últimas utilizou-se o valor do mercado da casa-mãe, pois as empresas por ela detidas não podem ser livremente negociadas.
Para proceder às avaliações patrimoniais, nas holdings não cotadas foi aplicada a avaliação da soma das partes, e nas sociedades do grupo foi aplicado, individualmente ou consolidado, o método dos múltiplos EV/EBIDTA, utilizando para isso a lista dos múltiplos de Damodaran. Para encontrar o valor de mercado da empresa aplica-se o valor dos resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), vezes o múltiplo do setor, excluindo-se ainda a dívida líquida. Nas sociedades imobiliárias, utilizou-se o valor dos capitais próprios. As empresas da banca não cotadas foram calculadas através da utilização do PER do setor aplicado sobre os lucros. Para as sociedades cotadas foi usado o valor bolsista das mesmas.





