A Eurotux, empresa de tecnologias de informação sediada em Braga, que definiu o Reino Unido como eixo fulcral do crescimento além-fronteiras, apostou agora no rebranding da sua operação neste mercado. Com base nesta decisão, a empresa Harvest Systems Support, até agora a operar sob a marca Raycon, passará a atuar como Eurotux UK, reforçando o alinhamento com a marca global do grupo bracarense.
O grupo explica que esta mudança resulta da estratégia de integração das operações britânicas da Eurotux, após a aquisição de duas empresas locais: a Harvest System Support, com presença nos setores financeiro e legal em Londres, e a Busted Networks, centrada no segmento das PME no sul de Inglaterra. Foi, entretanto, criada a holding Eurotux UK Limited, que agrega as participações do grupo neste mercado.
A Busted Networks continuará a operar com a sua marca atual, sendo que a transição da operação londrina para Eurotux UK “representa um passo natural no processo de convergência para uma identidade única e global”.
Em entrevista exclusiva à Forbes Portugal, o CEO do grupo Eurotux, António Coutinho, assume que “a decisão de usar a marca Eurotux nas nossas participadas do Reino Unido representa uma evolução natural da nossa expansão para esse mercado”. António Coutinho realça ainda que “significa que já conseguimos que a marca seja reconhecida pelos nossos clientes britânicos da mesma forma como é reconhecida em Portugal: como sinónimo de competência e, principalmente, confiança”.
Reino Unido é a prioridade além-fronteiras
O gestor admite que o mercado britânico é central para o crescimento da empresa, sendo o “foco quase exclusivo de internacionalização. Isso justifica-se por ser uma grande economia, altamente desenvolvida, no mesmo fuso horário, e na qual sentimos grande afinidade cultural e linguística, dado o excelente nível de domínio da língua inglesa que neste momento existe em Portugal”.
António Coutinho reforça ainda que, “o mercado britânico é a nossa grande aposta de internacionalização. Nos próximos anos o nosso foco será crescer tanto em Portugal como no Reino Unido, com maior enfase no segundo, uma vez que partimos de uma base muito menor, num mercado de muito maior dimensão”.
Questionado sobre se esta integração sob a marca Eurotux UK sinaliza uma nova fase de maturidade da operação internacional, neste caso no Reino Unido, António Coutinho confirma este facto destacando que “acontece numa fase em que as nossas equipas dos dois países já trabalham de forma unificada e que a identidade do grupo Eurotux já se sobrepôs à das empresas originais”.
Sobre os desafios da integração resultantes das aquisições no Reino Unido, António Coutinho começa por dizer que “qualquer aquisição de empresas tem desafios de integração. Neste caso, a aquisição de uma empresa num outro país aumentou esses desafios por existirem sempre algumas diferenças culturais e algumas barreiras de comunicação”. Como exemplo, “posso realçar que descobrimos que a forma de falar dos portugueses em ambiente de trabalho é considerada demasiado direta pelos britânicos, habituados a investir mais nas expressões e tom usado”. Outra constatação é que “sentimos desde o início que o facto de ser uma PME portuguesa a adquirir empresas britânicas cause sempre alguma estranheza, uma vez que a dimensão relativa das duas economias torna a situação inversa mais frequente e natural”.
A PME que concorre com os grandes
Num mercado tão competitivo como o britânico onde operam players globais, António Coutinho salienta que, tal como em Portugal, a Eurotux compete com grandes operadores e “tem sempre encontrado forma de ter uma oferta de valor bem-sucedida. No Reino Unido, este mercado de serviços, realmente muito competitivo, está dominado por empresas que fornecem os seus serviços de forma remota, principalmente do subcontinente indiano”. Face a este cenário, admite que a oferta da PME portuguesa tenta distinguir-se de três formas: “Fazemos questão de manter uma equipa local, que é o primeiro ponto de contacto com os clientes e que privilegia a interação pessoal e, sempre que adequado, as deslocações físicas. Tornamos sempre muito claro aos clientes que a nossa equipa portuguesa está a duas horas de avião, e aproveitamos todas as oportunidades para promover essas visitas. Também tiramos partido do facto de estarmos exatamente no mesmo fuso horário, o que tem vantagens substanciais sobre as empresas que atuam a partir da Ásia”.
A gestão baseada em datacenters desempenha um papel central na proposta de valor, já que, “sempre foi uma componente importante dos nossos serviços, mas sempre integrada numa oferta que também contempla a gestão assente em infraestruturas próprias dos clientes (on-prem) e em serviços de cloud pública”, sublinha o gestor.
A oferta da empresa está a evoluir para serviços de maior valor acrescentado, como cibersegurança e managed services. O gestor considera que é um imperativo de qualquer empresa tentar evoluir para serviços de maior valor acrescentado. “Essa necessidade está a acelerar-se com o aumento exponencial das capacidades da inteligência artificial, que obrigará necessariamente as empresas a afastarem-se das tarefas mais simples, que são facilmente automatizáveis”, sublinha.
Perante a pergunta de onde quer posicionar a tecnológica no médio prazo, a resposta de António Coutinho é clara: “A Eurotux é uma PME com uma gestão prudente que quer crescer sempre de forma sustentada. Daremos os nossos passos nesse sentido, reforçando-nos nos mercados onde já estamos presentes, sem excluir que aproveitemos outras oportunidades que surjam”.
E rematou dizendo lembrando que: “O que nos move não é ser um grande player europeu ou global, mas sermos capazes de acompanhar os nossos clientes de forma eficaz, confiável e segura, muitas vezes quase invisível, mas indispensável”.





