As tensões geopolíticas que se vivem atualmente no mundo, em especial no Médio Oriente, não estão a criar um cenário muito otimista para os negócios. Depois da pandemia e da guerra na Ucrânia, o conflito no Irão está a deixar a economia mundial mais frágil, com os fortes impactos do aumento da energia e constrangimento nas cadeias de abastecimentos.
Um relatório intitulado Insolvency Outlook, realizado pela Crédito Y Cáucion, empresa do grupo Atradius, que analisa a evolução das insolvências das empresas em todo o mundo, mostra que as tensões geopolíticas continuam a pesar sobre o crescimento das empresas e a afetar as suas margens operacionais, prevendo-se, assim que os incumprimentos aumentem cerca de 3% em 2026. Isto, mantendo-se o cenário de que a circulação no Estreito de Ormuz começará a normalizar em maio. Caso contrário, as estimativas terão de ser revistas.
A análise mostra que, neste contexto, as insolvências nos Estados Unidos crescerão cerca de 8% durante este ano, uma vez que o clima económico naquele mercado enfrenta ainda desafios, como as elevadas tarifas aduaneiras e a crescente incerteza política. Porém, em sentido contrário, no caso do Canadá a multinacional especialista em seguros de crédito e de exportação prevê que as insolvências diminuam, depois de um forte aumento de falências em 2024.
O maior aumento das insolvências acontecerá na Suíça, que deverão crescer cerca de 17%, na Itália, com um incremento de 7% e em Portugal, com um crescimento de 4%. Dinamarca, Noruega e Países Baixos, pelo contrário, deverão registar uma diminuição dos processos de falência.
Já na Europa, o cenário não é muito mais animador: em toda a zona Euro, as empresas continuarão a operar sob pressão em 2026, com os preços mais elevados da energia, que se traduzem num aumento da inflação e na redução das margens operacionais. O maior aumento das insolvências acontecerá na Suíça, que deverão crescer cerca de 17%, na Itália, com um incremento de 7% e em Portugal, com um crescimento de 4%. Dinamarca, Noruega e Países Baixos, pelo contrário, deverão registar uma diminuição dos processos de falência.
Na Ásia Pacifico, a maioria dos mercados analisados pela Crédito Y Cáucion registarão quedas nas insolvências, uma vez que estavam a níveis historicamente elevados. Hong Kong e Nova Zelândia apresentam os ajustes descendentes mais acentuados, enquanto que na Austrália, no Japão e na Coreia do Sul a estabilização será mais gradual.
“A nossa previsão de insolvências deteriorou-se devido à persistência de condições económicas adversas, incluindo obrigações fiscais relacionadas com a COVID-19, aumento dos custos dos insumos e tensões comerciais continuadas. A crise no Médio Oriente, juntamente com o consequente aumento dos preços da energia, agrava as pressões existentes. O impacto nas empresas dependerá, em grande medida, da duração do conflito”, refere, em comunicado Theo Smid, economista sénior na Atradius, relativamente às previsões para 2026. Em termos mundiais, para 2027, o relatório estima que as perspectivas melhorem com uma queda de 6% nas insolvências, à medida que a inflação diminua, os mercados energéticos normalizem e os bancos centrais recuperem margem para cortar as taxas de juro.





