Hoje celebramos o Dia Mundial da Felicidade que tem vindo a ganhar relevância também no mundo empresarial. Que importância atribui hoje à felicidade no local de trabalho?
Durante muito tempo as empresas acreditaram que o caminho para o sucesso passava apenas por processos, tecnologia e estratégia. Hoje sabemos que o verdadeiro diferencial competitivo são as pessoas. A felicidade no trabalho não é um conceito romântico. É uma estratégia de gestão. Empresas com pessoas motivadas, respeitadas e envolvidas tomam melhores decisões, inovam mais e são mais resilientes nos momentos difíceis. Foi exatamente essa convicção que nos levou a construir no Grupo Bernardo da Costa uma cultura onde o bem-estar, a saúde, a segurança e o equilíbrio entre vida profissional, pessoal e familiar são prioridades.
Costumo dizer muitas vezes uma frase que resume a nossa visão. “Empresas com pessoas felizes não são empresas ingénuas. São empresas inteligentes.” E os resultados confirmam isso. Aquilo que começou como uma só empresa de instalações elétricas com 38 colaboradores no Norte de Portugal transformou-se num grupo com 19 empresas, 12 áreas de negócio, presença em 8 países e mais de 400 colaboradores, porque colocámos as pessoas no centro das decisões. No fundo, o que defendemos é simples. A felicidade não é o contrário da produtividade. A felicidade, alicerçada no bem-estar, na saúde, e na segurança psicológica é o motor da produtividade.
“Empresas com pessoas motivadas, respeitadas e envolvidas tomam melhores decisões, inovam mais e são mais resilientes nos momentos difíceis”
Durante muitos anos falou-se sobretudo de produtividade e resultados. Hoje fala-se cada vez mais de bem-estar. Como é que estas duas dimensões se cruzam dentro de uma organização?
Durante décadas acreditou-se que produtividade exigia pressão, controlo e hierarquia. Hoje sabemos que produtividade exige confiança, empatia, autonomia e propósito. Quando uma pessoa se sente respeitada, ouvida e valorizada, não trabalha apenas por obrigação. Trabalha com compromisso. E isso muda tudo.
Num contexto empresarial cada vez mais complexo, com inovação permanente e mercados globais, nenhuma empresa consegue crescer sustentadamente sem equipas verdadeiramente comprometidas. É por isso que insisto numa ideia que defendo há muitos anos: a produtividade nasce da competência. Mas multiplica-se pela felicidade. No Grupo Bernardo da Costa não vemos o bem-estar como um benefício. Vemos como uma condição de competitividade. As empresas que ignorarem isto vão ter cada vez mais dificuldade em atrair talento, construir equipas de alta performance e inovar.
“Nenhuma empresa consegue crescer sustentadamente sem equipas verdadeiramente comprometidas”
O Grupo Bernardo da Costa tem sido frequentemente associado a uma cultura empresarial centrada nas pessoas. Como nasceu essa visão dentro do grupo?
A cultura do grupo tem raízes muito profundas na nossa história familiar. O meu avô fundou a empresa em 1957 e logo nessa altura criou uma cultura de proximidade e família com os colaboradores. Brinco muitas vezes dizendo: quando levava os colaboradores ao fim-de-semana para a praia em Esposende ou quando os recebia, a todos, para almoçar em sua casa ao sábado, ele já tinha nessa época o seu departamento da felicidade, só não o chamava como tal. O meu pai e o meu tio deram continuidade ao projeto e a esta cultura durante décadas. Sempre houve uma relação muito próxima com as pessoas que trabalhavam connosco. Quando assumi a liderança do grupo em 2011, a minha convicção foi simples: se queríamos crescer, tínhamos de crescer com as pessoas e não apesar delas. Foi nesse momento que começámos a estruturar aquilo que hoje é uma das nossas marcas identitárias. Criámos o departamento da felicidade, implementámos práticas de participação das equipas nos processos de decisão e passámos a olhar para o bem-estar como parte integrante da estratégia empresarial. A verdade é que muitas vezes as empresas tratam a cultura como um discurso. Nós tratámos a cultura como uma prática. A cultura de uma empresa não está nas paredes. Está nas decisões que os líderes tomam todos os dias.
“Quando assumi a liderança do grupo em 2011, a minha convicção foi simples: se queríamos crescer, tínhamos de crescer com as pessoas e não apesar delas”.
Que iniciativas concretas têm sido implementadas para promover o bem-estar e a motivação das equipas?
Ao longo dos últimos anos fomos implementando um conjunto muito vasto de iniciativas com um objetivo muito claro: construir uma organização onde as pessoas possam trabalhar com motivação, orgulho e sentido de propósito. Esse caminho não foi feito sem erros. Como costumo dizer muitas vezes, nas empresas, tal como na vida, o segredo não está em evitar todos os erros. Está em aprender rapidamente com eles e transformar cada erro numa etapa de crescimento. Investimos de forma consistente na promoção da saúde física e mental, em modelos de maior flexibilidade organizacional, na formação contínua das equipas e na criação de oportunidades reais de desenvolvimento profissional. Procurámos também reforçar algo que considero fundamental nas organizações modernas: a participação das pessoas. Criámos mecanismos de escuta ativa das equipas e incentivamos uma cultura onde as ideias podem surgir em qualquer nível da organização, independentemente da função ou da antiguidade. Mas, mais importante do que qualquer iniciativa concreta, existe um princípio que considero absolutamente essencial: a coerência da liderança. Não adianta falar de felicidade nas empresas e depois liderar com medo, pressão ou desconfiança.
“Não adianta falar de felicidade nas empresas e depois liderar com medo, pressão ou desconfiança”
As pessoas percebem rapidamente quando os discursos não correspondem à realidade. A cultura de uma organização constrói-se todos os dias, nas pequenas decisões, na forma como tratamos as pessoas, na forma como comunicamos e, sobretudo, na forma como lideramos nos momentos mais difíceis. E há ainda outro fator decisivo: a consistência. Uma cultura organizacional não se constrói apenas quando estamos motivados ou quando os resultados são positivos. Constrói-se todos os dias, com consistência, com coerência e com exemplos vindos da liderança. Quando essa consistência existe, a cultura começa a espalhar-se naturalmente por toda a organização. No fundo, acredito profundamente numa ideia simples: o maior ativo de uma empresa não são os edifícios, nem as máquinas, nem a tecnologia. São as pessoas que todos os dias escolhem dar o melhor de si para que o projeto coletivo continue a crescer.
“Nas empresas, tal como na vida, o segredo não está em evitar todos os erros. Está em aprender rapidamente com eles e transformar cada erro numa etapa de crescimento”.
Até que ponto a liderança pode influenciar o nível de felicidade e satisfação das pessoas dentro de uma empresa?
A liderança influencia absolutamente tudo. Uma liderança inspiradora pode transformar uma empresa mediana numa organização extraordinária. Pelo contrário, uma liderança tóxica consegue destruir rapidamente qualquer cultura organizacional, independentemente da dimensão ou da história da empresa. Os líderes definem o ambiente emocional das organizações. São eles que determinam se uma empresa é um lugar de medo ou um lugar de confiança, se as pessoas trabalham apenas por obrigação ou se sentem orgulho em fazer parte do projeto. Costumo defender uma ideia que considero fundamental: as pessoas não abandonam empresas. Abandonam líderes.
Por isso, liderar hoje exige muito mais do que autoridade ou conhecimento técnico. Exige empatia, capacidade de escuta, visão e, acima de tudo, a consciência de que liderar é trabalhar com pessoas e para as pessoas. Durante muitos anos, muitas organizações cometeram um erro comum, e nós próprios no Grupo Bernardo da Costa também tivemos de aprender com essa realidade. A grande maioria das pessoas que chega a cargos de liderança fá-lo porque tem mais experiência, mais antiguidade ou competências técnicas muito fortes.
Mas liderar não é apenas gerir processos, indicadores ou procedimentos. Liderar é inspirar pessoas, criar confiança, dar sentido ao trabalho e mobilizar equipas em torno de um propósito comum. E isso exige competências que muitas vezes não são ensinadas nas escolas de gestão: inteligência emocional, capacidade de comunicação, humildade para ouvir e coragem para cuidar das pessoas. Por isso acredito que um dos grandes desafios das organizações modernas passa por investir seriamente no desenvolvimento das lideranças. Não basta formar gestores. É preciso formar líderes capazes de criar ambientes onde as pessoas possam crescer, contribuir e sentir que fazem parte de algo maior. No fundo, a verdadeira diferença entre empresas medianas e empresas extraordinárias está quase sempre na qualidade da sua liderança.
“Costumo defender uma ideia que considero fundamental: as pessoas não abandonam empresas. Abandonam líderes”
Olhando para o desempenho do grupo, como avalia a evolução do Grupo Bernardo da Costa nos últimos anos do ponto de vista financeiro e de crescimento?
A evolução do grupo nos últimos anos tem sido muito significativa. Aquilo que durante muitos anos foi uma empresa com atuação essencialmente regional transformou-se, progressivamente, num grupo empresarial com presença internacional e atividade em diferentes áreas de negócio. Hoje estamos presentes em três continentes e em oito países, com um projeto empresarial cada vez mais diversificado e sólido. Em 2025 atingimos cerca de 85 milhões de euros de volume de negócios, com mais de 400 colaboradores e uma presença consolidada em vários mercados. Naturalmente que estes números são motivo de orgulho, mas acredito que os números, por si só, nunca contam toda a história. Mais importante do que o crescimento financeiro é compreender como ele foi possível. O grupo não cresceu apenas através da expansão geográfica ou da diversificação de atividades. Cresceu sobretudo porque fomos capazes de construir uma cultura organizacional forte, assente na confiança, na responsabilidade e na valorização das pessoas.
Tenho uma convicção muito clara: nenhuma empresa cresce de forma consistente se o líder tentar fazer tudo sozinho. O crescimento sustentável exige delegação, exige confiança e exige equipas competentes e comprometidas com o projeto. Ao longo destes anos tive a felicidade de trabalhar com pessoas extraordinárias. Foi precisamente essa capacidade de confiar nas pessoas, de lhes dar autonomia e responsabilidade, que permitiu ao grupo crescer e evoluir de forma sustentada. No fundo, acredito muito nesta ideia: as empresas crescem quando os líderes confiam nas suas equipas e criam condições para que cada pessoa possa dar o melhor de si. Costumo dizer muitas vezes que o crescimento sustentável nasce da combinação entre ambição empresarial e respeito pelas pessoas. E é exatamente essa combinação que tem orientado o percurso do Grupo Bernardo da Costa.
“Foi precisamente essa capacidade de confiar nas pessoas, de lhes dar autonomia e responsabilidade, que permitiu ao grupo crescer e evoluir de forma sustentada”.
Quais foram os principais motores desse crescimento e que áreas de negócio têm tido maior impacto nos resultados do grupo?
O crescimento do grupo assenta em três pilares fundamentais. O primeiro é a área da segurança e da tecnologia, onde temos empresas como a IBD Global e a AVPro, que trabalham com alguns dos principais fabricantes mundiais. O segundo é a diversificação estratégica, que nos levou a investir em novas áreas de negócio com grande potencial de crescimento. Disso são exemplo o KuantoKusta e a Rede Doutor Finanças. E o terceiro é a internacionalização. Recentemente, no início de 2026, reforçámos a nossa presença na área digital com a aquisição do adn group, que integra três empresas: adn digital partner, focada em marketing digital, adn tech, dedicada ao desenvolvimento de software, websites e aplicações, e a adn studio, especializada em fotografia, vídeo e produção audiovisual. A nossa ambição é clara. Humanizar o digital. Porque acreditamos que a tecnologia deve aproximar as pessoas e não afastá-las. Criámos também a BC 360, uma empresa vocacionada para apoiar startups, micro e pequenas empresas nas áreas de gestão, contabilidade, pessoas e jurídico. Queremos ser um parceiro próximo das empresas que estão a nascer e a crescer.
Que desafios económicos ou de mercado têm marcado atualmente a atividade do grupo?
Vivemos num tempo marcado por uma enorme volatilidade económica, por uma evolução tecnológica extremamente rápida e por uma competição global cada vez mais intensa. As empresas enfrentam hoje desafios muito complexos: a escassez de talento qualificado, a pressão permanente sobre os custos, a necessidade de acompanhar uma transformação digital acelerada e um contexto internacional marcado por instabilidade geopolítica em várias regiões do mundo. Tudo isto cria um ambiente de enorme exigência para qualquer organização. No entanto, acredito profundamente que os períodos de maior incerteza são também os períodos de maior oportunidade. Ao longo da história, são precisamente os momentos mais desafiantes que obrigam as empresas a reinventar-se, a inovar e a reforçar a sua capacidade de adaptação. Empresas com visão estratégica, com equipas fortes e com uma cultura organizacional sólida conseguem transformar os desafios em etapas de crescimento. No Grupo Bernardo da Costa temos uma convicção muito clara: a resiliência de uma organização nasce, em grande medida, da forma como trata e valoriza as suas pessoas. Quando existe uma cultura baseada na confiança, na responsabilidade e no envolvimento das equipas, as empresas tornam-se muito mais resilientes. As pessoas sentem-se parte do projeto e mobilizam-se para enfrentar os momentos mais difíceis. Essa resiliência organizacional tem sido um dos grandes ativos do nosso percurso. Tem-nos permitido enfrentar momentos de crise, superar desafios e sair muitas vezes dessas fases ainda mais fortes do que entrámos. No fundo, acredito muito nesta ideia: num mundo de incerteza permanente, a maior vantagem competitiva das empresas não está apenas na tecnologia ou no capital, mas na sua capacidade de adaptação e na força das suas pessoas.
“Os momentos mais desafiantes que obrigam as empresas a reinventar-se, a inovar e a reforçar a sua capacidade de adaptação”
Olhando para o futuro, quais são os principais projetos estratégicos do Grupo Bernardo da Costa para 2026?
Temos neste momento vários projetos estratégicos muito relevantes que refletem a ambição de crescimento e internacionalização do Grupo Bernardo da Costa. Um dos exemplos mais claros dessa estratégia é a AVPro, empresa do grupo dedicada à distribuição de soluções tecnológicas de valor acrescentado. Nos últimos anos temos vindo a desenvolver um forte processo de expansão internacional, posicionando a empresa em mercados com elevado potencial de crescimento. Em 2025 abrimos novas delegações em Pretória, na África do Sul, e em Madrid. Já em 2026 iniciámos atividade em Luanda e em Casablanca, reforçando a nossa presença no continente africano e criando novas plataformas de crescimento. Até ao final do ano prevemos também expandir a operação para a África Oriental e para a Arábia Saudita, consolidando a nossa presença em mercados estratégicos. Com parceiros tecnológicos de referência mundial, como Genetec, Bosch, IQSight e Hanwha, o nosso objetivo é posicionar a AVPro como um dos principais distribuidores de soluções tecnológicas de segurança com presença global em África e no Médio Oriente. Paralelamente, a IBD Global vive também um momento particularmente positivo. Em 2025 a empresa teve o melhor ano da sua história, consolidando a sua posição como líder ibérico na distribuição de produtos de segurança eletrónica.
“Até ao final do ano prevemos também expandir a operação para a África Oriental e para a Arábia Saudita”
O próximo passo dessa trajetória passa pela entrada em novos mercados europeus, nomeadamente França e Itália, nos próximos dois anos, reforçando a presença do grupo no espaço europeu. Outro projeto de grande relevância para o futuro do grupo é o KuantoKusta. Em 2025 a plataforma registou igualmente o melhor ano dos seus vinte anos de história, reforçando o seu posicionamento como uma das principais referências do comércio digital em Portugal. Para 2026 temos uma estratégia muito clara de crescimento nesta área, com um forte investimento no desenvolvimento do marketplace e com a preparação da expansão da plataforma para o mercado espanhol. No fundo, aquilo que estamos a fazer é preparar o grupo para uma nova etapa de crescimento internacional, assente em três pilares fundamentais: tecnologia, inovação e equipas altamente qualificadas. Acreditamos que é esta combinação que nos permitirá continuar a crescer de forma sustentável e afirmar o Grupo Bernardo da Costa como um projeto empresarial cada vez mais relevante à escala internacional.
Para terminar: que ambição tem para o grupo nos próximos anos, tanto em termos de crescimento como de cultura empresarial e impacto nas pessoas?
A nossa ambição é continuar a crescer, mas crescer com propósito. Queremos consolidar a presença internacional do grupo, reforçar a nossa posição em mercados estratégicos e continuar a investir em áreas com forte potencial tecnológico e digital. Vivemos numa época de enorme transformação e acreditamos que a inovação será um dos principais motores do crescimento das empresas nos próximos anos. Mas há algo que nunca queremos perder nesse percurso: a nossa identidade. O crescimento empresarial só faz verdadeiramente sentido quando é acompanhado por valores sólidos, por uma cultura forte e por um impacto positivo nas pessoas que fazem parte da organização. Costumo dizer muitas vezes uma frase que resume bem esta forma de pensar: prefiro uma empresa que cresce com valores do que uma empresa que cresce a qualquer preço. Se daqui a dez anos disserem que o Grupo Bernardo da Costa é um grupo global, inovador e financeiramente sólido, naturalmente ficarei satisfeito. Mas ficarei verdadeiramente orgulhoso se disserem também que é um grupo onde as pessoas gostam de trabalhar, onde existe respeito, oportunidade e sentido de propósito.
“Prefiro uma empresa que cresce com valores do que uma empresa que cresce a qualquer preço”.
Neste contexto, quer falar-nos um pouco da Associação Fernando Costa…
Sim, há uma dimensão desse impacto que para mim é profundamente pessoal. Em 2025 criámos a Associação Fernando Costa, em memória do meu irmão. Foi uma decisão que nasceu de um momento difícil, mas também de uma convicção muito forte: é possível transformar a dor em algo positivo, em algo que gera impacto e muda vidas. A associação tem um propósito muito claro: apoiar jovens no acesso ao ensino superior, porque acreditamos profundamente que a educação é o maior elevador social que existe. Se há algo que verdadeiramente pode mudar o destino de uma pessoa, de uma família e até de uma comunidade, é o acesso à educação.
A nossa ambição para 2026 e para os próximos anos é clara: crescer este projeto, chegar a mais jovens, criar mais oportunidades e contribuir de forma concreta para uma sociedade mais justa e mais equilibrada. Porque no final do dia, o sucesso de uma empresa não se mede apenas pelos resultados financeiros. Mede-se também pelo impacto que consegue gerar na vida das pessoas.
E ficarei ainda mais orgulhoso se disserem que o Grupo Bernardo da Costa é um grupo que, para além do sucesso empresarial, conseguiu também gerar um impacto positivo na sociedade e no mundo, contribuindo de forma responsável para o desenvolvimento social, ambiental, cultural e para uma governação empresarial cada vez mais ética e sustentável. No fundo, a nossa verdadeira ambição é simples: crescer enquanto empresa, mas, acima de tudo, deixar uma marca positiva na vida das pessoas.
“A associação [Fernando Costa] tem um propósito muito claro: apoiar jovens no acesso ao ensino superior, porque acreditamos profundamente que a educação é o maior elevador social que existe”
Ao longo do seu percurso como empresário e líder do Grupo Bernardo da Costa, houve algum momento ou decisão que tenha sido determinante para a forma como hoje olha para as pessoas dentro das organizações?
Houve vários momentos importantes, mas talvez o mais determinante tenha sido perceber que uma empresa só cresce verdadeiramente quando as pessoas crescem com ela. Ao longo do meu percurso tive a oportunidade de conhecer muitas empresas extraordinárias e também algumas culturas organizacionais muito tóxicas. Isso reforçou a minha convicção de que o sucesso empresarial não pode ser construído à custa das pessoas. Foi essa reflexão que me levou a escrever o livro “A Felicidade é Lucrativa”. Porque acredito profundamente numa ideia: O sucesso empresarial não se mede apenas pelos resultados. Mede-se também pelo impacto que temos na vida das pessoas.
“Uma empresa só cresce verdadeiramente quando as pessoas crescem com ela”
Num plano mais pessoal: o que é que, para si, define uma vida profissional verdadeiramente feliz?
Uma vida profissional feliz é aquela em que sentimos que o nosso trabalho tem significado. Onde podemos crescer, aprender, contribuir e ajudar outros a crescer também. O trabalho ocupa uma parte muito significativa da nossa vida. Por isso não pode ser apenas uma obrigação. Tem de ser também uma fonte de realização. Para mim, a verdadeira felicidade profissional acontece quando conseguimos alinhar três coisas. Propósito. Pessoas. Impacto. E deixo uma última reflexão que resume aquilo em que acredito: No final da vida ninguém se lembra das folhas de Excel. Lembra-se das pessoas que ajudou a crescer e das vidas que mudou para melhor.





