A Sicasal, indústria de carnes localizada no concelho de Mafra, foi declarada insolvente, a pedido do Banco Comercial Português, de acordo com o anúncio da declaração de insolvência do Tribunal da Comarca Lisboa Oeste hoje publicado.
A insolvência foi requerida pelo Banco Comercial Português (BCP), um dos maiores credores.
O tribunal da Comarca de Lisboa Oeste, com sede em Sintra, nomeou Jorge Calvete como administrador de insolvência e marcou para 04 de março a assembleia de credores.
Contactado pela agência Lusa, o administrador de insolvência disse que a “produção da Sicasal está parada, mas há a intenção de apresentar um plano de recuperação para a reativar e há todo o interesse em não encerrar a unidade”.
Jorge Calvete confirmou que existem “vários investidores interessados” na empresa.
À Lusa, o Instituto da Segurança Social esclareceu que a empresa tinha 315 trabalhadores no final de 2024 e chegou ao fim de 2025 com 260. a empresa chegou a ser a maior empregadora do concelho de Mafra, com cerca de 550 trabalhadores.
Da fundação familiar à liderança nacional no setor das carnes
Fundada na década de 1960, a Sicasal construiu ao longo de mais de meio século um percurso marcante na indústria alimentar portuguesa. A empresa tem origem em 1968, com a criação da Sociedade Mota & Silva, Lda, que iniciou atividade com apenas 12 trabalhadores no concelho de Mafra. Dois anos depois, em 1970, a empresa adotou a denominação Sicasal – Sociedade Industrial e Comercial de Avicultura e Salsicharia, Lda, dando origem a uma marca que rapidamente ganharia notoriedade no mercado nacional da carne fresca e da charcutaria.
No início dos anos 80, o aumento da procura levou à construção de novas instalações fabris, reforçando a capacidade produtiva. Já na década de 1990, a empresa transformou-se em sociedade anónima, passando a designar-se Sicasal – Indústria e Comércio de Carnes, SA, num processo de reestruturação que incluiu a modernização tecnológica e a aquisição de novos equipamentos para a área da transformação.
Instalada em Vila Franca do Rosário, na Malveira, a cerca de 30 quilómetros de Lisboa, a Sicasal tornou-se a principal unidade industrial da região, ocupando uma área superior a 50 mil metros quadrados. A sua atividade centrou-se sobretudo no abate e transformação de carne de suíno, comercializada tanto sob a forma de carne fresca como de produtos transformados. A modernização dos processos industriais foi acompanhada por uma estratégia de expansão para os mercados externos.
Ao longo do seu trajeto, a Sicasal destacou-se também pelo envolvimento com a comunidade. O apoio ao desporto e à cultura tornou-se uma das marcas da sua identidade, com destaque para o patrocínio de uma equipa profissional de ciclismo, presença em provas emblemáticas como a Volta a Portugal, bem como o apoio a competições equestres, ralis e provas automobilísticas.
Em 2006, o contributo da empresa e do seu principal responsável foi reconhecido ao mais alto nível do Estado, quando o então presidente da Sicasal, Álvaro dos Santos Silva, recebeu das mãos do então Presidente da República, Jorge Sampaio, a Comenda de Mérito Industrial, em reconhecimento do seu papel no desenvolvimento económico do país.
Este percurso de crescimento, inovação e forte presença nacional contrasta agora com o desfecho financeiro da empresa.
com Lusa





