Elon Musk ataca novo filme de Christopher Nolan e acusa realizador de “racismo” no casting de “A Odisseia”

Elon Musk voltou a envolver-se numa polémica cultural ao atacar publicamente “The Odyssey” ("A Odisseia"), o novo filme de Christopher Nolan baseado no poema épico de Homero, acusando o realizador de ser “racista contra o povo grego e a sua herança cultural”. O CEO da Tesla e da xAI republicou e respondeu esta quarta-feira a…
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O bilionário Elon Musk juntou-se às críticas de comentadores conservadores norte-americanos ao elenco do novo épico de Christopher Nolan, "Odisseia", questionando escolhas de casting e alegadas imprecisões históricas.
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Elon Musk voltou a envolver-se numa polémica cultural ao atacar publicamente “The Odyssey” (“A Odisseia”), o novo filme de Christopher Nolan baseado no poema épico de Homero, acusando o realizador de ser “racista contra o povo grego e a sua herança cultural”.

O CEO da Tesla e da xAI republicou e respondeu esta quarta-feira a várias publicações na rede social X que criticavam o filme, cuja estreia está marcada para 16 de julho.

Numa das mensagens partilhadas, um utilizador alegava que Nolan estaria a desrespeitar a cultura grega através das escolhas de casting. Musk respondeu apenas: “True” (“Verdade”).

O empresário republicou ainda uma publicação que sugeria que Nolan estaria “a pisar o túmulo de Homero”.

Casting de Lupita Nyong’o e Elliot Page no centro das críticas

Grande parte da controvérsia em torno de “The Odyssey” tem-se concentrado na escolha de Lupita Nyong’o, atriz negra vencedora de um Óscar, e de Elliot Page, ator transgénero, para integrarem o elenco.

Matt Walsh, comentador do Daily Wire, criticou o filme numa publicação feita na terça-feira, alegando que Nolan escolheu Nyong’o para o papel de Helena de Troia porque sabia “que seria chamado racista se desse o papel da ‘mulher mais bonita’ a uma atriz branca”.

Musk respondeu também “True” (“Verdade”) a essa publicação.

True

— Elon Musk (@elonmusk) May 13, 2026

O multimilionário amplificou ainda várias mensagens dirigidas a Elliot Page, incluindo uma publicação depreciativa sobre a identidade de género do ator. Musk classificou uma dessas mensagens como “banger”, expressão usada informalmente para descrever algo particularmente impactante ou eficaz.

Esta não é a primeira vez que Musk ataca o projeto de Christopher Nolan. Em janeiro, o empresário já tinha publicado mensagens em que afirmava que o realizador “perdeu a integridade”, também em reação às críticas sobre a escolha de Lupita Nyong’o em vez de uma atriz grega.

A polémica em torno do elenco de “The Odyssey” tem sido alimentada por utilizadores e comentadores que defendem que o filme apresenta pouca representação de atores gregos e que as escolhas de casting seriam historicamente imprecisas.

Além de Nyong’o e Elliot Page, alguns críticos questionaram igualmente a participação do rapper Travis Scott num pequeno papel.

Christopher Nolan defende escolhas do elenco

Christopher Nolan respondeu às críticas numa entrevista publicada esta semana pela revista Time. Sobre a escolha de Travis Scott, o realizador explicou: “Escolhi-o porque queria fazer referência à ideia de que esta história foi transmitida como poesia oral, algo que considero análogo ao rap.”

Vários defensores do filme sublinharam também nas redes sociais que Helena de Troia é uma figura mitológica e que não existe qualquer evidência histórica da sua existência real.

Na entrevista, Nolan reconheceu que “The Odyssey” não irá satisfazer todos os admiradores do poema original de Homero. O realizador comparou o processo criativo do filme ao trabalho desenvolvido em “Interstellar”, lançado em 2014.

“Em Interstellar, estamos a olhar para ‘qual é a melhor especulação possível sobre o futuro?’ Quando olhamos para o passado antigo, é exatamente o mesmo exercício: ‘qual é a melhor especulação possível e como posso usá-la para criar um mundo?’”, afirmou.

Nolan acrescentou esperar que o público “aprecie o filme, mesmo que não concorde com tudo”.

Trailer também gerou críticas por causa dos sotaques

“The Odyssey” enfrentou igualmente críticas após a divulgação do primeiro trailer na semana passada. Vários comentários apontaram que atores britânicos como Tom Holland e Robert Pattinson aparentam utilizar sotaques norte-americanos no filme.

James Hibberd, colunista do The Hollywood Reporter, escreveu que “toda a gente soa como se fosse do Ohio”, acrescentando que o ambiente do filme parece “mais Ítaca, Nova Iorque, do que Ítaca, Grécia”.

O jornalista observou ainda que outros épicos históricos, como “Gladiador”, optaram por sotaques britânicos, apesar de esses também não serem historicamente rigorosos.

Filme é o mais caro da carreira de Nolan

“The Odyssey” conta com um elenco de grande dimensão liderado por Matt Damon no papel de Ulisses. O filme inclui ainda Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Zendaya, Charlize Theron e Lupita Nyong’o.

As filmagens decorreram em vários países, incluindo Grécia, Itália, Islândia e Escócia. A produção gerou também controvérsia devido às filmagens realizadas no território disputado do Saara Ocidental, ocupado por Marrocos há décadas.

“The Odyssey” surge depois do sucesso de “Oppenheimer”, filme lançado em 2023 que arrecadou perto de mil milhões de dólares em receitas de bilheteira, cerca de 849 milhões de euros, e venceu vários Óscares, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador para Christopher Nolan.

Com um orçamento estimado em 250 milhões de dólares, aproximadamente 212 milhões de euros, “The Odyssey” é o filme mais caro da carreira do realizador.

Várias publicações especializadas antecipam que a produção será um dos maiores sucessos comerciais do verão. O Deadline avançou recentemente que as sessões IMAX do filme já se encontram esgotadas com um ano de antecedência.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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