Olivier Bouygues, bilionário e herdeiro do império empresarial fundado pelo seu pai, Francis Bouygues, está no centro de um processo judicial em França que envolve uma propriedade de 650 hectares utilizada para caça e onde investigadores encontraram centenas de animais mortos, incluindo espécies protegidas.
O empresário, de 75 anos, é julgado em Orleães juntamente com cinco funcionários da propriedade por crimes relacionados com a destruição, captura e detenção ilegal de espécies protegidas. Bouygues nega ter tido conhecimento ou responsabilidade pelas práticas investigadas.
A investigação começou em março de 2025, depois de uma denúncia anónima. Uma operação das autoridades francesas levou à descoberta, na propriedade de Fontenaille, em La Ferté-Saint-Aubin, de uma vala com cadáveres de animais em avançado estado de decomposição, parcialmente cobertos com cal.
Entre os restos identificados estavam peneireiros-comuns, corvos-marinhos, búteos-comuns e garças-brancas-grandes, espécies cuja caça é proibida e que estão protegidas em França há várias décadas.
Os investigadores encontraram também material proibido, incluindo mais de uma centena de armadilhas de mandíbula, produtos tóxicos e armas irregulares. Havia ainda documentos que identificavam animais considerados “nocivos” e que deveriam ser eliminados, acompanhados de um sistema de recompensas que atribuía dinheiro a quem abatesse determinadas espécies.
Segundo a acusação, o objetivo era proteger os animais criados ou introduzidos na propriedade para as caçadas privadas, nomeadamente faisões, perdizes e peixes existentes nos lagos. A procuradora de Orleães, Emmanuelle Bochenek-Puren, descreveu uma prática que se teria prolongado durante anos, com maior intensidade durante a primavera.
O caso coloca também em causa a responsabilidade do proprietário pelas ações dos funcionários. Bouygues afirma que não geria o dia a dia da propriedade e garante que nunca viu a vala onde foram enterrados os animais. Durante o julgamento, classificou-a como uma “fossa ecológica” e atribuiu a responsabilidade pelas práticas aos seus empregados.
A acusação sustenta, pelo contrário, que existia uma organização que perdurava sob a responsabilidade do mesmo proprietário. Cinco dos seis arguidos reconheceram os factos, embora tenham rejeitado a responsabilidade direta de Bouygues e a qualificação de “bando organizado”.
Para Olivier Bouygues, a procuradora pediu cinco anos de prisão com pena suspensa, uma multa de 750 mil euros, o máximo previsto para este tipo de infração, e a proibição de exercer qualquer atividade relacionada com a caça durante cinco anos. Para os restantes cinco arguidos foram pedidas penas de prisão suspensas entre um e quatro anos, além de multas e suspensão das licenças de caça.
O processo envolve ainda cerca de 15 organizações de defesa do ambiente, que se constituíram partes civis e reclamam indemnizações de dezenas de milhares de euros por danos ecológicos e morais. A Liga para a Proteção das Aves francesa considera o processo particularmente simbólico por envolver uma grande fortuna e por poder funcionar como um exemplo para outros proprietários.
Quem é Olivier Bouygues?
Olivier Bouygues é filho de Francis Bouygues, fundador do grupo que se tornou um dos maiores conglomerados empresariais franceses, com atividades que incluem construção, infraestruturas, telecomunicações e meios de comunicação.
Segundo a Forbes, Olivier Bouygues e o irmão mais novo, Martin, controlam em conjunto mais de 28% do grupo Bouygues. A fortuna pessoal de Olivier Bouygues está estimada em 3,6 mil milhões de dólares (3,1 mil milhões de euros).
O veredito está previsto para 23 de outubro





