De um bairro pobre em Lisboa à liderança do grupo imobiliário Vision Supra Partners, António Francisco é a prova viva de que visão, esforço e disciplina podem transformar vidas. Desde muito jovem, trabalhou arduamente, poupou cada escudo e tomou decisões arriscadas que acabaram por se demonstrar certeiras como o investir em imóveis estratégicos em Lisboa em tempos de crise. Nesta entrevista, partilha os momentos-chave da sua história, a filosofia que orienta a Vision Supra Partners e a forma como imagina o futuro do imobiliário: mais humano, mais tecnológico e profundamente conectado às pessoas e ao território.
A sua história de vida é marcada por superação, de um bairro pobre à liderança de um grupo imobiliário. Que momentos considera decisivos?
Eu nasci e cresci num bairro pobre da zona de Lisboa e apesar de considerar que tive uma infância feliz, cedo percebi que aquele não era o futuro para mim, como tal desde muito cedo comecei a trabalhar e a juntar as minhas economias.

Nunca cedi a tentações fáceis: enquanto os meus amigos fumavam ou bebiam, eu poupava cada escudo para comprar o meu primeiro apartamento, aos 18 anos, aproveitando os créditos bonificados para jovens. Sair de Portugal rumo à Suíça foi decisivo. Cheguei a um país estrangeiro sem falar francês, sem conhecer ninguém e deixando toda a minha família em Portugal. Foram anos difíceis, mas aprendi a impor-me, a gerir riscos e a confiar nas minhas capacidades. Durante anos trabalhei de dia e estudei de noite. Sempre fui ambicioso e tive o gosto do desafio, nunca fui de me deixar vencer pelas contrariedades e muito menos de desistir dos objetivos. Outro momento essencial foi quando os meus atuais sócios confiaram nas minhas capacidades de negócio e liderança. Desde muito novo, os meus pais incutiram-me um enorme sentido de responsabilidade e respeito pelos outros. No bairro onde cresci, comparavam-me ao Cristiano Ronaldo porque trabalhava quase de sol a sol.
No universo empresarial, o seu crescimento tem sido constante: em empresas, projetos e geografias. O que o move nesta expansão: a ambição de escala ou a vontade de deixar uma marca duradoura no setor?
Um dos meus sonhos é o de deixar uma marca, um cunho no setor imobiliário. Procuramos criar um conceito diferente não só ao nível da construção como do design. Dá-me um enorme prazer criar algo inovador. Os imóveis são espaços onde quem neles vive irá construir uma história. O grupo tem crescido não só em número de empresas como de projetos. A Suíça foi o ponto de partida, mas Portugal não podia ficar de fora porque é o meu país e sempre ambicionei desenvolver projetos imobiliários aqui.
Um líder deve ser estrategicamente paciente, mas tecnologicamente impaciente?
Concordo plenamente e identifico-me como tal porque todas as decisões estratégicas do grupo são tomadas de forma ponderada e amadurecida. Temos uma enorme preocupação e anseio de que os nossos projetos tragam algo de novo. Gostamos de surpreender, mas essencialmente do desafio de nos mantermos como um grupo, uma marca de confiança, mas que está sempre em evolução e crescimento. Esta dualidade nem sempre é fácil de gerir, sobretudo nos dias de hoje em que o Mundo muda de forma tão veloz.
O setor imobiliário vive entre a pressão de uma dinâmica global de investimento e a urgência da habitação acessível. Que modelo pode conciliar rentabilidade e responsabilidade social?
Para ser sincero na Vision Supra Partners estamos conscientes de que Portugal e a Europa em geral enfrenta uma enorme crise de habitação e que o tema da habitação acessível tem que ser tratado como uma prioridade por todos nós, sobretudo para quem tem nas mãos esta responsabilidade de construir como é o nosso caso. Como grupo que prima pelo gosto de desenvolver projetos imobiliários com acabamentos de luxo e que recorre a materiais e técnicas de alta qualidade essa tarefa assume-se altamente desafiadora, porque não nos revemos numa vertente de construção de qualidade inferior para que se torne mais acessível a quem, infelizmente, não dispõe de recursos financeiros que permitam comportar os atuais preços de mercado. Considero que a todos os cidadãos deverão ser asseguradas condições de acesso a habitações condignas e preparadas para enfrentar os novos desafios que se têm vindo a impor neste século, desde logo o desafio das alterações climáticas, o desafio da eficiência energética entre tantos outros que poderão ainda vir a marcar presença na nossa vida.
Somos forçados a apelar à tomada de medidas por parte dos governos que permitam reduzir o custo enorme que a burocracia exige. Medidas que permitam aliviar a carga fiscal são essenciais. Apenas com uma redução acentuada destes custos será possível tornar viável um projeto de construção sem recorrer a técnicas ou materiais de qualidade inferior.
Como a Vision Supra Partners está a redefinir urbanismo e habitação?
O Grupo tem como objetivo desenvolver projetos cada vez mais atrativos do ponto de vista tecnológico, mas sem descurar o design. Queremos construir projetos inteligentes e respeitadores do meio ambiente. No nosso projeto do Barreiro (o NAUS EcoVillage) optamos por revestir com cortiça as fachadas dos edifícios, recorrendo a materiais ecológicos.
A utilização da luz solar e natural tem sido uma preocupação constante, o que permite aliar a eficiência energética com um conceito de design leve e inovador. Em termos de impacto paisagístico os nossos projetos aliam a modernidade com a sobriedade aspirando a um resultado harmonioso com a paisagem exterior. Estamos neste momento a desenvolver um novo projeto em Mafra, composto por nove moradias e cinquenta e quatro apartamentos, onde esses conceitos voltam a ser aprofundados: varandas habitáveis, coberturas verdes, espaços comuns e familiares, que reforçam o sentido de comunidade e de pertença. O urbanismo, para nós, é isso — criar lugares que aproximam as pessoas, e as aproximam também da natureza.
A tecnologia está a transformar profundamente o imobiliário. Como a Vision Supra Partners a usa para pensar melhor as cidades?
Na Vision Supra Partners, encaramos a tecnologia como uma ferramenta essencial para pensar melhor o território, não apenas para construir mais depressa, mas para construir melhor. Apostamos numa coordenação rigorosa entre arquitetura, engenharia e paisagismo, reduzindo desperdícios e otimizando recursos. Mas mais do que isso, a tecnologia é o meio que nos permite criar edifícios inteligentes, sustentáveis e eficientes, com soluções energéticas otimizadas, conforto térmico e acústico e uma integração natural no ambiente.
Qual é a arquitetura estratégica que sustenta a marca em termos de posicionamento, parcerias e expansão internacional?
A nossa estratégia assenta em três pilares: excelência, colaboração e visão internacional. Excelência, porque cada projeto reflete qualidade de construção e sensibilidade ambiental, com materiais naturais e duradouros. Colaboração, na medida em que trabalhamos em diálogo constante com arquitetos, engenheiros, paisagistas e comunidades. Visão internacional ao exportar o melhor de Portugal em design e sustentabilidade, atraindo investimento e deixando um legado. Se pudéssemos resumir a nossa estratégia numa frase seria: “Construir com alma, conectar pessoas e inovar pelo planeta.
Se pudesse construir o futuro do setor imobiliário português como um edifício, qual seria a sua fundação e legado?
A fundação seria profunda e resistente, garantindo longevidade e estabilidade. O legado seria um setor reconhecido pela qualidade, respeito ambiental e social, e edifícios que continuem a transmitir confiança, que sejam atrativos e onde apetece estar, mesmo daqui a muitos anos.
Este conteúdo foi produzido em parceria com a Vision Supra Partners.





