Como podem as PME crescer rumo à globalização

Que análise faz do momento presente vivido pela economia portuguesa, especialmente no que toca às Pequenas e Médias Empresas (PME)? A economia portuguesa vive um momento de dinamismo moderado, com sinais de resiliência e capacidade de adaptação. No terceiro trimestre de 2025, o PIB cresceu cerca de 0,8% em cadeia, e aproximadamente 2,4% em termos…
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Portugal é um país de PME, mas segundo Isabel Guerreiro, Vice-Presidente da Comissão Executiva do Santander Portugal, há agora necessidade de um novo ciclo de escala, transformando crescimento em produtividade, rumo à internacionalização
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Que análise faz do momento presente vivido pela economia portuguesa, especialmente no que toca às Pequenas e Médias Empresas (PME)?

A economia portuguesa vive um momento de dinamismo moderado, com sinais de resiliência e capacidade de adaptação. No terceiro trimestre de 2025, o PIB cresceu cerca de 0,8% em cadeia, e aproximadamente 2,4% em termos homólogos, e as projeções do Banco de Portugal apontam para um crescimento de 1,9% em 2025 e 2,2% em 2026. São números que mostram uma economia sólida, mas que ainda precisa de transformar crescimento em produtividade.

Portugal é, no entanto, o país das nano, mini e microempresas. Precisamos de um novo ciclo de escala: que as pequenas se tornem médias, as médias cresçam para grandes, e as grandes se afirmem como globais. Empresas maiores criam mais riqueza, pagam melhores salários, investem mais, exportam mais e contribuem mais em impostos.

Como dar o passo da internacionalização sem pôr em causa a identidade e a sustentabilidade do negócio?

Portugal é uma economia aberta, com as exportações a representarem cerca de 46% do PIB e a ambição de ultrapassar os 50% até final da década. Para crescer no exterior, as empresas precisam de conjugar três fatores: identidade, escala e sustentabilidade. Internacionalizar não é apenas vender lá fora. É afirmar o que se é e escalar com propósito.

O Santander apoia esse caminho com equipas especializadas em negócio internacional, que oferecem soluções de trade finance e de cobertura cambial, além de conhecimento local nos mercados de destino. Queremos ajudar as empresas portuguesas a crescer em escala sem perder a sua identidade e a sua base sustentável.

Isabel Guerreiro

Como podem as empresas portuguesas ser competitivas num contexto global tão desafiante — tendo em conta a instabilidade geopolítica e as alterações nas políticas comerciais?

Num contexto global de elevada incerteza, a competitividade das PME depende de duas forças complementares: produtividade e resiliência. Para crescer, é essencial apostar em três frentes. Primeiro, na digitalização e automação, aproveitando a execução dos fundos europeus prevista para 2026-2030. Segundo, na diversificação de mercados e fornecedores, para reduzir riscos geopolíticos e comerciais. Terceiro, na resiliência financeira, com balanços equilibrados, boa gestão de risco e planeamento a longo prazo.

Ser competitivo, hoje, é investir em produtividade e blindar a operação para os choques de amanhã.

As taxas de juro em torno de 2% criam um momento favorável para investir e reequilibrar estruturas financeiras. Ao mesmo tempo, a nova regulação climática, com o Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM) e outras exigências, vai obrigar a medir emissões e adaptar operações. Ser competitivo, hoje, é investir em produtividade e blindar a operação para os choques de amanhã.

Em relação ao futuro, o que se perspetiva, de forma que estas empresas possam preparar-se para melhor aproveitar as oportunidades?

O próximo ano será decisivo. 2026 será o ano da execução e das escolhas estratégicas. Para crescer, as PME precisam de adotar uma estratégia que combine captação de fundos europeus, conformidade com a regulação climática e o reforço da sua presença nos mercados externos.

Com o Plano de Recuperação e Resiliência e o Portugal 2030 a entrarem na fase de maior execução, é o momento de alinhar projetos com as prioridades europeias, garantir cofinanciamento e apostar em investimentos digitais e verdes. As empresas que fizerem isso com método — medindo emissões, ajustando fornecedores e profissionalizando a gestão — estarão em vantagem.

SANTANDER SEMPRE AO LADO DAS PME

O Santander posiciona-se como “o banco das empresas que querem inovar, internacionalizar-se e investir em sustentabilidade”, tendo sido reconhecido pela GlobalFinance como Melhor Banco em Portugal para PME, pelo quinto ano consecutivo.

Até setembro deste ano, concedeu cerca de 1,8 mil milhões de euros em financiamento sustentável, apoiando a transição verde e energética. Além disso, reforçou as soluções de liquidez e tesouraria, e manteve um elevado volume de operações de comércio internacional através do trade finance.

O Santander apoia ainda as PME a crescer em escala, promovendo, através do Santander X, formação, mentoria e redes globais de inovação que ligam empresas portuguesas a oportunidades internacionais.

 

Este conteúdo foi produzido em parceria com o Santander Portugal. 

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