História do rock português contada em livro ilustrado para “pais fanáticos e filhos com punkada”

A história do rock português, onde cabem vários géneros musicais, desde aos anos 1950 até agora, é contada através de centenas de artistas e bandas num livro ilustrado para “pais fanáticos e filhos com punkada”, hoje editado. O livro de Rita Nabais, com ilustrações de Tiago Albuquerque, “A História do Rock Português (para pais fanáticos…
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A história do rock português, onde cabem vários géneros musicais, desde aos anos 1950 até agora, é contada através de centenas de artistas e bandas num livro ilustrado para “pais fanáticos e filhos com punkada”, agora editado.
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A história do rock português, onde cabem vários géneros musicais, desde aos anos 1950 até agora, é contada através de centenas de artistas e bandas num livro ilustrado para “pais fanáticos e filhos com punkada”, hoje editado.

O livro de Rita Nabais, com ilustrações de Tiago Albuquerque, “A História do Rock Português (para pais fanáticos e filhos com punkada)”, da Edições Escafandro, surgiu na sequência de um outro, da mesma autora e editora, “A História do Rock (para pais fanáticos e filhos com punkada)”, com ilustrações de Joana Raimundo, editado em 2017 e que teve uma edição revista e aumentada em 2019.

“Quando comecei a fazer as apresentações da história do rock internacional, havia sempre alguém que me perguntava por que é que não havia bandas portuguesas. E foi ficando a crescer essa ideia”, recordou Rita Nabais, em declarações à Lusa.

Por considerar que não seria justo juntar poucas bandas portuguesas ao livro inicial, decidiu fazer um livro sobre rock português.

Há uns quatro, cinco anos, a autora chegou a uma primeira “protolista” de bandas e artistas, “uma coisa muito incipiente”, que serviu de ponto de partida.

“Depois sentei-me a sério, comprei todos os livros que havia para comprar sobre rock português, que não são assim tantos, e comecei a fazer pesquisa”, contou.

Na obra estão representados centenas de artistas e bandas, dos anos 1950 à atualidade, do rock, mas não só, visto que o livro foi “contaminado” pelo modo como Rita Nabais vê a música: “O rock é muita coisa, tem muitos subgéneros, mas há outros géneros, que estão ligados de alguma forma ao rock”.

“E há artistas que são tão importantes que eu não podia deixar de os referir. Por exemplo, hoje [dia em que Rita Nabais falou com a Lusa] é um dia triste para o nosso país, porque morreu o Jorge Palma, um dos maiores, cantautores portugueses e compositores e pianista e tudo. O Jorge Palma não fez propriamente rock, embora tenha participado em bandas de rock, mas está no livro. Tal como o Sérgio Godinho, o Fausto, o José Mário Branco e o Zeca Afonso. Ou seja, não é rock, mas eu arranjo sempre maneira de os ligar de uma forma em que seja justo estarem no livro. Porque influenciaram tantas bandas”, disse.

O livro está dividido em vários capítulos, como “Os primeiros rockers”, “Yeah! Yeah!”, “Escritores de canções”, “Modernidade”, “Geração Rendez-Vous”, “Nação Alternativa”, “Anos 90 bem medidos”, “Rimas e Batidas”, “Coimbra tem mais…punk rock!”, “Rock musculado”, “Guitarras a Norte”, “Poptrónica” e “Super bandas”, entre outros.

“Há ali géneros que fogem um bocadinho ao rock, mas mesmo assim estão lá”, disse.

Ao longo dos capítulos estão 164 artistas e bandas com direito a pequenos textos e um retrato ilustrado. Além desses, há centenas de outros nomes de artistas e bandas, com sugestões de músicas de cada um.

“Deixo sempre uma sugestão de outras bandas do mesmo género com temas que os leitores podem conhecer. Não dá para pôr as bandas todas num capítulo, mas dá para deixar sugestões e isso enriquece um pouco e tira-me também aquela sensação de ‘bolas, não posso pôr todas as bandas que se calhar mereciam estar no livro’”, disse.

Com o primeiro livro, Rita Nabais pensou que fosse “apanhar mais os adultos, mas também apanhou as crianças”.

Inicialmente as reações chegaram de pais, “especialmente os pais melómanos, pessoal que gosta muito de música ou gosta de rock, que achou o livro interessante e engraçado”.

“Depois fomos recebendo reações completamente inesperadas: ‘Obrigada Rita, o meu filho só ouvia kizomba e finalmente tenho um livro para poder explorar com ele outros tipos de música’. Tive pais também que me disseram que liam um artista por noite [aos filhos] e depois iam ouvir as músicas que eu sugeria. Houve dezenas e dezenas de pais a darem um feedback muito positivo. É um livro intergerações”, partilhou.

Quando o primeiro livro foi editado, em 2017, Rita disse à agência Lusa que aquela enciclopédia do rock (também com contaminações na pop, punk ou hip-hop) pretendia preencher um vazio no campo dos livros informativos para os mais novos.

Quase dez anos depois, “ainda há um vazio, até porque continua a não haver, pelo menos até agora, um livro, por exemplo, sobre música portuguesa para crianças”.

“Há vários livros, há uma biografia infantil sobre António Variações, há um sobre o Zé Pedro. Agora um livro que tenha, num formato tipo enciclopédia, para crianças, que explique as origens, os sons, os contextos, de uma maneira divertida, acho que não havia mesmo nada”, disse.

O livro anterior acabou por ser editado noutros países, como a Suécia, os Estados Unidos, o México e o Canadá, mas com este será mais difícil: “Talvez o Brasil e a Espanha pudessem ter interesse em artistas do rock português. Nada é impossível. Gostava muito, mas é de facto um livro mais de consumo interno e para tentar preencher também uma lacuna”.

“Há muita gente que pensa que o rock [português] só começou com o Rui Veloso e isso não é verdade. Isso foi a coisa mais maravilhosa de pesquisar neste livro. Além disso, há muito pouca literatura, comparando com outros países, é claro, sobre o rock português. Há biografias de bandas, há alguns livros, mas ainda há muita coisa por fazer em Portugal, especialmente para o mundo das crianças”, disse.

“A História do Rock Português (para pais fanáticos e filhos com punkada)” contou com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), através do Fundo Cultural daquela instituição, o que “permitiu imprimir o livro”.

“Nós conseguimos suportar os custos todos, mas têm aumentado imenso. Por exemplo, o preço do papel, as pessoas às vezes não têm ideia, quase que duplicou. Fazer um livro agora, ou fazer há nove anos, é muito diferente”, lamentou.

Sem o apoio da SPA, “seria muito difícil” para uma editora pequena como a Escafandro, da qual Rita Nabais faz parte, ter conseguido concretizar a obra.

O livro é apresentado hoje em Alcobaça, no Armazém das Artes, por Rita Nabais, com o editor Nuno Marques Valente, o músico Fernando Ribeiro, dos Moonspell, e Tiago Albuquerque.

Após a apresentação haverá sessões de DJ set, de António Manzarra, que fez parte da banda Us Forretas Ocultos, “que vai estar só a pôr música portuguesa em vinil”, e de Fernando Ribeiro.

Depois, haverá apresentações em lojas da cadeia FNAC pelo país, “sempre com convidados de luxo ligados à música”, estando a primeira marcada para 02 de outubro na loja da Avenida de Roma, numa sessão que contará com o investigador musical João Carlos Callixto, o fundador dos Claves, banda dos anos 1960, Luís Freitas Branco e os cantores Carlos Mendes, que foi dos Sheiks, e Benjamim.

O livro está disponível no ‘site‘ da Edições Escafandro, em livrarias independentes e nas lojas FNAC.

Joana Ramos Simões/Lusa

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