CCB quer diversificar receitas e captar mais mecenas

O Centro Cultural de Belém apresentou esta quarta-feira à comunicação social o seu Plano Estratégico 2026–2030 que é o culminar de um trabalho de um ano, realizado com equipas do CCB, públicos e stakeholders, a partir da auscultação das suas opiniões. Uma das ideias-chave da estratégia da Fundação CCB para os próximos quatro anos passa…
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A execução do Plano Estratégico da Fundação CCB para os próximos quatro anos passa pelo crescimento das receitas da fundação. Em encontro com a imprensa, o Conselho de Administração explicou de que forma pretende alcançar esse objetivo.
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O Centro Cultural de Belém apresentou esta quarta-feira à comunicação social o seu Plano Estratégico 2026–2030 que é o culminar de um trabalho de um ano, realizado com equipas do CCB, públicos e stakeholders, a partir da auscultação das suas opiniões.

Uma das ideias-chave da estratégia da Fundação CCB para os próximos quatro anos passa por fazer crescer o valor da orçamentação anual do CCB e, desse modo, conseguir uma maior autonomia financeira, através de duas formas: diversificação de receitas e reforço das contribuições de mecenas.

Nesta sessão de apresentação do plano até 2030, que contou com a presença dos vários membros que integram o Conselho de Administração, foi explicado que o objetivo de diversificação de receitas irá passar por novos projetos, entre os quais se incluem as rendas provenientes dos novos edifícios do CCB que deverão ficar concluídos em julho de 2029, numa obra entregue ao Grupo Alves Ribeiro.

Esse projeto arquitetónico, que estava previsto desde o início da construção do CCB, permitirá explorar “turismo cultural de alto valor”, nas palavras dos próprios responsáveis do CCB.

Em causa estão os futuros Módulos 4 e 5 do CCB que se juntarão aos existentes Módulos 1, 2 e 3 e que dotarão o CCB de um hotel com 161 quartos, um aparthotel com 126 unidades e uma zona de comércio e serviços.

A receita gerada pela subcessão (renda anual escalonada entre 350 mil e 1,2 milhões de euros ao longo de 65 anos, segundo a Lusa) será canalizada para a programação cultural e para o reforço da capacidade financeira da Fundação CCB.

Mais mecenas

O mecenato será outra vertente a desenvolver. Embora não tenham adiantado qual é o peso do mecenato no orçamento corrente da fundação, os responsáveis do CCB salientam que o apoio dado por empresas ao abrigo da lei do mecenato tem uma expressão ainda reduzida nas contas do CCB, pelo que o propósito é incrementar essas contribuições.

Nesse objetivo de aumento global de receitas, o valor absoluto dado pelo Estado irá manter-se (que foi de cerca de 10,5M€ num total de orçamento de 18,7M€ no ano de 2024). Porém, havendo mais receitas, esse peso relativo do Estado no “bolo” do CCB, que ronda na atualidade entre 60 a 70% da dotação orçamental, irá diminuir.

“Queremos aumentar o nosso orçamento, mas por via da nossa atividade” e não da contribuição vinda do Estado, sublinhou o Presidente do Conselho de Administração do CCB, Nuno Vassallo e Silva.

Equipa dedicada para desenvolver receitas e parcerias

Nesta missão de crescer as receitas da fundação, o CCB irá ter um departamento dedicado para esse efeito, o qual, pelo menos numa fase inicial, será constituído por elementos da própria estrutura do CCB. Não está, contudo, colocada de parte a hipótese de serem contratados outros colaboradores para reforçar essa estrutura.

Essa equipa irá, igualmente, trabalhar na captação de fundos e no desenvolvimento de candidaturas a concursos internacionais que deem uma maior sustentabilidade económica à organização.

A exploração comercial dos vários espaços e salas do CCB (que se traduz em reuniões e congressos) será, igualmente, uma vertente a manter. Depois da polémica no ano passado, com um encontro de extrema-direita a realizar-se em outubro último no CCB, Nuno Vassallo e Silva garante que eventos externos futuros para acontecerem no CCB terão de respeitar os valores de diversidade, liberdade e democracia defendidos pela instituição.

“Queremos mais públicos”

Neste encontro com a imprensa, o Conselho de Administração do CCB destacou que uma das metas para o período 2026-2030 é captar mais público. Na realidade, a palavra usada pelos administradores do CCB é “públicos”, no plural: “Queremos alargar a base social do CCB”, insiste Nuno Vassallo e Silva, explicando que o intuito é trazer mais pessoas (portugueses e mais estrangeiros) e de mais idades ao CCB: “Queremos ter públicos novos e queremos trabalhar com as gerações mais novas. Queremos ser mais atrativos para culturas, diásporas e linguagens diversas”. No entanto, “isso não implica abandonar os públicos tradicionais”, clarifica o administrador do CCB para quem é determinante também “tornar a experiência do visitante mais atrativa”.

No sentido de melhorar a hospitalidade do espaço, irá ser revista a sinalética do edifício para a tornar mais clara e informativa, informou a administração do CCB que terminou a sua apresentação com uma frase que contém os valores que irão ser trabalhados nos próximos quatro anos: “Hospitalidade acolhe diversidade e convida à participação, que gera conhecimento e afirma a liberdade”.

Desenhado o plano estratégico 2026-2030, o próximo passo do Conselho de Administração será definir em detalhe as medidas para a sua concretização.

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