Bolsas disparam após acordo entre EUA e NATO sobre a Gronelândia

Os mercados financeiros globais reagiram de forma positiva ao anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um acordo-quadro com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) relativo à Gronelândia, bem como à decisão de suspender a imposição de novas tarifas sobre vários países europeus. A notícia marcou uma reviravolta face à…
ebenhack/AP
Os mercados acionistas reagiram em forte alta ao anúncio de um acordo-quadro entre os Estados Unidos e a NATO sobre a Gronelândia, com Wall Street a recuperar das perdas da sessão anterior e as principais bolsas europeias a registarem ganhos em torno de 1%, beneficiando também da suspensão de novas tarifas norte-americanas sobre a Europa.
Economia

Os mercados financeiros globais reagiram de forma positiva ao anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um acordo-quadro com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) relativo à Gronelândia, bem como à decisão de suspender a imposição de novas tarifas sobre vários países europeus. A notícia marcou uma reviravolta face à sessão anterior, fortemente penalizada pela incerteza em torno de eventuais tensões comerciais e geopolíticas.

Em Wall Street, os principais índices registaram subidas expressivas. O Dow Jones Industrial Average avançou 589 pontos, o equivalente a 1,2%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq fecharam ambos com ganhos próximos de 1,2%. Durante a sessão, o Nasdaq chegou a subir 1,8% e o Dow Jones acumulou uma valorização de 677 pontos. A recuperação surge apenas um dia depois de os mercados terem sido pressionados pela incerteza em torno da Gronelândia, com o S&P 500 a perder cerca de 750 mil milhões de dólares (aproximadamente 641,4 mil milhões de euros) numa única manhã.

Também o mercado obrigacionista reagiu, com as yields das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos a recuarem ligeiramente para cerca de 4,257%.

A recuperação dos mercados ocorre após várias semanas de tensão diplomática, durante as quais Donald Trump manifestou publicamente o interesse dos Estados Unidos em adquirir a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca. Apesar de contactos recentes entre responsáveis dinamarqueses e da Gronelândia com o vice-presidente norte-americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, os líderes europeus haviam rejeitado qualquer hipótese de venda do território.

Perante o impasse, Trump chegou a ameaçar a Dinamarca e outros sete países europeus com a aplicação de tarifas de 10% a partir de fevereiro, que poderiam subir para 25% em junho caso não fosse alcançado um acordo. No entanto, numa publicação posterior na rede social Truth Social, o presidente norte-americano anunciou a suspensão dessas tarifas e revelou a existência de um “quadro para um futuro acordo” relativo à Gronelândia.

“Isto coloca toda a gente numa posição muito favorável, especialmente no que diz respeito à segurança, aos minerais e a tudo o resto”, afirmou Trump aos jornalistas, sublinhando que não pondera o uso da força para garantir o controlo do território.

Na Europa, o impacto foi imediato. Cerca das 09:30 em Lisboa, o índice EuroStoxx 600 avançava 1,25%, para 610,10 pontos. As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt registavam ganhos de 0,79%, 1,30% e 1,34%, respetivamente, enquanto Madrid e Milão subiam 0,92% e 0,88%. A bolsa de Lisboa acompanhou a tendência positiva, com o PSI a valorizar 1,38%, para 8.577,49 pontos, aproximando-se novamente de máximos de mais de uma década.

Na Ásia, o sentimento também foi positivo. O índice Nikkei, em Tóquio, subiu 1,73%, impulsionado pelo setor tecnológico e pelos semicondutores. Em Xangai, o índice de referência ganhou 0,14% e em Shenzhen avançou 0,5%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong registava uma subida marginal de 0,05%.

Nos mercados de matérias-primas, o petróleo apresentou ligeiras correções. O Brent, referência europeia, para entrega em março, recuava 0,46% para 64,95 dólares (cerca de 55,6 euros) por barril, enquanto o West Texas Intermediate, referência nos Estados Unidos, descia 0,31% para 60,43 dólares (aproximadamente 51,7 euros).

Os metais preciosos continuaram, no entanto, a funcionar como ativo de refúgio. O ouro atingiu um novo máximo histórico, com a onça a ser negociada a 4.828,65 dólares (cerca de 4.131 euros), enquanto a prata subia para 94,02 dólares (aproximadamente 80,4 euros) por onça.

No mercado de criptomoedas, a bitcoin recuava 0,41%, sendo negociada a 89.813,3 dólares (cerca de 76.826 euros).

No mercado cambial, o euro desvalorizava ligeiramente face ao dólar, sendo negociado a 1,1687 dólares em Frankfurt, depois de ter atingido recentemente máximos de quatro anos.

EUA vão renegociar com Dinamarca acordo de 1951 de defesa da ilha

Os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia, disse hoje uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre o Presidente norte-americano e o chefe da NATO.

A segurança do Ártico será reforçada e contará com a contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte à agência de notícias France-Presse (AFP).

A fonte, que não foi identificada pela agência francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada no encontro de quarta-feira entre Donald Trump e Mark Rutte em Davos.

Trump e Rutte discutiram na estância suíça um pré-acordo sobre a Gronelândia que o secretário-geral da NATO disse hoje que visa impedir o acesso económico e militar da Rússia e da China aos países do Ártico.

A revisão do tratado de 1951 surge num contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.

O acordo de 1951 refere-se ao destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.

O documento, intitulado “Defesa: Gronelândia”, estabelece atualmente no primeiro artigo que a base aérea de Thule, ou Pituffik, é a “única zona de defesa” na ilha ártica.

A nova renegociação destina-se a incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE.

O projeto tem um custo estimado de 175 mil milhões de dólares (149,6 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

Inspirado no sistema de defesa de Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do atual mandato de Trump, em 2029.

O sistema visa proteger não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças da China e da Rússia.

A revisão do tratado bilateral de 1951 é um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.

O entendimento, divulgado por meios de comunicação alemães como o Der Spiegel e o Die Welt, inclui a suspensão das taxas aduaneiras que Trump tinha ameaçado impor aos países europeus.

A ameaça de taxas, inicialmente de 10% e depois de 25%, foi feita à Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, países-membros da UE, e ainda Noruega e Reino Unido.

A UE vai discutir hoje a questão numa cimeira Europeu extraordinária em Bruxelas, em que participa o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.

Os dirigentes da UE admitiram retaliações comerciais com taxas sobre importações dos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros se Trump mantivesse a ameaça.

Outro ponto do entendimento NATO-EUA é o controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.

A Administração norte-americana vai poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que potências rivais assegurem recursos estratégicos.

Trump confirmou que o acordo vai garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.

O quarto ponto tem a ver com o reforço da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um compromisso mais firme com a segurança regional.

Trata-se de uma exigência de Washington face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da “massa de gelo” ártica.

O pré-acordo não inclui, até ao momento, qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado ceder.

com Lusa e Zachary Folk/Forbes Internacional

Mais Artigos