BMW reúne pela primeira vez os 20 Art Cars que transformaram automóveis em obras de arte

Há coleções de arte que se observam numa parede, num museu ou numa galeria. E há uma que nasceu para ocupar um lugar bastante diferente: a estrada. Pela primeira vez em cinco décadas, os 20 BMW Art Cars estão reunidos num mesmo local, numa exposição que celebra meio século de uma das mais singulares relações…
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A coleção BMW Art Car, iniciada em 1975 com Alexander Calder, junta pela primeira vez todas as suas 20 criações num único espaço. A exposição está patente no BMW Welt, em Munique, até 31 de agosto e reúne nomes como Andy Warhol, Roy Lichtenstein, David Hockney, Jeff Koons e Julie Mehretu.
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Há coleções de arte que se observam numa parede, num museu ou numa galeria. E há uma que nasceu para ocupar um lugar bastante diferente: a estrada. Pela primeira vez em cinco décadas, os 20 BMW Art Cars estão reunidos num mesmo local, numa exposição que celebra meio século de uma das mais singulares relações entre automóvel, arte, design e tecnologia.

A exposição “BMW Art Cars – 20 Artistas, 50 anos de inovação. Reunidos em BMW Welt” está patente no BMW Welt, em Munique, até 31 de agosto de 2026, com entrada gratuita.

A coleção começou em 1975, por iniciativa do piloto de corridas e leiloeiro de arte francês Hervé Poulain e de Jochen Neerpasch, então diretor da BMW Motorsport. A ideia era convidar um artista para transformar um automóvel de competição numa obra de arte.

O projeto surgiu em 1975. A ideia era convidar um artista para transformar um automóvel de competição numa obra de arte.

O primeiro artista escolhido foi Alexander Calder, que aplicou a sua linguagem artística a um BMW 3.0 CSL de competição. Nascia assim uma coleção que, ao longo dos 50 anos seguintes, iria reunir alguns dos nomes mais relevantes da arte moderna e contemporânea.

Alexander Calder — BMW 3.0 CSL, 1975

Hoje, os BMW Art Cars são simultaneamente peças artísticas, objetos de design e testemunhos da evolução tecnológica da marca alemã.

De Calder a Mehretu

A exposição no BMW Welt permite observar pela primeira vez os 20 automóveis da coleção em conjunto. O percurso começa pelas criações mais recentes e recua no tempo até ao primeiro Art Car.

Na entrada, vídeos documentais introduzem a história do projeto e contextualizam a importância da coleção. O percurso começa com o BMW Art Car nº 20, criado por Julie Mehretu, e o nº 19, de John Baldessari.

A obra de Mehretu, apresentada em 2024 sobre um BMW M Hybrid V8, mostra também como o projeto se expandiu para além da transformação estética de um automóvel. A artista esteve envolvida na criação do African Film and Media Arts Collective (AFMAC), juntamente com o produtor e argumentista Mehret Mandefro, iniciativa destinada a apoiar artistas e cineastas de África e da diáspora.

A coleção prossegue com nomes como Cao Fei, responsável pelo BMW M6 GT3 de 2017, Jeff Koons, que criou em 2010 uma interpretação do BMW M3 GT2, e Olafur Eliasson, cujo trabalho sobre um protótipo movido a hidrogénio constitui uma das peças mais invulgares do conjunto.

Mais atrás na cronologia surgem artistas como Jenny Holzer, David Hockney, Esther Mahlangu, A.R. Penck, César Manrique, Matazo Kayama e Sandro Chia.

E, naturalmente, alguns dos nomes mais reconhecidos da história da arte contemporânea: Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Robert Rauschenberg e Frank Stella.

Andy Warhol e o BMW M1

Entre os automóveis mais conhecidos da coleção está o BMW M1 decorado por Andy Warhol, em 1979.

Warhol transformou o automóvel numa composição de cores e formas que acompanha as linhas da carroçaria. O artista chegou a descrever a sua abordagem de forma particularmente direta: tentou representar a velocidade através da própria aparência do automóvel.

O BMW M1 tornou-se uma das peças mais emblemáticas da coleção, numa altura em que a ligação entre a cultura automóvel e a arte contemporânea ainda estava longe de ter a dimensão que viria a alcançar.

Quase meio século depois, a lista de artistas convidados tornou-se um inventário da própria história da arte contemporânea das últimas décadas.


20 artistas, 20 interpretações

A coleção atualmente reunida em Munique inclui:

  • Alexander Calder — BMW 3.0 CSL, 1975

    Alexander Calder — BMW 3.0 CSL, 1975
  • Frank Stella — BMW 3.0 CSL, 1976

    Frank Stella — BMW 3.0 CSL, 1976
  • Roy Lichtenstein — BMW 320i Turbo, 1977

    Roy Lichtenstein — BMW 320i Turbo, 1977
  • Andy Warhol — BMW M1, 1979

    Andy Warhol — BMW M1, 1979
  • Ernst Fuchs — BMW 635 CSi, 1982

    Ernst Fuchs — BMW 635 CSi, 1982
  • Robert Rauschenberg — BMW 635 CSi, 1986

    Robert Rauschenberg — BMW 635 CSi, 1986
  • Michael Nelson Jagamara — BMW M3 Group A, 1989

    Michael Nelson Jagamara — BMW M3 Group A, 1989
  • Ken Done — BMW M3 Group A, 1989

    Ken Done — BMW M3 Group A, 1989
  • Matazo Kayama — BMW 535i, 1990

    Matazo Kayama — BMW 535i, 1990
  • César Manrique — BMW 730i, 1990

    César Manrique — BMW 730i, 1990
  • A.R. Penck — BMW Z1, 1991

    A.R. Penck — BMW Z1, 1991
  • Esther Mahlangu — BMW 525i, 1991

    Esther Mahlangu — BMW 525i, 1991
  • Sandro Chia — BMW M3 GTR, 1992

    Sandro Chia — BMW M3 GTR, 1992
  • David Hockney — BMW 850 CSi, 1995

    David Hockney — BMW 850 CSi, 1995
  • Jenny Holzer — BMW V12 LMR, 1999

    Jenny Holzer — BMW V12 LMR, 1999
  • Olafur Eliasson — BMW H2R, 2007

    Olafur Eliasson — BMW H2R, 2007
  • Jeff Koons — BMW M3 GT2, 2010

    Jeff Koons — BMW M3 GT2, 2010
  • John Baldessari — BMW M6 GTLM, 2016

    John Baldessari — BMW M6 GTLM, 2016
  • Cao Fei — BMW M6 GT3, 2017

    Cao Fei — BMW M6 GT3, 2017
  • Julie Mehretu — BMW M Hybrid V8, 2024

    Julie Mehretu — BMW M Hybrid V8, 2024

O conjunto permite acompanhar não apenas diferentes movimentos e linguagens artísticas, mas também a transformação dos próprios automóveis da BMW: dos modelos de competição dos anos 1970 aos protótipos e máquinas de competição híbridas do século XXI.


Uma obra de duas toneladas

Entre as peças em exposição no exterior do BMW Welt está o BMW H2R Project, de Olafur Eliasson, identificado como BMW Art Car nº 16.

A obra nasceu de um protótipo BMW movido a hidrogénio. Eliasson removeu a carroçaria original e substituiu-a por uma estrutura em forma de rede construída com metal refletor, posteriormente revestida com várias camadas de água congelada.

O resultado pesa aproximadamente duas toneladas e é iluminado a partir do interior.

Mais do que uma transformação estética, Eliasson utilizou o automóvel para refletir sobre a relação entre tecnologia, energia e sustentabilidade.

BMW H2R Project, de Olafur Eliasson,

O BMW Welt é apenas o quarto local no mundo onde esta instalação foi apresentada publicamente desde a sua estreia, em 2007.

A própria arquitetura do BMW Welt foi escolhida como cenário para a reunião da coleção. O espaço, concebido como um ponto de encontro entre a BMW e o público, permite apresentar os automóveis como peças de arte, mas sem eliminar a sua relação original com o design e a engenharia.

A exposição “BMW Art Cars – 20 Artistas, 50 Anos de Inovação. Reunidos em BMW Welt” pode ser visitada gratuitamente no BMW Welt, em Munique, até 31 de agosto de 2026.

No final do percurso encontra-se precisamente o ponto de partida da história: o BMW Art Car nº 1, de Alexander Calder, colocado num lugar central.

Cinquenta anos depois de um piloto de competição e um responsável da BMW Motorsport terem imaginado o que aconteceria se um artista pegasse num carro de corrida, a coleção transformou-se numa espécie de arquivo sobre rodas. Reunidos pela primeira vez, os 20 automóveis mostram como a arte pode reinterpretar um objeto industrial — e como um automóvel pode, por sua vez, tornar-se parte da história da arte.

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