“A Marca dos Portugueses”: a epopeia da UMM no Dakar de 1984 chega à banda desenhada

Há histórias do automobilismo português que permanecem associadas não apenas aos resultados alcançados, mas à dimensão da aventura que lhes esteve na origem. A participação da UMM no Paris-Dakar é uma delas. Em 1984, cinco veículos da marca portuguesa estiveram ligados à prova africana, numa edição que contou com 427 equipas à partida e que…
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A aventura da UMM no Paris-Dakar de 1984, uma das páginas mais marcantes do todo-o-terreno português, chega agora à banda desenhada. “A Marca dos Portugueses”, apresentada no passado sábado, recupera a história da participação da marca portuguesa na lendária prova africana, entre factos, memórias e recriação.
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Há histórias do automobilismo português que permanecem associadas não apenas aos resultados alcançados, mas à dimensão da aventura que lhes esteve na origem. A participação da UMM no Paris-Dakar é uma delas. Em 1984, cinco veículos da marca portuguesa estiveram ligados à prova africana, numa edição que contou com 427 equipas à partida e que levou pilotos, navegadores e equipas de assistência através de um dos percursos mais exigentes do desporto automóvel da época.

É essa história que chega agora ao papel através de “A Marca dos Portugueses”, uma obra em formato de banda desenhada e reportagem, com autoria de António Cruz, Eva Vieira Mendes e V. Lusquinhos, apresentada no passado sábado, 26 de setembro.

A obra inspira-se na participação da UMM na edição de 1984 e procura reconstruir, com rigor, não apenas os acontecimentos desportivos, mas também o ambiente e a experiência humana vivida durante a prova. O deserto, as dificuldades mecânicas, a resistência dos participantes e a necessidade de continuar perante condições extremas são alguns dos elementos que atravessam a narrativa.

A participação da UMM no Paris-Dakar de 1984, a terceira e última presença oficial da marca portuguesa naquele período, é agora recuperada numa banda desenhada que cruza reportagem, memória e ficção para revisitar uma das aventuras mais marcantes do todo-o-terreno nacional.

Em 1984, o UMM nº 216, conduzido por Pedro Cortês e João Teixeira Gomes, foi o melhor classificado da marca, terminando no 34º lugar da classificação geral. Cortês completava então a sua terceira participação consecutiva no Dakar.

O segundo melhor UMM foi o nº 217, de José Megre e Pedro Vilas-Boas, que terminou no 42º lugar. José Megre era, também, uma das figuras centrais da aventura africana da UMM, depois de ter participado nas edições de 1982 e 1983.

Os restantes veículos em competição foram o UMM nº 218, de Vítor Cardoso, Jorge Lopes e Norberto Soares, e o nº 219, de Carlos Barbosa, Ernesto Rosa e António Abreu, ambos sem classificação final. A equipa contava ainda com o UMM nº 482, associado a Eduardo Pichel e Camilo Marques, na assistência.

A participação de 1984 encerrava um ciclo iniciado dois anos antes. Em 1982, José Megre, Pedro Cortês, Manuel Romão, Pedro Vilas-Boas e outros elementos levaram pela primeira vez os UMM até Dakar. A presença numa prova com a dimensão internacional do Paris-Dakar permitiu colocar uma marca portuguesas perante uma audiência muito mais ampla.

Entre memória e ficção

Os UMM, produzidos em Portugal a partir de um conceito desenvolvido pela Cournil, enfrentavam veículos e equipas com recursos significativamente superiores. Num contexto em que a resistência mecânica podia ser tão determinante como a velocidade, levar os veículos até ao fim das etapas constituía, por si só, um desafio. A aventura contribuiu também para a afirmação do todo-o-terreno de competição em Portugal. É essa dimensão humana que “A Marca dos Portugueses” procura recuperar. A narrativa ilustrada por Eva Vieira Mendes, com cor de V. Lusquinhos, combina acontecimentos reais com uma reconstrução ficcional dos diálogos e das situações vividas pelos participantes.

Os autores recorreram às memórias recolhidas para reconstruir as emoções, dúvidas, decisões, dificuldades e momentos de companheirismo que marcaram a travessia. Assim, a obra não pretende apresentar uma transcrição documental de cada diálogo, mas recriar a experiência de quem esteve envolvido na prova.

O resultado procura transportar o leitor para o ambiente do Dakar de então: o som dos motores, o silêncio do deserto, as etapas intermináveis e a pressão sobre homens e máquinas.

A obra inclui ainda textos introdutórios de várias personalidades ligadas ao Dakar e à história da UMM, entre elas Rui Cardoso, Pedro Vilas-Boas, João Teixeira Gomes, Pedro Cortês, “Tucha”, Vítor Paula Cardoso, Tomé Norberto, Norberto Liberato, Patrick Resseca-Duparc, Annie Resejac-Duparc, Margarida Magalhães Ramalho e Catarina Magalhães Ramalho.

Entre os participantes e personagens recuperados pela obra encontram-se alguns dos protagonistas das próprias participações da UMM no Dakar, permitindo cruzar a narrativa gráfica com testemunhos de quem viveu diretamente aquela aventura.

“A Marca dos Portugueses” sucede, numa linguagem diferente, a outras iniciativas de preservação dessa memória. Em 1985, José Megre publicou Paris-Dakar – Da Aventura à Competição, dedicado às participações portuguesas nas edições de 1982, 1983 e 1984. Mais de quatro décadas depois, a história regressa através da banda desenhada, aproximando uma geração que viveu o Dakar da época de novos leitores e recuperando um episódio em que uma pequena marca portuguesa conseguiu levar os seus veículos até uma das provas mais exigentes e reconhecidas do automobilismo internacional.

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