Um estudo do Banco de Portugal de Portugal revela que o peso da dívida pública no Produto Interno Bruto (PIB) em Portugal deixará de diminuir no início da próxima década. Segundo o Boletim Económico de junho e a Análise e Projeções de Finanças Públicas, preparado pelos economistas Cláudia Braz, Nuno Vilarinho Gonçalves, Shamin Sazedi e Lara Wemans, há uma previsão de que o saldo orçamental – a diferença entre receitas e despesas públicas – se deteriore gradualmente, atingindo um défice de 2,7% do PIB em 2035. O rácio da dívida pública deverá atingir 75% do PIB em 2033, iniciando depois uma trajetória de subida, ainda que contida no horizonte apresentado.
Este cenário base incorpora os custos associados ao envelhecimento da população, mas não tem em conta medidas de política além das já consideradas nas projeções. Os analistas alertam que a incerteza quanto à evolução da economia traduz-se em diferentes trajetórias possíveis para a dívida pública. Uma análise que incorpora essa incerteza sugere que a probabilidade de o rácio da dívida ultrapassar 75% do PIB em 2035 é de 44%, enquanto a probabilidade de o rácio exceder 89,7% (que corresponde ao valor observado em 2025) é de 17%.
“Apesar da deterioração na situação orçamental, Portugal mantém-se como um dos poucos países da área do euro com um saldo orçamental próximo do equilíbrio ou em excedente”, pode ler-se no documento.
Certo é que o saldo orçamental diminui ao longo do horizonte de projeção. Nas projeções apresentadas e após um excedente de 0,7% do PIB em 2025, preveem-se défices orçamentais de 0,2% em 2026 e 0,5% em 2027 e 2028. No estudo é referido que, face à projeção publicada no Boletim Económico de dezembro, o efeito de base associado ao resultado mais favorável do que o esperado em 2025 é parcialmente atenuado pela incorporação de novas medidas, no âmbito do pacote da habitação, dos apoios a famílias e empresas afetadas pelas tempestades e das decorrentes despesas de reconstrução e da mitigação do aumento dos preços da energia. “Apesar da deterioração na situação orçamental, Portugal mantém-se como um dos poucos países da área do euro com um saldo orçamental próximo do equilíbrio ou em excedente”, pode ler-se no documento.
Por outro lado, há fatores continuam a apoiar o crescimento económico em 2026, como a favorável situação do mercado de trabalho, as maiores entradas de fundos europeus que dinamizam o investimento e a orientação da política orçamental que permanece expansionista.
No que diz respeito às projecções para a economia portuguesa entre 2026 e 2028, o crescimento do PIB deverá diminuir para 1,8% em 2026 e 1,6% em 2027, situando-se em 1,8% em 2028.
Já a inflação deverá subir para 3,1% em 2026 e retornar a valores próximos de 2% nos anos seguintes. A inflação registada em 2026 reflete sobretudo o aumento do preço do petróleo, o que implica o agravamento das condições financeiras e o menor crescimento da procura externa.
Por outro lado, há fatores continuam a apoiar o crescimento económico em 2026, como a favorável situação do mercado de trabalho, as maiores entradas de fundos europeus que dinamizam o investimento e a orientação da política orçamental que permanece expansionista.
Já a desaceleração da atividade em 2027 reflete o abrandamento do investimento associado ao fim do PRR. O banco de Portugal projeta que o impacto do aumento mais contido da população sobre a oferta de emprego seja compensado por um maior crescimento da produtividade, para o que contribui, entre outros fatores, a melhoria das qualificações da população e o aumento do peso de serviços de maior valor acrescentado no VAB e exportações.





