Banco de Portugal: Dívida externa reduziu de 36,5% do PIB para 33,9% no primeiro semestre

O Banco de Portugal lançou ontem as suas estatísticas relativas à balança de pagamentos e posição de investimento internacional, valores referentes aos primeiros seis meses do ano. Assim, e comparativamente com o primeiro semestre de 2025, o excedente externo reduziu-se em mil milhões de euros, descendo para cerca de 1,2 mil milhões de euros. O…
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A dívida externa portuguesa reduziu de 111,8 mil milhões de euros, no final de 2025, para os 107 mil milhões de euros em junho deste ano. Este é o rácio mais baixo desde março de 2001.
Economia

O Banco de Portugal lançou ontem as suas estatísticas relativas à balança de pagamentos e posição de investimento internacional, valores referentes aos primeiros seis meses do ano. Assim, e comparativamente com o primeiro semestre de 2025, o excedente externo reduziu-se em mil milhões de euros, descendo para cerca de 1,2 mil milhões de euros. O excedente externo da balança de pagamentos corresponde ao saldo positivo das balanças corrente e de capital e significa que o país gera recursos financeiros superiores aos que gasta com o resto do mundo.

A análise estatística do banco central mostra que esta redução do excedente reflete o aumento de 2.508 milhões de euros do défice da balança de bens. Ou seja, as importações cresceram mais 4,71 mil milhões de euros, enquanto as exportações apenas cresceram 2,2 mil milhões de euros. Por outro lado, registou-se um aumento do excedente da balança de capital, em 1,32 mil milhões de euros, refletindo os recebimentos de indemnizações de resseguros do exterior, devido às tempestades, e também de fundos europeus, nomeadamente do PRR. Recorde-se que a balança de capital regista todas as transferências de capital do país, como fundos comunitários para investimento, e a compra ou venda de ativos não financeiros não produzidos, como como terrenos, marcas, licenças e até passes de jogadores de futebol. A análise publicada pelo banco central refere que o excedente das balanças corrente e de capital representou 0,8% do PIB semestral.

O excedente externo da balança de pagamentos reduziu-se em mil milhões de euros, descendo para cerca de 1,2 mil milhões de euros.

A capacidade de financiamento da economia portuguesa traduziu-se num saldo positivo da balança financeira de 630 milhões de euros. Os setores que mais contribuíram para este saldo positivo foram as administrações pública, que aumentaram os seus depósitos no exterior, e também as seguradoras e fundos de pensões, através do investimento em títulos de dívida emitidos por não residentes. No sentido contrário, os setores com a maior diminuição de ativos líquidos foram o banco central e as sociedades não financeiras, devido ao crescimento dos passivos de depósitos e de capital, respetivamente.

Dívida externa nacional caiu no primeiro semestre

Já a dívida externa portuguesa – que mede os passivos líquidos perante o exterior, excluindo os instrumentos de capital, ouro em barra e derivados financeiros – reduziu de 111,8 mil milhões de euros, no final de 2025 – o que representava 36,5% do PIB -, para os 107 mil milhões de euros, ou seja cerca de 33,9% do PIB. O Banco de Portugal refere que este é o rácio mais baixo desde março de 2001.

Relativamente à posição do investimento internacional (PII), este passou de menos 49,9% do PIB (cerca de 153 mil milhões de euros negativos), no final de 2025, para menos 48,3% (152,8 mil milhões de euros negativos), no final do primeiro semestre de 2026. Este indicador representa o saldo entre os ativos financeiros sobre o exterior detidos por residentes e os passivos emitidos por residentes e detidos pelo resto do mundo. O Banco de Portugal ressalva que este é o rácio menos negativo registado desde setembro de 2001.

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