Banco de Portugal corta crescimento e agrava inflação para 2026

O Banco de Portugal (BdP) reviu em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para 1,8% em 2026, ao mesmo tempo que antecipa uma aceleração da inflação para 2,8%, de acordo com o boletim económico divulgado esta quarta-feira. A nova estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) português representa uma redução de 0,5 pontos…
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O Banco de Portugal reviu em baixa o crescimento económico nacional para 1,8% em 2026 e antecipou uma aceleração da inflação para 2,8%, refletindo o impacto do conflito no Médio Oriente, segundo o mais recente boletim económico.
Economia

O Banco de Portugal (BdP) reviu em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para 1,8% em 2026, ao mesmo tempo que antecipa uma aceleração da inflação para 2,8%, de acordo com o boletim económico divulgado esta quarta-feira.

A nova estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) português representa uma redução de 0,5 pontos percentuais face aos 2,3% projetados em dezembro, valor que coincide com a previsão inscrita pelo Governo no Orçamento do Estado para 2026. Segundo a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira, esta revisão reflete a deterioração do contexto internacional, em particular o impacto do conflito no Médio Oriente.

De acordo com o BdP, a guerra tem contribuído para o aumento dos preços dos bens energéticos e para a expectativa de condições de financiamento mais restritivas, fatores que penalizam a atividade económica. A estes juntam-se os efeitos de eventos climáticos extremos no início do ano e um desempenho mais fraco da economia no final de 2025 do que o antecipado anteriormente.

Ainda assim, o banco central português aponta alguns fatores de mitigação, como a resiliência do mercado de trabalho, a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR, Plano de Recuperação e Resiliência) e uma política orçamental de natureza expansionista.

Para os anos seguintes, o BdP também ajustou ligeiramente as perspetivas. Em 2027, a economia deverá crescer 1,6%, abaixo dos 1,7% anteriormente estimados, enquanto para 2028 a projeção mantém-se nos 1,8%. A evolução da atividade será condicionada, sobretudo, pelo abrandamento da oferta de trabalho e pela redução dos fundos europeus disponíveis.

Inflação agrava-se

Em paralelo, o cenário para os preços aponta no sentido inverso. O BdP prevê que a inflação acelere para 2,8% em 2026, uma revisão em alta de 0,7 pontos percentuais face às previsões anteriores, superando também os 2,1% estimados pelo Governo. Para 2027, a taxa de inflação deverá situar-se nos 2,3%, mais 0,3 pontos percentuais do que o antecipado em dezembro.

“O conflito no Médio Oriente explica, em larga medida, as revisões em alta da inflação em 2026 e 2027”, refere a instituição, acrescentando que a normalização deverá ocorrer apenas em 2028, ano em que a inflação deverá regressar a 2%, com a dissipação dos efeitos do choque energético.

O BdP sublinha, no entanto, que o cenário apresentado está sujeito a um elevado grau de incerteza. As projeções têm por base expectativas de mercado até 13 de março e assumem um impacto relativamente contido do conflito, tanto na confiança de famílias e empresas como nas cadeias de abastecimento globais.

“A intensificação ou prolongamento das hostilidades teria um impacto mais significativo nos preços e na atividade”, alerta a instituição.

com Lusa

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