Os bancos portugueses rejeitam de forma linear a sua indisponibilidade para conceder crédito às empresas e deixam um repto para que exista uma maior procura por parte das mesmas junto da banca. Esta foi uma das principais mensagens transmitidas no painel ‘Banca: e depois do ano de ouro, como se cresce?’ inserido no Fórum Banca 2026, organizado pelo Jornal Económico e que decorre no Hotel Ritz, em Lisboa esta terça-feira e que junta os CEOs dos maiores bancos nacionais, representantes de bancos digitais e fintechs, especialistas em tecnologia e inovação, responsáveis do setor jurídico e institucional, bem como membros do Governo.
“O problema está no lado da procura. Temos de perceber porque não investem os empresários. Os custos de contexto levam a uma maior indisponibilidade das empresas para investir, o preconceito com os resultados. Há que olhar para as coisas como elas são. A banca portuguesa tem muitíssima liquidez”, referiu Miguel Maya, CEO do Millenium BCP.
Por sua vez, Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos (CGD), salientou que o grupo tem cerca de 90 biliões de euros disponíveis para contratar com as empresas, mas que elas não querem contratar ou a área empresarial da CGD ainda não conseguiu chegar.
“Há um conjunto de empresas que têm uma liquidez sem paralelo. Todos os bancos disseram que estão presentes. Todos os bancos têm perspetivas de aumentos de crédito às empresas e de quota de mercado”, afirmou.
Também Isabel Guerreiro, CEO do Banco Santander manifestou que existe vontade dos bancos em emprestar crédito às empresas e apoiar os seus projetos. “O tema é o incentivo há procura. Essa procura não acontece com a intensidade que todos gostaríamos que acontecesse. Algumas empresas não sentem essa necessidade”, sublinhou.
Quem também se mostrou incomodado com as críticas feitas à banca foi João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, recordando o período da pandemia, onde os bancos foram fundamentais para manter a economia em funcionamento.
“Lembro-me do Covid onde se apontava o dedo aos bancos. É sempre um mau sinal. No Covid os bancos foram a grande solução, estiveram sempre abertos, demos moratórias a centenas de milhares de pessoas e fomos criticados por isso. É fácil bater nos bancos. Estamos cá sempre pelos clientes particulares e empresas”, reiterou.
Já Sérgio Frade, CEO do Crédito Agrícola destacou que todos os bancos gostariam de conceder mais crédito, dando o exemplo da sua entidade que no setor agrícola representa 10% da exposição de crédito total. “Dois terços são empresas. Se alguém tem financiado a economia regional é o Crédito Agrícola”, realçou.
Por seu turno, Pedro Leitão, CEO do Banco Montepio refutou “completamente a questão dos bancos não estarem disponíveis para conceder crédito”, salientando que a banca portuguesa agregada conta com 210 biliões de euros, dos quais 105 biliões são em crédito habitação.
“Não é à toa que Portugal é um país de proprietários. Nas empresas são 75 biliões do setor não financeiro. A concorrência é feroz em todos os setores de atividade. No crédito habitação também”, afirmou.





