Automóveis chineses convencem pela tecnologia, mas pós-venda e qualidade geram dúvidas

As marcas automóveis chinesas estão a conquistar a atenção dos consumidores portugueses, mas ainda têm desafios a superar para transformar o interesse em confiança. A rede de pós-venda e assistência, a fiabilidade e a qualidade dos veículos são as principais preocupações identificadas num inquérito do Standvirtual, realizado junto de 602 participantes, que procurou avaliar a…
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Um inquérito do Standvirtual revela que 55% dos consumidores portugueses admite considerar a compra de um automóvel de marca chinesa. A tecnologia é o atributo mais bem avaliado, mas a assistência, a fiabilidade e o valor de revenda continuam a ser obstáculos à decisão de compra.
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As marcas automóveis chinesas estão a conquistar a atenção dos consumidores portugueses, mas ainda têm desafios a superar para transformar o interesse em confiança. A rede de pós-venda e assistência, a fiabilidade e a qualidade dos veículos são as principais preocupações identificadas num inquérito do Standvirtual, realizado junto de 602 participantes, que procurou avaliar a perceção dos portugueses sobre estes fabricantes.

A falta de confiança na assistência é a preocupação mais referida, apontada por 37% dos inquiridos. Logo a seguir surgem as dúvidas quanto à fiabilidade e à qualidade dos automóveis, mencionadas por 35%. O valor de revenda ocupa o terceiro lugar, com 26% das respostas, revelando que as reservas dos consumidores não se limitam ao momento da compra, estendendo-se também à manutenção e à futura desvalorização do veículo.

A disponibilidade de peças é outro dos fatores que pesa na decisão, referida por 21% dos participantes. Seguem-se a confiança na bateria e na autonomia (16%), a segurança e a reputação da marca, ambas com 12%. Apenas 10% dos inquiridos afirma não ter grandes preocupações em considerar um automóvel de marca chinesa.

Tecnologia e relação qualidade/preço jogam a favor

Apesar das dúvidas, os resultados mostram que os consumidores reconhecem atributos positivos às marcas chinesas. A tecnologia é o aspeto mais bem avaliado: 74% dos participantes classifica-a positivamente, com 45% a considerá-la muito boa e 29% boa.

A relação qualidade/preço também reúne uma maioria de avaliações favoráveis, com 56% dos inquiridos a atribuir-lhe uma classificação positiva. Destes, 30% considera-a boa e 26% muito boa.

O contraste entre a perceção da tecnologia e as reservas quanto à assistência ajuda a explicar o desafio que estes fabricantes enfrentam no mercado português. A competitividade dos produtos parece despertar interesse, mas a confiança na capacidade de assegurar a manutenção e o acompanhamento dos veículos ao longo dos anos continua a ser uma questão por resolver para uma parte significativa dos consumidores. Assim, de acordo com este inquérito, em termos de perceção do pós-venda, 35% dos participantes classifica a sua confiança como fraca ou muito fraca. Por seu lado,  44% classifica como fraca ou muito fraca a sua confiança no valor de revenda. A falta de informação também é expressiva: 32% dos inquiridos não sabe avaliar a confiança no pós-venda e 28% não tem uma opinião formada sobre o valor de revenda.

Preço, garantia e assistência podem fazer a diferença

Questionados sobre o que os levaria a considerar mais seriamente uma marca automóvel chinesa, os participantes destacam três condições. Um preço mais competitivo face às marcas europeias é o fator mais referido, com 43% das respostas. Seguem-se uma garantia longa e clara, apontada por 39%, e a existência de uma rede nacional de assistência, mencionada por 32%.

Mais de metade admite comprar um automóvel chinês

Apesar das reservas identificadas, a abertura à compra é significativa. No total, 55% dos inquiridos admite considerar um automóvel de marca chinesa, embora com diferentes níveis de predisposição.

Uma parcela de 27% afirma estar ativamente a considerar essa possibilidade. Outros 12% ponderam a compra, mas gostariam de obter mais informação antes de tomar uma decisão. Já 16% só consideraria avançar se o preço fosse significativamente mais competitivo.

No sentido contrário, 28% dos participantes afirma que provavelmente não consideraria uma marca chinesa. Entre os restantes, 9% ainda não tem uma opinião formada e 8% manifesta curiosidade, mas continua sem estar convencido.

Quanto à notoriedade das marcas apresentadas no inquérito, a BYD lidera destacada, sendo reconhecida por 90% dos participantes. Seguem-se a XPeng, com 73%, e a MG, com 70%.

Para Pedro Soares, Head of Sales do Standvirtual, os resultados demonstram que o reconhecimento dos atributos tecnológicos e da relação qualidade/preço tem de ser acompanhado por respostas concretas às dúvidas dos consumidores: “A tecnologia e a relação qualidade/preço são atributos reconhecidos pelos inquiridos, mas a decisão de comprar um veículo de marca chinesa também depende de fatores como a confiança no pós-venda, a realização da manutenção e uma rede nacional de assistência. Os resultados deste inquérito mostram a importância de as marcas apresentarem respostas claras a estas questões, a par de uma oferta competitiva”, afirma.

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