Atlante: “Portugal é um pilar central na nossa estratégia de expansão”

A Atlante, operador de pontos de carregamento rápido e ultrarrápido, entrou em Portugal para atuar na área da mobilidade elétrica e definiu a expansão territorial como parte da estratégia. Em entrevista à Forbes Portugal, o CEO Atlante em Portugal, Carlos Ferraz, explica que um dos fatores que justificam esta aposta resulta do facto de o…
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A Atlante definiu como estratégia o crescimento em Portugal, onde um em cada três carros matriculados já é 100% elétrico. O CEO Atlante em Portugal, Carlos Ferraz, assume que a meta é que nenhum condutor português esteja a mais do que alguns minutos de um carregador da marca.
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A Atlante, operador de pontos de carregamento rápido e ultrarrápido, entrou em Portugal para atuar na área da mobilidade elétrica e definiu a expansão territorial como parte da estratégia. Em entrevista à Forbes Portugal, o CEO Atlante em Portugal, Carlos Ferraz, explica que um dos fatores que justificam esta aposta resulta do facto de o mercado português já estar com elevada maturidade no ecossistema de mobilidade elétrica e está posicionado como um dos mais evoluídos e sofisticados da Europa. Carlos Ferraz detalha ainda que, a empresa que lidera já atingiu o marco de mais de mil pontos de carregamento ativos em Portugal, distribuídos por mais de 420 estações. A presença dos pontos da Atlante estende-se pelos centros urbanos e zonas de retalho. O gestor refere que, para 2026, a ambição prende-se com o reforço contínuo da rede de carregamento e com a introdução da tecnologia EnergyArk, que integra o carregamento rápido e ultrarrápido com o armazenamento local de energia (através de baterias) e a produção solar.

Ao nível da casa-mãe, o plano estratégico é atingir os 35 mil pontos de carregamento, integrando Itália, França, Espanha e Portugal numa rede única, sustentável e sem fronteiras. Carlos Ferraz realça que, mais do que apenas instalar postos, o objetivo internacional é transformar a Atlante numa empresa tecnológica de referência na gestão de energia.

Como estão a articular a parceria com players públicos, privados e concessionárias para garantir a expansão da rede de carregamento?

A nossa expansão assenta num modelo de colaboração ativa entre os diferentes setores. Com os parceiros privados e as concessionárias, focamo-nos em criar valor para os seus espaços, transformando-os em centros de conveniência tecnológica que respondam às necessidades dos condutores modernos. Ao nível público, acreditamos que o sucesso exige uma coordenação estreita entre a indústria e as municipalidades, focada no planeamento urbano inteligente e na simplificação de processos de licenciamento. É esta visão de ecossistema que nos permite integrar o carregamento ultrarrápido de forma orgânica na cidade e nas vias de comunicação, garantindo que a infraestrutura acompanhe o crescimento recorde da frota elétrica que temos vindo a registar.

A Atlante apresenta soluções de carregamento rápido e ultrarrápido. Quais são as principais características que distinguem estas tecnologias?

A distinção fundamental reside na potência entregue e, consequentemente, na gestão do tempo do utilizador. Na Atlante, focamos o nosso investimento em ambas as soluções para garantir que a infraestrutura responde a diferentes perfis de utilização. Enquanto o carregamento rápido é essencial para a capilaridade da rede no dia a dia, o carregamento ultrarrápido torna-se o verdadeiro aliado para paragens curtas em viagem. Com equipamentos que podem atingir os 300 kW, permitimos que o condutor recupere a autonomia necessária em poucos minutos. Esta tecnologia é, por isso, o pilar central para a democratização da mobilidade elétrica em trajetos de longa distância.

Há soluções tecnológicas em desenvolvimento que considera disruptivas ou que vão redefinir a forma como os veículos elétricos são carregados?

Sim, e a Atlante está na linha da frente com o EnergyArk. O EnergyArk é uma solução disruptiva, desenvolvida e produzida no seio do grupo TCC, casa mãe da Atlante, que integra o carregamento rápido e ultrarrápido com o armazenamento local de energia (através de baterias) e a produção solar. Esta tecnologia redefine as regras do jogo: permite-nos instalar postos de alta potência mesmo em locais onde a rede elétrica é limitada, garantindo que o utilizador tem sempre acesso à velocidade máxima de carregamento. Além disso, o EnergyArk transforma os nossos postos em micro redes inteligentes que podem dar suporte e flexibilidade às redes elétricas nacionais em momentos de pico. É a solução definitiva para uma mobilidade elétrica verdadeiramente sustentável e independente, onde o carregador deixa de ser um ponto passivo para se tornar um ativo energético estratégico.

Como equilibram a eficiência técnica com a simplicidade de uso para o cliente final?

Para nós, a eficiência técnica só cumpre o seu propósito quando se torna invisível para o utilizador. Acreditamos que o cliente não deve ter de compreender a complexidade da engenharia de alta potência ou da gestão de rede que acontece nos bastidores. Apenas precisa que o sistema funcione de forma impecável. Na prática, isto significa que toda a sofisticação da nossa rede é gerida através de uma jornada digital fluida na nossa aplicação, onde eliminamos as fricções habituais de pagamento ou ativação. Ao combinarmos esta robustez técnica com a transparência de um tarifário fixo, conseguimos que a tecnologia trabalhe para o utilizador, transformando um processo que poderia ser complexo numa experiência de “chegar e carregar” totalmente previsível e sem stress.

A adoção ainda enfrenta barreiras ao nível do pagamento e da interoperabilidade. Que inovações nos métodos de pagamento a Atlante está a implementar para melhorar essa experiência?

Não vemos, em Portugal, as questões dos pagamentos e interoperabilidade como uma barreira. Portugal é, ao dia de hoje, o único país da europa que permite que o utilizador de um veículo elétrico utilize um único cartão em qualquer ponto de carregamento da rede pública. Esta solução permitiu retirar a ansiedade ao utilizador na procura do carregador do operador A ou B nas suas deslocações. Introduziu, no entanto, alguma complexidade nos tarifários. Por isso, a Atlante disponibiliza na aplicação myAtlante e na sua rede um tarifário fixo, com todas as componentes incluídas, tornando a jornada do utilizador simples e previsível.

Está a ser considerada a integração com apps de mobilidade, carteiras digitais ou ecossistemas partilhados?

A nossa prioridade estratégica é centralizar a experiência do utilizador na app myAtlante. Acreditamos que esta é a única forma de garantir uma jornada totalmente integrada, fluida e de alta qualidade. Ao mantermos o ecossistema na nossa própria aplicação, conseguimos assegurar que o cliente tem acesso direto às nossas soluções mais inovadoras, como o tarifário fixo e o suporte em tempo real, sem as limitações de plataformas de terceiros. O nosso objetivo é que o utilizador encontre na Atlante um hub completo de serviços, onde a simplicidade e o controlo da experiência estão sempre assegurados de forma direta e sem intermediários.

Como se garante que o processo de carregamento é rápido, seguro e intuitivo para utilizadores de veículos elétricos de todas as gerações?

Do ponto de vista do utilizador, a simplicidade é uma prioridade. Desenhamos uma interface intuitiva onde a tecnologia é traduzida em passos diretos. Basta ligar o cabo e ativar o carregamento através da aplicação ou com o cartão. Ao eliminarmos a complexidade técnica, asseguramos que qualquer condutor, independentemente do modelo do seu carro ou da sua experiência com mobilidade elétrica, consiga carregar de forma rápida, segura e sem hesitações. Por outro lado, para garantir uma experiência de excelência com todos os veículos, a Atlante aposta numa arquitetura técnica que se adapta automaticamente às capacidades de cada bateria. O segredo está na inteligência dos nossos postos, que comunicam de forma segura com o veículo para entregar a potência máxima permitida, garantindo sempre a integridade do sistema e a rapidez do processo.

Qual é o estágio atual da cobertura nacional da rede Atlante e que metas têm para 2026?

Atualmente, a Atlante já atingiu o marco histórico de mais de mil pontos de carregamento ativos em Portugal, distribuídos por mais de 420 estações estratégicas. Temos uma presença consolidada em centros urbanos e zonas de retalho, onde o nosso cliente mais precisa. Para 2026, a nossa ambição é clara e prende-se com o reforço contínuo da nossa rede de carregamento e com a introdução, sempre que possível, da tecnologia EnergyArk. A meta para 2026 é continuar o plano para alcançarmos o objetivo de sermos a rede de referência no Sul da Europa e o operador que garante que nenhum condutor português está a mais de alguns minutos de um carregador da Atlante.

Quais são os principais desafios operacionais e regulatórios que enfrentam para a expansão da rede em zonas urbanas, periurbanas e rurais?

No plano regulatório, o maior obstáculo é o descompasso entre a rapidez da tecnologia e a lentidão dos processos administrativos. Embora Portugal seja um exemplo de inovação na mobilidade elétrica, os tempos de licenciamento e de ligação à rede pelas entidades competentes continuam morosos e infelizmente não conseguimos ver melhorias significativas.  Para a Atlante, superar estes desafios exige uma coordenação estreita com os municípios, instituições públicas e parceiros de rede, garantindo que o crescimento da nossa cobertura não seja travado por burocracias, mas sim impulsionado pela necessidade urgente de eletrificar o país.

A interoperabilidade entre redes é um tema crítico para a mobilidade elétrica. Como a Atlante está a trabalhar com outros operadores para garantir uma experiência integrada?

A interoperabilidade é o roaming da mobilidade elétrica. Devemos olhar para a interoperabilidade como um fator essencial para a democratização da mobilidade elétrica e otimização de recursos numa sociedade que pretendemos descarbonizada. É por isso que colocamos todo o nosso esforço na criação da Charge League, uma aliança europeia onde participam também a Ionity, a Electra e a Fastened e que assim reúne os quatro principais operadores de carregamento rápido e ultrarrápido da Europa. O objetivo comum é claro, simplificar radicalmente a vida dos utilizadores de veículos elétricos. Através da Charge League, estamos a estabelecer novos padrões de qualidade e transparência na Europa, garantindo que qualquer condutor possa utilizar a rede de carregamento de forma tão simples como utiliza o telemóvel noutro país. Trata-se de garantir que os preços são claros, que os pagamentos são diretos e que a disponibilidade dos postos é comunicada em tempo real e sem erros. Ao colaborarmos com outros operadores, estamos a transformar um ecossistema que antes era fragmentado, numa rede única e eficiente, onde a única preocupação do condutor é chegar ao seu destino de forma prática e simples.

Enquanto presidente da APOCME – Associação Portuguesa de Operadores e Comercializadores de Mobilidade Elétrica, qual a avaliação que faz do mercado nacional?

A minha avaliação é de um otimismo realista. Portugal é hoje um dos mercados mais dinâmicos e maduros da Europa no que toca à mobilidade elétrica. O crescimento de dois dígitos que temos registado, tanto em vendas de veículos como em número de carregamentos na rede pública, demonstra que os portugueses já superaram a barreira da desconfiança tecnológica. Vemos com satisfação que o ecossistema nacional soube evoluir de uma fase de experimentação para uma fase de mercado consolidado, onde a concorrência entre operadores tem elevado os padrões de qualidade e inovação.

No entanto, este sucesso traz novas responsabilidades. O mercado nacional está num ponto de viragem onde o foco deve passar não só pela quantidade, mas também para a qualidade da infraestrutura, nomeadamente na velocidade de carregamento e na fiabilidade da rede. Embora sejamos um exemplo de interoperabilidade, o desafio atual passa por garantir que o ritmo de instalação de postos acompanha o crescimento acelerado da frota automóvel. O mercado está pronto e os operadores estão a investir fortemente, pelo que o balanço é claramente positivo, com Portugal posicionado como um exemplo de excelência para a mobilidade sustentável no Sul da Europa.

Que barreiras ainda existem no quadro regulatório ou infraestrutural que impeçam uma adoção mais acelerada dos veículos elétricos?

Em Portugal, mas também no resto dos países europeus, ainda enfrentamos barreiras que precisam rapidamente de ser tidas em consideração. Do lado infraestrutural, o grande desafio é a capacidade e rapidez de ligação à rede elétrica de serviço público. A transição para o carregamento ultrarrápido exige potências elevadas que a rede nem sempre consegue entregar de imediato, tornando os processos de viabilidade técnica complexos e, por vezes, demorados. Do lado regulatório passamos, em Portugal, por uma fase de incerteza. A alteração do Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica, através do Decreto-Lei 93/2025 de 14 de agosto, foi, na nossa opinião, demasiado disruptivo colocando, inclusive, objetivos que vão para lá do que está estipulado no regulamento europeu AFIR. O anterior modelo, de 2010, necessitava claramente de evolução e melhorias, mas não uma alteração radical, que em algumas situações não salvaguarda os investimentos feitos pelos operadores privados até à data. Neste momento esse diploma está a ser alvo de uma apreciação parlamentar que, esperemos, possa de forma célere encontrar uma solução que se ajuste às necessidades do mercado. Num mercado já por si desafiante pela evolução natural, quer tecnológica quer pelo seu crescimento, é ainda mais necessária uma estabilidade regulamentar e regulatória que permita que os stakolders privados possam ter previsibilidade face aos avultados investimentos necessários ao crescimento pretendido para a mobilidade elétrica em Portugal.

Onde vê as melhores oportunidades de crescimento para a mobilidade elétrica em Portugal nos próximos três a cinco anos?

Sem dúvida a eletrificação massiva das frotas corporativas. Com os incentivos fiscais e as metas de sustentabilidade das empresas, o segmento profissional será o grande motor de volume e crescimento. A oportunidade aqui não é apenas vender energia, mas oferecer soluções de gestão de frota integradas que simplifiquem a vida das empresas.

Conta com uma experiência de 15 anos na área de Oil & Gas antes de entrar na mobilidade elétrica. Que aprendizagens dessa indústria tradicional têm sido relevantes para liderar uma empresa como a Atlante?

A indústria de Oil & Gas ensinou-me, acima de tudo, a importância da escala, da segurança e da centralidade do cliente. Numa indústria tradicional, a eficiência operacional e a fiabilidade do serviço não são negociáveis. O cliente espera que o combustível esteja disponível e que o processo seja rápido. Na Atlante, aplico esse mesmo rigor. Para que a mobilidade elétrica seja adotada em massa, tem de ser tão fiável e previsível quanto o modelo tradicional foi durante décadas. Outra aprendizagem crítica foi a gestão de redes complexas e a importância da localização estratégica. No entanto, a maior lição foi entender a transição do ponto de vista do utilizador. O meu passado permite-me antecipar as resistências à mudança e desenhar uma estratégia que não foque apenas na tecnologia verde, mas na conveniência real. Liderar a Atlante é, para mim, a oportunidade de utilizar essa experiência de décadas para construir o futuro, garantindo que a inovação tecnológica da mobilidade elétrica herda a robustez e a facilidade de uso que os condutores exigem.

Que competências considera essenciais para um gestor que quer liderar equipas de alta performance num setor tão dinâmico e tecnológico?

Para liderar em setores de rápida evolução como a mobilidade elétrica, considero que a agilidade estratégica é a competência fundamental. Num ambiente onde a tecnologia muda mensalmente e a regulação tenta acompanhar, um gestor de performance deve ser capaz de tomar decisões rápidas com informação incompleta, mantendo sempre o foco no objetivo de longo prazo sem se deixar paralisar pela incerteza. Além da agilidade, a empatia e a clareza na comunicação são vitais. No contexto da Atlante, gerimos equipas multidisciplinares que vão da engenharia ao marketing, e o papel do líder é servir de tradutor entre estes mundos, garantindo que todos partilham a mesma visão centrada no cliente. Por fim, destaco a resiliência operacional como a capacidade de transformar desafios técnicos ou burocráticos em oportunidades de inovação. Um líder neste setor não pode apenas gerir processos e ter um papel secundário, tem de ser um agente de mudança que inspira a equipa a ver cada obstáculo como um passo necessário para acelerar a transição energética num mercado competitivo como o nosso.

Como gere a transição cultural dentro da Atlante: da engenharia tradicional à inovação digital e sustentável, especialmente em equipas multidisciplinares?

Gerir a transição cultural na Atlante exige, acima de tudo, a criação de um propósito partilhado. O grande desafio em equipas multidisciplinares não é a diferença de competências, mas a diferença de linguagens. A minha função é garantir que o engenheiro focado na infraestrutura e o diretor de marketing em inovação digital compreendam que ambos estão a construir a mesma peça, uma experiência para o consumidor final.

 Como imagina o ecossistema de mobilidade elétrica em Portugal e na Europa em 2030?

Imagino que em 2030, em Portugal e na Europa, a mobilidade elétrica deixará de ser medida apenas pelo número de postos instalados e passará a ser avaliada pela qualidade e integração da experiência. Veremos uma consolidação da rede ultrarrápida onde carregar um veículo será um ato tão banal e rápido como tomar um café, eliminando definitivamente a barreira da ansiedade de autonomia em viagens de longa distância. A infraestrutura vai evoluir para hubs inteligentes e multisserviços. Na Europa, a harmonização será total e atravessar fronteiras será um processo sem fricção, com sistemas de pagamento universais e uma rede ubíqua. Portugal, que já é um laboratório de inovação, continuará na vanguarda, servindo de exemplo na integração de energias renováveis com a mobilidade, provando que a sustentabilidade pode ser, acima de tudo, prática, eficiente e acessível a todos os cidadãos.

Quais são as ambições de longo prazo da Atlante ao nível internacional?

A nossa ambição a longo prazo é consolidar a Atlante como o maior operador de carregamento rápido e ultrarrápido do Sul da Europa. O nosso plano estratégico é atingir os 35.000 pontos de carregamento, integrando Itália, França, Espanha e Portugal numa rede única, sustentável e sem fronteiras. Mais do que apenas instalar postos, o nosso objetivo internacional é transformar a Atlante numa empresa tecnológica de referência na gestão de energia. Através da integração de armazenamento e energia 100% renovável, pretendemos garantir que a mobilidade elétrica na Europa seja não só omnipresente, mas também um pilar de estabilidade para a rede elétrica europeia. Queremos ser o parceiro que permite a qualquer condutor atravessar o Sul da Europa com a mesma facilidade e confiança com que se desloca dentro da sua própria cidade.

Se tivesse de definir o próximo grande salto tecnológico ou de mercado para a indústria da mobilidade elétrica, qual seria?

Para definir o próximo verdadeiro salto na indústria da mobilidade elétrica teria de olhar para três pontos chave. O primeiro relacionado com as baterias: não devemos querer liderar a química, mas sim dominar a cadeia. Dificilmente a UE ganhará a corrida da química a países como a China ou os EUA, mas pode ganhar a corrida do sistema industrial. Apostar na produção local – o lítio português deixa de ser uma matéria-prima e passa a valor industrial – e na reciclagem de alto rendimento e second life das baterias, como cluster natural com portos e energia renovável, coloca-nos numa posição de menor exposição geopolítica. O segundo ponto, a infraestrutura de carregamento: de quantidade para qualidade (ou inteligência se pretender). O carregamento tem de ser rápido e previsível (não apenas disponível), a interoperabilidade tem de ser real (um contrato, uma app, um preço claro) e a infraestrutura tem de estar integrada com a rede elétrica e com as renováveis, e pensada para condomínios antigos, frotas e logística urbana. Por último, mas não menos importante, o V2G/V2H: onde Portugal pode ser early winner. Num país onde temos uma elevada penetração de renováveis intermitentes, com uma dimensão que permite pilotos nacionais escaláveis e com menor complexidade regulatória face a países com mercados gigantes, o veículo elétrico é transformado num ativo energético. Como bateria doméstica, backup ou estabilizador de rede o EV passa a ter um impacto concreto na redução de picos de consumo e como novo rendimento para famílias e frotas.

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