Seleção de frases do escritor António Lobo Antunes, que morreu hoje aos 83 anos.
“Escrever é como uma droga dura.”
11-10-2000
“Se não fossem eles [os livros] como é que eu vivia?”
Numa sessão de autógrafos do novo livro “Que farei quando tudo Arde?”, no Palácio Beau Séjour, em Lisboa
07-11-2001
“Escrevo os livros que gostaria de ler, e depois acabo por não os ler.”
No V Congresso de Literatura Comparada, organizado pela Faculdade de Letras de Coimbra
02-06-2004
“Escrever é muito difícil, exige humildade. As palavras vêm muito devagar, tenho de estar à espera. Um pouco como atitude do caçador que espera a presa surja junto ao ribeiro.”
Lusa, 08-11-2004
“Era muito bom que houvesse mais prémios deste género, pois muitos dos escritores portugueses não têm a minha sorte e a da Agustina, que podem dedicar-se exclusivamente à escrita. Têm de andar a roubar horas ao final do dia para poder escrever.”
Depois receber o prémio literário “Fernando Namora”
Lusa, 25-01-2005
“Não sou político, nem jornalista, apenas um homem que escreve livros, não vim [a Jerusalém] fazer a crítica do que aqui sucede, apenas tento compreender”.
Após receber o Prémio Jerusalém 2005
14-02-2005
“Estou a sair da virgindade no Brasil. (…) Se fosse ler o livro agora, diria que foi escrito por um antepassado meu. Não corresponde nada ao que penso ou quero hoje.”
Entrevista ao jornal “Folha de São Paulo” sobre o lançamento no Brasil do seu primeiro romance, “Memória de Elefante”
22-04-2006
“Não há livro que se publique em Portugal que não seja um grande romance, são todos grandes romances – na contracapa. O pior é o que está lá dentro.”
No lançamento de “E se eu gostasse muito de morrer”, do jornalista e argumentista Rui Cardoso Martins
19-10-2006
“Este tipo de cerimónias significam, cada vez mais, um exercício de humildade. A minha vida acaba por girar em torno daquilo que possa ou não possa escrever e o medo de não ser capaz de escrever é constante.”
Na cerimónia de doutoramwento “honoris causa” pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
06-06-2007
“Muita gente compra o livro [Cartas da Guerra] porque querem ver fazer amor pelo buraco da fechadura, mas para mim o mais importante é mostrar o absurdo da guerra.”
No 7.º Festival de Literatura de Berlim
16-09-2007
“Essa foi a minha iniciação literária [as novelas de Corin Tellado], porque estava sozinho numa aldeia, não tinha nada que fazer e já tinha descoberto que, colocando as palavras umas à frente das outras, isso fazia sentido, justificava a minha vida e divertia-me muitíssimo.”
Numa sessão da Feira do Livro de Guadalajara
24-11-2007
“Pasmo-me diariamente com a quantidade de livros que se vendem em Portugal e com a quantidade de gente que se intitula escritor. Pasmo-me quando cada vez mais é para mim claro que não sei escrever, que procuro a perfeição que sei inatingível.”
Na apresentação do seu romance “O Meu Nome é Legião”, no Casino da Figueira da Foz
27-11-2007
“Sempre negociei livros com a morte. Ela deixa-me escrever mais dois livros, mais três livros.”
Na apresentação do seu romance “O Meu Nome é Legião”, Figueira da Foz
27-11-2007
“O português é uma língua fabulosa para escrever.”
Num dialogo com estudantes, críticos e professores que enchiam uma sala da universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris
10-04-2008
“Sinto orgulho em ser português.”
Após receber o Prémio Camões, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa
25-07-2008
“Os prémios, as homenagens, as condecorações são talvez a mais perigosa doença da vida, e a mais mortal, porque corremos o risco de ficar satisfeitos com o nosso trabalho.”
Depois de receber as insígnias de Comendador da Ordem das Artes e das Letras francesas, na embaixada de França, em Lisboa
18-09-2025
“Os livros em Portugal são indecentemente caros.”
Durante a cerimónia em que recebeu o Prémio Clube Literário do Porto
27-12-2008
“Nunca pensei em publicar, apenas em escrever. Quando comecei, aos 31 anos, ninguém queria fazê-lo, nem em Espanha, onde todas as editoras me rejeitaram. Hoje converti-me numa marca registadora como os cereais do pequeno-almoço, sou um cavalo.”
Agência Efe, 26-05-2009
“Para escrever tem que ter dentro de si um Garrincha (jogador brasileiro).”
Na Feira Literária Internacional de Parati, Brasil
05-07-2009
“Escrevo da mesma maneira que a pereira dá peras.”
Antes do lançamento formal do novo livro “Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?
Lusa, 20-10-2009
“A arte não tem que descer ao público [este é que] tem de encontrar a chave de leitura da obra literária.”
Numa sessão na Livraria Almedina Estádio, em Coimbra
05-03-2010
“Eu só comecei a ganhar o meu respeito em África. Porque tinha vergonha de mim.”
Entrevista à agência Lusa, em Paris
24-02-2011
“Numa altura tão difícil e injusta, que os portugueses têm aguentado com uma paciência que eu considero inexcedível, em que vivemos num neofascismo capitalista, que afasta ainda mais as pessoas da cultura e dos livros, estar aqui hoje é, também, um ato de protesto [ao estado da cultura em Portugal].”
Na livraria Pátio das Letras, em Faro
12-10-2011
“Há três ou quatro coisas importantes na vida: os livros, os amigos, as mulheres… e Messi. Ah, se pudesse escrever como o Messi joga.”
El País, 14-01-2012
“Tenho muita pena que tudo se passe numa altura em que os portugueses estão a viver numa maneira horrível, sem esperança, com tanta insensatez e tanta imaturidade.”
27-10-2012
“Enraivece-me viver num país onde senhoras chegam ao pé de nós, nos olham de frente e dizem baixinho: tenho fome.”
António Lobo Antunes
27-10-2012
“Não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um batizado ou um casamento.”
Visão, 31-10-2013
“Não tenho dúvida em dizer que ninguém escreve como eu, mas não sou eu, é o António Lobo Antunes, que é uma pessoa que ninguém sabe quem é. Porque o eu é um menino assustado, muitas vezes com medo e por vezes perdido.”
El País, 23-01-2014
“As pessoas gostam [das crónicas] porque são como piscinas para crianças. É impossível afogar-se. Os livros, por sua vez, são feitos para que se afoguem.
El País, 23-01-2014
“Já ouviu um discurso do primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho]? A quantidade de erros de português que ele dá… Como é que podemos ser governados por pessoas que nem sequer sabem falar português? Não posso com esta mediocridade, com este vazio de ideias, com esta mentira constante.”
Visão, 12-11-2014
“Todos os homens quando estão aflitos querem a mãe, tenham a idade que tiverem. Vi morrer tanta gente nos hospitais e nunca vi um homem chamar pelo pai.”
Visão, 16-12-2015
“Os políticos têm medo da cultura. Um povo culto não tolerava estes ministros, estes discursos, esta mediocridade.”
Jornal de Negócios, 08-01-2016
“São meninos, normalmente de classe média-baixa, que tiram uns metacursos nas privadas, que entram para as juventudes partidárias aos 14 anos. Bastava olhar para a cara dele [Miguel Relvas, ex-ministro do PSD]: aquilo brilhava de estupidez. São estes os políticos que temos. À esquerda, à direita.”
Jornal de Negócios, 08-01-2016
“Ele [José Saramago] tinha-me um pó. Uma inveja. Nunca percebi porquê. (…) Achava-se mesmo um grande escritor. Eu sempre achei aquilo uma merda.”
Revista E, 11-02-2017
“Quero que o Nobel [da Literatura] se foda.”
Diário de Notícias, 07-10-2018
Lusa





