Anabela Pereira e a liderança que se constrói fio a fio

Ao longo de mais de 35 anos de carreira, o que mudou mais na forma como olha para o cabelo e para a saúde capilar? No início da minha carreira, como muitos profissionais, o foco estava sobretudo no resultado: a cor perfeita, o corte certo, o impacto visual. Com o tempo, a experiência e o…
ebenhack/AP
Fundadora do salão Manubela e da marca SelfLove Professional, defende uma nova forma de pensar o cabelo: mais informada, mais humana e sustentável.
Forbes LAB

Ao longo de mais de 35 anos de carreira, o que mudou mais na forma como olha para o cabelo e para a saúde capilar?
No início da minha carreira, como muitos profissionais, o foco estava sobretudo no resultado: a cor perfeita, o corte certo, o impacto visual. Com o tempo, a experiência e o contacto diário com diferentes histórias e cabelos, percebi que o verdadeiro luxo é a saúde capilar. Hoje olho para o cabelo como um organismo vivo, que reage ao stress, ao tempo, às emoções e às escolhas que fazemos. A beleza deixou de ser imediata e passou a ser sustentável.

Depois de trabalhar com grandes marcas internacionais, o que sentiu que ainda faltava no mercado e que a levou a lançar a sua própria marca?
A criação da SelfLove representa a concretização de uma visão muito pessoal, construída ao longo de mais de 35 anos de dedicação à área da beleza. Durante toda a minha carreira caminhei de mãos dadas com a evolução da indústria de beleza profissional vivi de perto as mudanças nas fórmulas, nas tendências e nas exigências de um setor em constante transformação. Mas senti que faltava uma marca criada a partir da realidade do salão, do contacto direto com o cabelo, com as dificuldades reais das clientes e dos profissionais. A SelfLove surge para preencher esse espaço: unir eficácia, simplicidade e respeito pelo cabelo.

A SelfLove Professional cresceu rapidamente, atualmente com presença em mais de 160 salões. A que atribui este crescimento tão consistente em menos de três anos?
O crescimento da SelfLove acontece porque existe coerência entre discurso e prática, mas sobretudo de empatia. Os profissionais reconhecem nos produtos SelfLove aquilo que a marca defende: resultados consistentes, fórmulas equilibradas e uma filosofia centrada na saúde capilar. Além disso, até agora, a marca cresceu de forma orgânica, sem nenhum comercial a recrutar profissionais, e tem evoluído muito sustentada pela confiança, pelo boca-a-boca e pela proximidade com os salões fruto das formações e eventos que sempre fizeram parte do meu percurso. Mais do que vender produtos construímos relações e acompanhamos os cabeleireiros no seu crescimento. Neste momento são mais 160 salões, mais de 75 produtos, atualmente estamos a desenvolver outras categorias de produtos e evoluir para novos mercados. O valor do meu reconhecimento na área da beleza profissional é fazer a diferença na vida das pessoas, e sem dúvida o meu maior prémio.

A formação é uma parte central do seu percurso. Porque acredita que educar profissionais é tão importante quanto desenvolver bons produtos?
Porque um bom produto nas mãos erradas não cumpre o seu propósito. A formação é o que transforma conhecimento em excelência. Sempre acreditei que educar profissionais é elevar o setor como um todo. Quando um cabeleireiro entende profundamente o cabelo, a química, a saúde capilar e o impacto das suas decisões, ele ganha autonomia, segurança e confiança. Isso reflete-se no resultado e na fidelização das clientes.

É reconhecida pelo domínio da cor, especialmente loiros e balayage. Qual é, para si, o maior erro que ainda se comete quando se fala em transformação capilar?
O maior erro é ignorar o estado real do cabelo em nome do desejo imediato. Ainda existe a ideia de que tudo é possível numa única sessão, quando, na verdade, muitas transformações exigem tempo, cuidado e preparação.

Quando diz que “cuidar da saúde capilar é a sua missão”, o que isso significa na prática para quem se senta hoje na sua cadeira?
Antes de qualquer serviço existe sempre um diagnóstico honesto e transparente. Se o cabelo não estiver preparado, cuidamos primeiro mesmo que isso signifique adiar uma transformação desejada essa é a base da minha missão e do meu trabalho é isso que evangelizo e que faço com que os parceiros que usam a marca e sejam também, embaixadores da saúde capilar.

 

Mais Artigos