O Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal foi criado em 2024 e assume que tem vindo a promover oportunidades de investimento entre os dois países, que potenciem o investimento saudita em Portugal, mas também a expansão de empresas portuguesas para a Arábia Saudita. Ao longo da última semana uma comitiva saudita esteve em Portugal precisamente para fechar acordos e identificar áreas de cooperação. Áreas como energias renováveis, infraestruturas, turismo, tecnologia e agroalimentar estão no radar das empresas e entidades sauditas. O presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal, Alwalid Albaltan, sublinha em entrevista à Forbes Portugal que esta visita pode ter um impacto positivo no crescimento económico, no emprego e na internacionalização do tecido empresarial português. E, ao mesmo tempo, apoiará o desenvolvimento da Arábia Saudita. O líder da organização saudita garante que não vieram a passeio e revela mesmo exemplos práticos desta visita. E não tem dúvidas que o futuro da cooperação entre os dois países já começou. Para já, a comitiva leva na bagagem um memorando assinado entre a ANJE e a Entidade Saudita SDCI – Strategic Deals Company for Investment para a criação da ANJE Saudi Arabia, entre outros acordos com entidades portuguesas. E foi anunciada pela mão do próprio Alwalid Albaltan a abertura de duas das suas empresas que se vão instalar em Vila Nova de Gaia: a primeira, a SDCI, que irá atuar como uma holding de investimento e a Prestige que irá procurar oportunidades relacionadas com soluções urbanas para projetos municipais.
Qual é o principal objetivo desta missão empresarial da Arábia Saudita a Portugal?
O Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal foi criado em 2024 e desde então tem-se esforçado, em estreita cooperação com a sua contraparte portuguesa, Conselho Empresarial Portugal-Arábia Saudita, por criar oportunidades concretas de investimento entre os dois países, que potenciem o investimento saudita em Portugal, mas também a expansão de empresas portuguesas para a Arábia Saudita. Esta missão, a terceira promovida pelo nosso Conselho, tem como propósito explorar essas mesmas oportunidades e continuar a trabalhar para alcançar resultados concretos. Acredito que esta visita pode ter um impacto positivo no crescimento económico, no emprego e na internacionalização do tecido empresarial português. E isso, claro, apoiará o desenvolvimento da Arábia Saudita.
O que torna este momento particularmente relevante nas relações económicas entre os dois países?
Portugal e a Arábia Saudita estão em momentos decisivos no seu desenvolvimento. Esta visita coincide com uma fase de diversificação estratégica da economia saudita, impulsionada pela ‘Visão 2030’, que abre novas oportunidades de cooperação em setores onde Portugal tem competências reconhecidas. Refiro-me, em concreto a áreas como energias renováveis, infraestruturas, turismo, tecnologia e agroalimentar. Ao mesmo tempo, Portugal está numa fase de reforço da sua presença em mercados extraeuropeus e de atração de investimento estrangeiro. O Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal e a sua contraparte portuguesa entendem que há uma convergência de interesses que favorece o aprofundamento das trocas comerciais, do investimento bilateral e das parcerias empresariais entre os dois países.
Quais os setores que estão representados?
A nossa comitiva conta com diversas entidades, públicas e privadas, que representam vários setores de atividade, nomeadamente banca, construção e imobiliário, saúde, indústrias e energia.
Qual a mensagem que as empresas sauditas trazem a Portugal?
Essencialmente que não estamos cá em passeio, mas com muita vontade para conhecer oportunidades de investimento e criar as condições ideais para potenciar novas sinergias entre entidades sauditas e portuguesas. Queremos, de facto, trazer para Portugal a escala e o know how de que a economia saudita dispõe e, ao mesmo tempo, levar para a Arábia Saudita o que de melhor Portugal tem para oferecer.
Durante esta missão, estão previstos protocolos de cooperação e memorandos de entendimento. Que tipo de acordos estão em cima da mesa?
Foi assinado entre a ANJE e a Entidade Saudita SDCI – Strategic Deals Company for Investment um memorando para a criação da ANJE Saudi Arabia, uma plataforma estratégica com uma visão a longo prazo, para apoiar a expansão e a internacionalização de empresas portuguesas na Arábia Saudita. Foi também anunciada a abertura de duas empresas sauditas que vão instalar-se em Vila Nova de Gaia. A primeira, a SDCI, irá atuar como uma holding de investimento, focada na identificação de oportunidades de negócio e investimento em Portugal. O objetivo passa por adquirir participações acionistas, minoritárias e maioritárias, em empresas portuguesas estrategicamente selecionadas, em setores considerados prioritários, como a construção e o turismo.
E a outra empresa?
Já a Prestige é uma empresa com foco exclusivo em oportunidades relacionadas com soluções urbanas para projetos municipais, nomeadamente estacionamento e mobilidade, serviços urbanos e projetos de cidades inteligentes, bem como infraestruturas de entretenimento e lazer. Foi ainda assinado um memorando de entendimento entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e a Câmara da Província Oriental da Arábia Saudita, com o objetivo de reforçar a cooperação e a partilha de boas práticas no âmbito da atividade municipal. Ao abrigo desse memorando as duas partes podem e devem desenvolver as capacidades institucionais e técnicas dos municípios; apoiar o planeamento urbano sustentável e o desenvolvimento de cidades inteligentes; incentivar o investimento municipal qualificado e sustentável; promover parcerias entre os setores público e privado; e reforçar a inovação e a transformação digital nos serviços municipais.
Como se pode garantir que estes memorandos não ficam apenas no papel e se traduzem em investimento efetivo?
O trabalho que o Conselho Empresarial tem realizado já levou diversas empresas portuguesas a desenvolver, ativamente, projetos na Arábia Saudita. Ou seja, o lado prático existe e já é visível e o que nós queremos é que seja cada vez mais notório e que o impacto destas sinergias seja cada vez maior. E há condições reais para que assim seja. Nas missões anteriores, para se ter uma ideia, decorreram mais de 50 encontros bilaterais de empresas portuguesas interessadas em investir neste país do Médio Oriente. Estamos no terreno para fazer acontecer.
Como avalia hoje o estado das relações económicas entre a Arábia Saudita e Portugal? O que falta fazer para elevar esta relação a um verdadeiro patamar estratégico?
Tal como referi, o Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal e a sua contraparte portuguesa têm-se esforçado por criar pontes com o governo, com o poder local e com as empresas, de forma a mostrar o seu real empenho em reforçar as relações económicas entre os dois países. Existe, da parte da Arábia Saudita, uma vontade enorme de investir em Portugal e de ajudar as empresas portuguesas na sua expansão para o Médio Oriente. Contudo, quando pensamos em investir em Portugal deparamo-nos com um grande desafio: não sabemos como aceder aos grandes projetos de investimento. E há vários que poderão ter interesse para os empresários sauditas, nomeadamente no que respeita à construção de infraestruturas.
Quais são os setores com maior potencial para as empresas portuguesas no mercado saudita?
As tecnologias de informação, Inteligência Artificial, construção, turismo, entre outras.
E em que áreas as empresas sauditas estão mais interessadas em investir ou desenvolver projetos em Portugal?
As empresas sauditas reconhecem grande potencial para investir em áreas como infraestruturas, turismo, saúde e construção.
Como antecipa a relação económica entre Portugal e a Arábia Saudita daqui a cinco anos?
Acredito que estas missões e parcerias terão resultados profícuos no futuro. Há muita vontade de passar à ação e com celeridade. Há empresas que já estão a trabalhar nesse sentido, outras vão começar agora a fazer esse caminho, em estreita parceria com entidades portuguesas. É importante sublinhar que na Arábia Saudita contamos já com uma delegação da AICEP e que agora teremos a ANJE Saudi Arabia, que dará um grande impulso à internacionalização das jovens empresas portuguesas.
Que mensagem gostaria de deixar às empresas portuguesas que ainda não olham para o mercado saudita como prioridade?
A Arábia Saudita é território de oportunidades e está a investir como nunca na diversificação da sua economia, abrindo espaço real para empresas internacionais com know-how, inovação e capacidade de execução, áreas em que Portugal tem vantagens claras. Mais do que uma oportunidade comercial, o mercado saudita é uma plataforma de crescimento e posicionamento global. As empresas portuguesas que tiverem visão estratégica, abertura e ambição encontrarão ali não apenas clientes, mas parceiros para o futuro.
Que futuro está a ser construído hoje entre a Arábia Saudita e Portugal?
O futuro já começou. O que Portugal e a Arábia Saudita estão a fazer é criar condições para que o futuro destes dois países seja feito de sucessos. A história o dirá.






